Cultura

União pela sobrevivência: os novos caminhos do Underground

Integrantes da "cena" falam sobre o passado, o futuro e o presente da música independente

Franciele Arnold, Mailsom Portalete e Vinícius Bühler

 

Crise. A palavra é comum nas editorias de veículos de comunicação e rodas de conversa sobre economia ou política. Mas ultimamente o termo é, também, cada vez mais frequente quando o assunto é cultura. Ou contracultura. Dentro de um cenário onde determinados gêneros musicais ganham espaço e ofuscam outros, há quem diga que os circuitos de rock and roll perderam força. A cena já não é como nos anos 1980 ou 90, quando o rock desfrutava da hegemonia da grande mídia e ocupava parte significativa do mainstream. Por outro lado, muitos grupos enxergam, nos novos meios de produção e divulgação da música, oportunidades de ir aonde bandas do passado não conseguiram. As opiniões sobre a suposta crise são divergentes. O fato é que o underground não é mais o mesmo. Se a cena corre o risco de se perder ou se desconfigurar, é consenso entre os artistas que é preciso recuperá-la e renovar a sua logística. Como fazer isso? Os modos propostos divergem, mas há um grande coro pelo fim da competição entre grupos, e uma nova união das bandas independentes. Tudo começa por entender o que é, de fato, o underground e como ele irá sobreviver.

 

 

Quando o maior vilão do underground é ele mesmo

O multi-instrumentista e luthier Márcio Petracco, integrante de bandas como TNT, Locomotores e Tenente Cascavel, afirma ter a impressão de que a suposta crise na cena roqueira seja só uma faceta. “Depende do que o cara chama de cena underground. Eu convivo com manifestações de cultura underground de todo tipo. O Hip Hop, por exemplo, segue bombando”, defende. O rock, de um modo geral, não morre, e se faltam espaços para alguma vertente da cultura jovem, há de se considerar várias hipóteses para a existência do problema. Uma delas seria a qualidade dos trabalhos produzidos. Ou então o engessamento de uma cultura. “O rock tem uma tendência a virar uma coisa meio forçada, meio de mentira: que roqueiro é assim, tem que usar um determinado tipo de roupa, tem que agir de um jeito, tomar garrafão de vinho na esquina, e se não for assim não é roqueiro. Eu nunca me encaixei nisso aí. Se tu não se permite a mutação, a variação, não fica natural”, comenta Petracco.

Petracco

Márcio Petracco. Foto: Arquivo pessoal

Não é de hoje que o rock, principalmente o underground, acaba assumindo seu espaço na contracultura. E por isso sempre teve de superar diversas barreiras e se impor perante os padrões, sejam culturais ou sociais. Desde os precursores do estilo, como Chuck Berry e Little Richard, passando por ícones como Beatles, Rolling Stones, Metallica, AC/DC, Guns N’ Roses e tantos outros, é fácil se prender a fórmulas prontas e ficar requentando modelos que já passaram do seu tempo. Petracco fala um pouco sobre essa questão. “Sempre misturei uma porrada de coisas que vêm até mim. E os lances que realmente são bacanas, criativos e inteligentes sempre fizeram isso. Eles não se encaixam dentro de uma moldura”, enfatiza.

Dentre os subgêneros mais inovadores ou transcendentes, no sentido de subverter a cultura de uma época, está o punk. Em meados dos anos 1970, bandas como Ramones, Sex Pistols e Dead Kennedys quebravam a forma do padrão do próprio rock e se posicionavam como uma resposta, um tanto quanto enfática, aos hippies e sua cultura. Para Petracco, é isso que falta para muitas bandas atuais, que buscam fomentar uma cena alternativa com os mesmos formatos do mainstream.

“Mutantes e The Clash, por exemplo, pegaram o que tinha na época deles e reinventaram, meteram no liquidificador. O que é o The Clash? É punk mas tem reggae, tem ska. O que não dá é ficar querendo encaixar o rock em formas, o rock vai ser o que ele tiver que ser. Se o pessoal não tá curtindo a tua banda, faz algo porrada, faz algo revolucionário como foram as bandas de outras épocas. Seja inusitado. Olha o que foi o rock como função social, ele não tem que se prender a coisa alguma. Quando as coisas ficam tão quadradinhas acabam ficando chatas”, argumenta o músico.

Seja hoje ou há 60 anos, o gênero sempre precisou conquistar, nem que seja pela força, o seu espaço. E o saudosismo em relação às épocas áureas pode nublar a visão dos músicos atuais, que vem deixando de lado a sua função social e contestadora. É possível que parte da culpa seja das próprias pessoas que fazem a cena, que por uma espécie de conformismo estão perdendo o seu espaço. “Tem gente que diz que não tem mais bandas como antigamente. Pô, tem bandas muito melhores. Se tu for ver lá no começo, o rock, o blues, ele tinha uma finalidade específica que era dar o recado daquela geração. E quem faz isso hoje em dia é o rap”, destaca Petracco.

Ele recorda que quando estavam na grande mídia bandas de rock como os Replicantes, De Falla, Garotos da Rua, Engenheiros do Hawaii, Cascavelletes e TNT, foi porque a mídia resolveu olhar para o cenário. Segundo o músico, isso não vai mais acontecer. Para o bem e para o mal. Seja porque as gravadoras acham que o rock não vai dar dinheiro ou porque a moda passou. Para Petracco, as pessoas ficaram mal-acostumadas com a mania de a mídia dizer para o público o que ele deve escutar. Hoje os tempos são de buscas, pesquisas e descobertas por iniciativa própria.

 

O comodismo e a perda da relevância

Há alguns anos, quando uma banda estampava a capa de um suplemento de cultura em um grande jornal, estava praticamente garantida a turnê do próximo ano do grupo, repleta de shows. A exposição de outras épocas, hoje, parece ter muito pouca ou quase nenhuma importância. Com um volume de informações altíssimo em circulação, ocorre um movimento reverso em que pode se tornar difícil movimentar um alto número de pessoas. Afinal, a tecnologia facilita para todos, os concorrentes só crescem e o tempo para conquistar o público diminui.

Rafael Malenotti FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Rafael Malenotti. Foto: Arquivo pessoal

É o que argumenta Rafael Malenotti, vocalista da banda Acústicos & Valvulados. Conforme o artista, os benefícios da era da informação, por outro lado, acabam dificultando que um número maior de bandas apareça. “Mesmo estando em uma vitrine, como um Faustão da vida, isso não tem mais relevância. As informações são muito rápidas, é tudo descartável. O público de hoje trocou a mentalidade, é outra geração. E a gurizada não está nessas de sair atrás de um determinado estilo de música e ter a paixão que a gente tem até hoje. Eles querem gostar de tudo ao mesmo tempo. A história da música alternativa, principalmente do rock, é que sempre foi uma questão de postura, de ir contra alguma regra, e hoje a galera está muito acomodada”, desabafa.

Durante muitas décadas, um dos grandes motes da turma do rock era sair, viajar, ir pra estrada atrás de seus ídolos. Um movimento que vem perdendo força, segundo Malenotti, também pelos confortos que a tecnologia digital trouxe. “É tudo tão confortável que o cara não vai pegar um ônibus e atravessar o país atrás de um show específico, porque ele pode pegar no seu Full HD ali, com toda a tecnologia do mundo, baixar sem pagar nada e pronto. Só que justamente esse tipo de coisa é o que faz a roda da grana não funcionar mais, nem para as casas de show, nem para as bandas”, lamenta. Para o músico, as casas de show pagam o preço pela comodidade do público fechando as portas.

Outro fator que contribuiu para o apequenamento das casas, e também dificulta a própria sobrevivência dos músicos, são os custos de produção e organização dos eventos. O vocalista dos Acústicos & Valvulados salienta que em um período médio de 10 anos o custo de um show aumentou cerca de sete vezes. O fenômeno é natural se levarmos em conta dinâmicas corriqueiras de qualquer economia, como a inflação. O grande problema, segundo ele, é que o lucro ou até mesmo o valor da entrada de um evento não cresceram no mesmo ritmo. “Se na época tu viabilizava um show por R$ 3 mil, com R$ 1 mil se pagava o show e R$ 2 mil se tirava de lucro. Hoje, um show em que o custo ultrapassou os R$ 7 mil não gera um lucro de R$ 20 mil – para se manter na mesma proporção. E os donos de casas querem continuar pagando o mesmo que pagavam há uma década. Isso também ocorre com o público e o preço que ele está disposto a pagar pelos ingressos. Mesmo enchendo a casa, a bilheteria não paga mais a conta. Então, não tem o que fazer. Só fechar as portas e lamentar por um espaço a menos no cenário”, evidencia.

 

Depois da guerrilha, o fim da cena

Nos áureos tempos do Garagem Hermética, quando Júpiter Maçã, os Subtropicais, Pata de Elefante e Beto Bruno com seus Malvados Azuis faziam parte do underground de Porto Alegre, podia-se ouvir cordas indianas em meio à distorção das guitarras elétricas. Lúcio Brancato era membro do Power Trio Laboratório B4 e um dos únicos citaristas do rock and roll da capital. Hoje, aos 38 anos, o músico e jornalista enxerga o cenário com um visão formada pela trajetória nos palcos, nas plateias e também dentro de veículos de comunicação que, pelo menos no passado, eram o principal meio para as bandas obterem visibilidade. Havia uma cena e, segundo Brancato, ela era quase de guerrilha.

Lúcio Brancato FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Lúcio Brancato. Foto: Arquivo pessoal

É nessa palavra que ele vê a definição mais adequada para o underground. “É algo muito próximo da palavra guerrilha. Era uma cena que se sustentava pelas próprias bandas e pessoas no entorno disso”, coloca. A união e o sentimento de pertencimento são, para Brancato, pontos-chave tanto para caracterizar a cena como para mantê-la ativa. “Tinha uma turma que abastecia isso com certa facilidade. A mesma banda que um dia tava no palco, no outro tava na plateia assistindo. É muito de agregar e sentir-se no mesmo movimento”, conclui.

Na visão do jornalista, contudo, esse sentimento de união e de “pertencer a uma cena” tende a terminar em um paradoxo. Segundo Brancato, nos anos 1990, por exemplo, as bandas tinham dificuldade para conseguir contato com um jornalista que pudesse divulgar o seu trabalho. “Era muito mais complicado descobrir os acessos. Nos últimos anos essas barreiras diminuíram com muita rapidez, e isso facilitou muito para as bandas entregarem o material”, aponta. O problema é que, conforme ficava mais fácil para as bandas mostrarem o trabalho e divulgarem os shows, por meios como as redes sociais, mais os componentes daquele cenário se desuniam.

Os espaços de mídia e de shows se mantiveram, mas a união foi se perdendo e as bandas, que antes tocavam e iam para a plateia assistir aos colegas de cena, pararam de se ajudar. “Talvez pelas bandas terem muita facilidade, acabam achando que podem trabalhar sozinhas. Não se reforça uma cena, não se cria uma cena de qualquer estilo que seja dessa maneira.” Brancato observa ainda que, diferente de hoje, os anos 80 e 90 geraram bandas de estilos mais determinados, como o punk, o new wave e o rockabilly, e que se interligavam em termos de público e entre elas próprias. “Hoje, para as bandas, facilitou muito em termos de processo, mas é muito mais difícil compreender em que cena tu está atuando ou qual cena tu está consumindo”, enfatiza.

Brancato prevê que em um futuro próximo a palavra “cena” pode se perder. “Com as bandas cada vez se espalhando mais, no futuro vai ser difícil de identificar cenas, e essa palavra pode se perder rapidamente nos próximos anos. Não vejo existirem mais cenas musicais, de estilo ou locais”, opina. A palavra que entraria no lugar de cena, conforme o jornalista, seria “espalhar”. “É difícil entender o que é bom para uma banda hoje em dia em termos de mercado fonográfico. É muito mais fácil explorar um mundo virtual do que o mundo físico. Hoje não se trabalham mais álbuns, se trabalham singles”, exemplifica.

A saída para que a cena não se perca é reavivar de alguma forma a união e o sentimento de pertencimento característicos do underground. “Não se tem mais festivais, e isso era algo muito forte, que formou gerações de artistas e cenas”, recorda. “Eu acho que deveria ter um esforço coletivo das pessoas trabalharem juntas”, encerra.

 

FRANK JORGE: “Não adianta gravar uma música e colocar na rede social. O cara tem que se mexer”

Frank Jorge, músico de bandas como Os Cascavelletes, Graforréia Xilarmônica e Cowboys Espirituais, em carreira solo desde os anos 2000, fala à Beta Redação sobre a possível crise no underground, a postura que os músicos precisam adotar para superá-la e que alternativas existem ao fechamento de importantes casas noturnas. Com um discurso otimista, o também professor do curso de Produção Fonográfica da Unisinos comenta o atual cenário, no qual vê muito mais possibilidades do que barreiras.

Frank Jorge. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Frank Jorge. Foto: Arquivo pessoal

Beta Redação – Frank, você concorda com a afirmação de que o cenário underground, principalmente o rock, está vivendo uma crise? Você considera que está mais difícil viver de música?

Frank Jorge – Eu não me identifico com esse tipo de fala que prega uma crise. Se tu quer ser músico, tem que aprender a trabalhar com isso. Eu já tive bandas com visibilidade, conhecidas, com shows, interesse da mídia. Em outros momentos não estava lançando nada, e tu não para por isso. Tu dá um jeito, busca alternativas pra tocar, pra trabalhar. Eu sempre tive uma fala muito afirmativa, sempre fui músico atuante em banda autoral e nunca deixei de estudar. Fiz faculdade, especialização, estou concluindo o mestrado, enfim. E sempre tive um trabalho ou outro com áreas afins, relacionadas à música: já trabalhei em rádio, TV, produtora de áudio. Nunca gostei de ter uma postura apocalíptica. Eu acho que isso é muito sobre como as pessoas encaram o fato de tocar e de viver disso. Muitas vezes existe uma postura de “o inferno são os outros”.

Beta Redação – Recentemente, casas noturnas de importância nacional para o cenário underground fecharam ou estão em suas últimas temporadas. É o caso do Inferno Club e também do Hangar 110, ambas em São Paulo. A perda desses espaços tem preocupado muitos músicos da cena. Como você encara essa situação?

Frank Jorge – A questão das casas é um pouco mais complexa. A banda precisa ter uma boa produção executiva. Mesmo ela não tendo um bom empresário, um bom manager, ela precisa aprender a criar um show, um evento, divulgar, agregar outras bandas, juntar o público. Não dá pra dizer que o único responsável por dar espaço e oportunidade de trabalho pras bandas é bar ou casa noturna. Esses lugares têm seus interesses, então o músico precisa aprender a navegar nesse oceano gigantesco. Ele não pode ficar refém de um bar de bandas de rock, por exemplo. O músico tem que deixar material pra Câmara Riograndense do Livro, no Teatro do Sicredi, tem que falar com o dono do pub da quadra da casa dele, o cara tem que arranjar maneiras de circular, de aparecer. Não adianta gravar uma música, colocar na rede social, no SoundCloud, e pensar que o mundo inteiro está escutando. O cara precisa se mexer.

Beta Redação – O principal argumento dos donos das casas é que o fechamento é resultado da derrocada do cenário, no qual as bandas estariam ficando escassas, perdendo a qualidade e o público. Qual a sua visão sobre isso?

Frank Jorge – Talvez os próprios donos de casas noturnas também sejam culpados, vai ver não estão diversificando as opções. É claro que entendo o lado do dono de um estabelecimento que visa lucro, sem estar necessariamente preocupado com atrações culturais. Mas eu nunca fui e nunca vou ser um cara que vai concordar com essa fala de que as casas noturnas estão fechando porque não tem banda.

Eu discordo totalmente disso. A música autoral está sempre acontecendo e sempre forte. Eu sempre compartilho exemplos de bandas novas tocando em shows solo ou coletivos, sempre tem muita banda atuando. Em vários locais onde vou tocar recebo CDs de bandas novas, por meio das redes sociais o pessoal me envia diversos links de bandas, de eventos de Porto Alegre, do interior do Estado, de Curitiba, de São Paulo, do Nordeste. A cena, não de uma localização geográfica específica, mas a cena em geral está sempre acontecendo. Sempre tem gente com algo a dizer, com uma nova sonoridade.

Beta Redação – Fazendo um comparativo das décadas anteriores, desde os anos 1960 até os dias atuais, o que melhorou e o que piorou, em termos de oportunidades para a exposição e o desenvolvimento do trabalho de um músico?

Frank Jorge – Vamos olhar em perspectiva. Em 1959, 1960, os Beatles adolescentes, de classe média pra baixo, filhos da classe operária, querendo ter uma banda; vamos pensar nos anos 1980 e a redemocratização gradual aqui no Brasil; e vamos pensar hoje, que é um outro cenário, no qual há muita facilidade para gravar um álbum, você não depende de estúdio nem de gravadora, tu grava e põe a música onde quiser. Analisando esses três cenários, eu digo que nunca é fácil. Mesmo hoje tendo muitos meios ao alcance – você pode ir até o shopping e comprar uma guitarra Gibson, pode ter um software para gravar em casa  -, mas só por ter todas essas ferramentas ao alcance, não quer dizer que seja fácil. Isso não significa que todo mundo vai curtir a tua música. Se não houver empenho, agregamento de pessoas ao teu trabalho para ajudar a divulgar, para fazer um vídeo legal, uma capa, se não houver um trabalho com afinco, acreditando no que se faz e somando competências e saberes, não vai acontecer.

De certa forma, parece que tudo aquilo que rolou em termos de rock nacional ou local foi muito fácil. Não foi. Tinha uma certa demanda reprimida, em função da ditadura, de muita gente, de novas bandas, novos discursos, novas discussões, de uma renovação no que era a MPB. O rock nacional se justificou muito, atualizando a música pop brasileira, trazendo para cá movimentos como o punk e o pós punk que aconteceram lá fora por volta de 1976, 1977, e que aqui só foram ocorrer quase uma década mais tarde. Hoje, aparentemente, é mais fácil constituir um single, um EP virtual, ou até mesmo um álbum, a questão é quais estratégias serão adotadas para as pessoas escutarem essas músicas. O volume de material existente hoje é muito maior e o número de gente buscando espaços também, é mais fácil produzir, mas é mais difícil chamar a atenção.

Beta Redação – Falando na perda de espaços icônicos, em 2013 Porto Alegre viu o último ano do Garagem Hermética, um bar que para muitos foi um dos principais fomentadores da cena alternativa da Capital. Você acha que teve um sentimento parecido, uma espécie de orfandade por parte das bandas na época, com o que está ocorrendo agora?

Frank Jorge – Eu não gosto de encher a bola do Garagem dessa forma. Acho que ele cumpriu um papel mais social do que cultural, como um ambiente de circulação. Tanto que muitas bandas legais surgiram e nunca tocaram no Garagem. Eu tive relação com o local, toquei na inauguração do bar, mas não gosto de fazer esse endeusamento do Garagem Hermética. Acho isso uma bobagem extrema. Dizendo isso eu não estou desmerecendo totalmente o comentário de alguém que diz que está sendo afetado pela perda de um espaço. Eu sei como é, às vezes, tu está muito pilhado com um trabalho muito bem organizado e tu não consegue fazer isso se projetar como gostaria.

Estou há 10 anos envolvido com o curso de Produção Fonográfica da Unisinos. Nesse período, vi muita coisa e aprendi muito, e o que eu posso dizer é que o cara tem que se mexer, ler, estudar, planejar e agregar pessoas de outras áreas para ajudar a projetar o teu trabalho. Algumas casas estão fechando, outras seguem abertas, outras vão surgir, é um processo natural da economia, ocorre em todos os setores. A atuação do músico transcende uma noção de ser fácil ou difícil. Normalmente, em qualquer época, tem que batalhar. O mercado musical é muito mais amplo que fazer shows e performances musicais.

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