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Um espaço de filosofia e cultura

Nova Acrópole promove atividades de voluntariado em POA

Nova Acrópole promove aulas com professores e alunos voluntários. Foto: Cassiano Cardoso

Nova Acrópole promove aulas com professores e alunos voluntários. Foto: Cassiano Cardoso

 

É numa casa construída em 1790, na Praça da Matriz de Porto Alegre, que um grupo de cerca de 160 voluntários mantém a sede da escola Nova Acrópole na capital. Com três andares de chão de madeira, que range um pouco ao pisar, longas salas e até pianos, eles utilizam o espaço para cultura, filosofia e voluntariado – três pilares da instituição. O prédio recebe diariamente pessoas de todas as idades, estilos de vida e etnias para promover a educação da filosofia tradicional e apresentá-la, na prática, para o mundo atual.

Apesar de não tão conhecida entre as instituições de voluntariado, a Nova Acrópole está em quase 60 países. Em alguns deles, promovem até ações junto à Defesa Civil em situações de calamidade, como no caso do terremoto do Chile em 2010. Apesar do voluntariado, cada sede é autossustentável. Ou seja, cada uma das sedes ao redor do mundo se mantém por si própria, sem a necessidade de apoio privado ou de outras filiais.

Na escola Nova Acrópole, eles trazem aulas de filosofia diferentes do tradicional, buscando os pensamentos clássicos e até a filosofia oriental – distante do que há nos currículos acadêmicos – para a prática na atualidade. “As pessoas, de um modo geral, levam a filosofia oriental apenas como religião, quando na verdade ela é complementar à nossa visão ocidental”, explica o secretário de comunicação, professor e, claro, voluntário da escola de Porto Alegre, Samuel Plentz, 35 anos.

“A gente costuma dizer que temos filosofia à maneira clássica, que é aos moldes antigos. Não é só uma área de conhecimento, mas é uma forma de viver, uma forma de levar a vida”, continua Plentz. Segundo ele, nas aulas ministradas na instituição, o alunos aprendem sobre a filosofia como um legado que vem de várias épocas e lugares. “São verdadeiros tesouros que a gente tem com a vivência”, destaca.

Na prática, Samuel Plentz ressalta que se tem uma visão muito amplificada sobre o conhecimento. “Hoje em dia, se tem muito acesso à conhecimento, porém isso não torna as pessoas mais felizes e mais integradas ao meio”, conta. Ele lembrou também de crises que os antepassados tinham e se repetem agora, como sociais, políticas e econômicas, mas que muitos dos ensinamentos deles podem ser utilizados nos dias de hoje.

“As pessoas buscam o autoconhecimento. Elas são muito preocupadas com o mundo e com as atitudes do homem. Aqui, elas encontram um terreno fértil para colocar em ação seus sonhos. Melhores atitudes e sentimentos”, define. Para o lado da cultura, eles buscam a filosofia na arte. “Promovemos orquestras, atividades culturais e exposições, sempre utilizando disso para transmitir a mensagem da filosofia”, explica o voluntário.

Filosofia e voluntariado

Paula Ibarra, 46 anos, é voluntária e diretora estadual da Nova Acrópole e explica o voluntariado como uma forma de experimentar a filosofia. “Nós podemos trabalhar a filosofia independente dos condicionamentos do mundo atual. O voluntariado é um trabalho onde não recebemos algo em troca. A filosofia nos traz o benefício da experiência e da vivência. É aí que elas se unem”, declara. Então, para ela, a filosofia é a oportunidade de aprender na prática sem estar condicionado a receber algo em troca.

“É uma forma de fazer aquilo que a gente ama. A gente viver essa experiência, fora desse momento histórico onde o ‘ter’ material é mais importante que viver”, aponta a diretora. De acordo com ela, a ideia do voluntariado faz com que tu te permita vivenciar sem um compromisso contratual ou material, mas de fazer o que se gosta.

Sobre a cultura no voluntariado, ela é cética e, de certa forma, romântica. “Precisamos plantar nestes sulcos da terra. São coisas que nos validam como seres humanos. É o cultivo destas vivências”, explica.

David Cezimbra, 33 anos, é voluntário na Nova Acrópole há dois anos. Ele conta que o encontro da escola foi como uma fuga. “Eu estava querendo sair desse mundo conturbado. Não se tem mais lealdade e honestidade. Aqui, eu encontrei pessoas que querem ajudar o ser humano. Aqui se fala sobre tudo. Te dá ferramentas para mudar a tua própria forma de agir sobre o mundo”, relata.

E essa busca de fazer algo pelo outro parece ser o que todos buscam na Nova Acrópole. Valéria Lemke, 47 anos, iniciou as atividades nesta procura também. “Não é assistencialismo, mas é um local onde tu podes desenvolver valores. Também temos estas campanhas de agasalho, roupas e afins, mas aqui buscamos valores. De honestidade, amizade e coisas que inquietam a tua alma”, conta.

No hall de entrada, as salas se dividem em três: Pitágoras, Sócrates e Da Vinci. Foto: Cassiano Cardoso

No hall de entrada, as salas se dividem em três: Pitágoras, Sócrates e Da Vinci. Foto: Cassiano Cardoso

 

Como funciona

A Nova Acrópole se mantém apenas com os custos dos estudantes e voluntários. Para o curso introdutório de filosofia, são R$ 600 investidos e cerca de 16 encontros, mas o dinheiro é revertido para o mantenimento da centenária casa na Praça da Matriz. Atividades como os projetos para crianças e adolescentes possuem custos irrisórios, apenas para a compra dos materiais.

Aos alunos que fizeram curso introdutório, mas que pretendem aprofundar ainda mais o conhecimento, a escola possui outras atividades que vão mais a fundo no estudo da filosofia. Para isso, o aluno-voluntário deve contribuir com R$ 220 mensais. Além das aulas, a sede Porto Alegre possui bistrô, livraria e uma biblioteca com mais de 10 mil títulos.

Nova Acrópole – POA
Endereço: Praça da Matriz, 148 – Centro Histórico
Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 19h às 22h e aos sábados, das 10h ás 12h

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