Esporte

Uma praça de luta

A arte marcial e o esporte como referência para a juventude

A Praça da Juventude, do município de Sapucaia do Sul, agora conta com mais duas modalidades esportivas para as crianças. Desde o dia 13 de março, os pequenos podem participar das aulas de boxe olímpico e taekwondo. As atividades são gratuitas e voltadas para toda a comunidade, assim como a ginástica, musculação e futsal, que também são promovidas no contraturno escolar, atendendo alunos dos seis aos 15 anos do ensino fundamental e toda a comunidade.

O projeto foi criado em 2007 pelo governo federal, com objetivo de levar espaço e equipamento esportivo público de qualidade para a população, uma área de convivência comunitária, lazer e de referência para a juventude. Em Sapucaia do Sul, o projeto existe  há quatro anos e é financiado pela Secretaria de Esporte e Lazer.

Professor de Educação Física e coordenador do projeto, André Amandio Olmedo, de 45 anos, fala sobre  importância de iniciativas como essa, que são um complemento às atividades escolares. “A estrutura que, muitas vezes, as escolas não conseguem proporcionar, nós conseguimos completar. Quando muitas escolas estão entrando agora com o projeto Mais Educação, nós já conseguimos promover aqui”, ressalta.

O ambiente é construído todos os dias com muita luta de todos que trabalham por lá, com poucos recursos públicos. Os equipamentos utilizados, em sua marioria, são doações de funcionários e comunidade. Por falta de recurso da prefeitura, as aulas e os campeonatos de futebol de campo não têm previsão de começar.

A semente  e o semeador

A troca de administração do município trouxe grandes mudanças estruturais para a praça. Aos poucos, acontece a renovação da gestão, com novos professores e funcionários. Segundo o coordenador, é um recomeço, e para isso novas sementes devem ser plantadas. Um dos semeadores será o estagiário Gabriel Silveira, 20 anos, que terá a responsabilidade de ensinar essas lutas para as crianças. Estudante da Unisinos, ele está no segundo semestre de Educação Física. Escolheu a profissão por causa das artes marciais que treina desde os 14 anos: muay thai, taekwondo, boxe e jiu-jitsu.

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Foto: Luísa Boéssio/Beta Redação

 

Artes marciais

Gabriel destaca a necessidade de atividades físicas na infância, principalmente as artes marciais. “É muito importante a arte marcial na infância, melhora na coordenação e no condicionamento físico, diminuindo a obesidade. A parte disciplinar também é importante, principalmente para tirar os jovens das ruas”, afirma.

O programa atende toda a comunidade, mas principalmente crianças em situação de vulnerabilidade social e pobreza. Essa última, infelizmente, atrelada à violência, requer uma maior atenção dos professores. Nesses casos a arte marcial entra como mais um recurso de transformação. “Eles vão conseguir expressar essa violência aqui dentro, aprendendo a ter autocontrole e disciplina”, observa André.

Para o lutador, existe uma famosa frase que pode definir o que é o ensino de lutas: “Quem luta não briga”. E ele completa: “Quem vem para a academia e expressa tudo que tem dentro de si nos equipamentos, acaba descarregando o que sofre dentro de casa ou no colégio”.

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Foto: Luísa Boéssio/Beta Redação

Andrea Marques, 44 anos, mãe de Eduardo, um dos pequenos boxeadores, partilha da opinião dos professores. “Ele é um bom aluno, mas é muito agitado. É importante para o meu filho ter uma atividade, ocupar a cabeça. Eu estou sempre com ele, mas muitos pais deixam os filhos sozinhos e, às vezes, vão para outro caminho. Pelo menos, aqui, eles têm com o que se ocupar”, relata.

Aluno da 7ª série, aos 13 anos Eduardo tem disposição e energia de sobra. Gosta de correr e brincar, e conta que aprendeu muito nas aulas de boxe e, no futuro, quer ser um lutador ou jogador de futebol profissional.

 

Foto: Luísa Boéssio/Beta Redação

Frutos

Em 2016, a praça contava com mais sete núcleos da ginástica e Escolinha Comunitária. Eram mais de 1,6 mil alunos. A ideia, em 2017, é dobrar o número de beneficiados quando toda a estrutura estiver montada. O fruto dessas sementes não é de imediato. Muitos ajustes ainda são necessários para que o projeto cresça como deve ser, durante os próximos quatro anos. 

Ainda falta muita luta, dentro e fora dos tatames, para cumprir os objetivos. “Espero que as crianças evoluam, tanto aqui quanto no colégio. E, como no futebol, na parte das artes marciais vamos procurar novos talentos também”, afirma o professor.

Saiba mais:

Podem participar das aulas de boxe jovens entre 12 e 15 anos. Os treinos acontecem nas segundas e quintas-feiras, das 16h às 17h. Já o taekwondo é para crianças de seis a 11 anos, com aulas nas terças e quintas-feiras, das 9h30min às 10h30min. Ao todo, são 15 vagas para cada turma. A praça fica na Rua César Alves de Souza, esquina com Rua Enor Holmer.

As inscrições podem  ser feitas pelo responsável da criança ou adolescente, de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h e das 13h às 17h. É necessária a apresentação de cópia de documento de identidade ou certidão de nascimento, atestado escolar e comprovante de residência. Mais informações pelo telefone 3450-4066.

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