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Uma luz no fim do túnel do Hospital Centenário

Parceria com Unisinos e eleição de conselho administrativo independente dão nova perspectiva à instituição

Apesar dos problemas recorrentes com superlotação e precarização da estrutura, o Hospital Centenário vislumbra mudanças. A parceria com a Unisinos para a reforma e ampliação do Centenário parece ser a primeira solução concreta para os desafios que a entidade enfrenta há muitos anos.

Com a autorização do MEC para implantar o curso de Medicina, a Unisinos  deverá usar o Centenário como hospital para residência dos estudantes. Os reflexos da transformação do Centenário em um centro de estudo e pesquisa em Medicina já podem ser vistos. A reforma do telhado de diversos setores que estava parada voltou a ter andamento.

O centro administrativo também passa por ampliação e melhorias estruturais, com 80℅ dos trabalhos concluídos. Esta primeira parte do plano de modernização para o novo complexo já é financiada pela Unisinos. Entretanto, os próximos passos serão mais complicados, já que envolvem a modernização das sete clínicas do hospital e 119 leitos. Essa parte das obras terá um custo de R$ 3 milhões, sendo R$ 2 milhões do programa de aperfeiçoamento do SUS e o restante de contrapartida do Município de São Leopoldo.

PROJETO DO NOVO  HOSPITAL CENTENÁRIO

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NOVO CONSELHO ADMINISTRATIVO

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José Luis Pedrini

Outra mudança importante é a eleição do novo conselho administrativo da Fundação Centenário, anunciado no último dia 10 de outubro. Atuando há 40 anos como médico do hospital, o novo Presidente é José Luis Pedrini.  Em sua carreira já  foi vice-presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia e chefe do Centro de Pesquisas Médicas Clínicas Internacionais (CPMEC). A Beta Redação conversou com Pedrini, que desenhou a estimativa para o futuro do Centenário.

Qual é a visão de futuro que o novo conselho administrativo tem para o hospital? O que muda com essa nova gestão?

O primeiro passo é dar credibilidade ao hospital, que hoje tem 14 áreas de atendimento médico e uma emergência que funciona 24 horas. Para isso, precisamos de uma gestão mais eficiente. O novo conselho de administração vem ao encontro disso. Ao se tornar independente dos planos políticos de município, que mudam a cada eleição, a administração passará a ser técnica. Assim, o paciente e os servidores se tornarão o centro do pensamento de gestão do Centenário.  Não iremos fazer uma fiscalização nos corredores do hospital, mas  ainda sim traremos um máximo de transparência aos números de procedimentos realizados e denunciaremos o que estiver errado.

Trazendo tua experiência como médico do centenário, qual o ponto que precisa de atenção mais urgente?

Precisamos equilibrar a estrutura do hospital. Somos referência para boa parte do Vale dos Sinos, o que traz uma grande demanda. Por exemplo, temos um centro de cirurgia neurológica que funciona muito bem e uma unidade de tratamento oncológico ao câncer de mama que é exemplo para todo estado. Ao mesmo tempo, temos pacientes que ficam 14 dias a espera de uma cirurgia.

A parceria com a Unisinos parece ser a  chance do hospital centenário alterar sua condição atual. Como vai ser a administração  a partir desse cenário?


O conselho administrativo é um órgão independente que é amparado pela lei e deverá ser respeitado pelas instituições privadas, Câmara de Vereadores, população e principalmente pelo prefeito. Além disso, temos dentre os membros no conselho a procuradora geral do município, Ângela Molin, que nos dá o poder ligado ao Ministério Público para fazer uma gestão séria e comprometida unicamente com o que for melhor para o Centenário.

Projetos desse escalão já foram apresentados outras vezes. Você acredita que dessa vez as obras terão continuidade?

Acredito que sim, o projeto terá o andamento. As pessoas ligadas a esse projeto e ao conselho,  como o reitor da Unisinos, padre Marcelo de Aquino, e presidente da Shitl, Claudio Guenther, não estão dispostas a perder tempo com dados maquiados e não irão tolerar gastos desnecessários.  São pessoas que com certeza irão manter o orçamento dentro do que for melhor para o Centenário.

Em quanto tempo os resultados dessa reformulação da administração e das reformas poderão ser vistos?

É difícil estimar um tempo. Na minha carreira, aprendi a perceber muitas coisas pela intuição. Esse é um projeto que começará a dar frutos em cinco anos. A imagem do centenário não é boa entre a população. A própria Unisinos era relutante em apostar no centenário pela forma como a gestão era feita anteriormente. Porém, o conselho quer trabalhar ações internas e externas de marketing que alterem esse cenário. Queremos melhorar o ambiente e valorizar o servidor e, a partir disso, mostrar todas as coisas boas que acontecem aqui e que irão ocorrer com cada uma frequência ainda maior a partir de agora.

Qual é o desafio ao assumir a presidência do conselho?

Para mim é pesado. A pesquisa médica é algo que toma bastante tempo, mas que já me rendeu quase duas mil citações em trabalhos científicos na área médica pelo mundo. Já publiquei três livros mas quis assumir esse desafio para trazer uma nova perspectiva ao Centenário. Sei que o centenário não irá mudar de um dia para outro, mas vamos trabalhar para que isso aconteça.

 

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