Cultura

Um cinema gratuito em Porto Alegre: conheça a Sala Redenção

Cinema Universitário fica no campus central da UFRGS

Foto: Pedro Nunes/ Beta Redação

Foto: Pedro Nunes/ Beta Redação

 

“Vamos no cinema?” Provavelmente a primeira coisa que pensamos quando alguém nos faz essa pergunta é qual filme hollywoodiano veremos desta vez. Porém, nem só de filmes norte-americanos com atrizes e atores famosos vive o mundo do cinema. Prova disso são os cinemas independentes, aqueles em que são exibidos filmes diferenciados e com ingressos a preços populares ou até mesmo gratuitos. Um desses cinemas é a Sala Redenção, que leva esse nome por estar localizada próximo ao parque homônimo, um dos cartões-postais da cidade. Ela fica no prédio do campus central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Segundo Tânia Cardoso de Cardoso, coordenadora e curadora da sala, a história do espaço se divide em três momentos: a compra de câmeras de projeção pelo ex-reitor Eliseu Paglioli, nos anos 1960; a inauguração de um espaço próprio para a exibição dos filmes, nos anos 1980; e a consolidação de uma programação fixa com curadoria, em 2009.

 

Interior da Sala Redenção. Foto: Pedro Nunes/ Beta Redação

Interior da Sala Redenção. Foto: Pedro Nunes/ Beta Redação

 

Os desafios de um cinema gratuito

Todos os filmes exibidos na Sala Redenção têm entrada gratuita. Mas como isso é possível? Segundo Tânia, a Sala faz parte do setor de Difusão Cultural da UFRGS, que tem como política oferecer para a comunidade interna e externa da universidade programas gratuitos ou, no máximo, com ingressos mediante troca de alimentos que são doados posteriormente. Durante muito tempo, por ser um projeto educativo e sem fins lucrativos, o setor pôde funcionar como uma espécie de cineclube, com parceiros que ajudavam na montagem da programação do cinema. Com algumas mudanças internas, a sala passou a contar com a ajuda de outros parceiros.

O Serviço Social do Comércio (Sesc), por exemplo, compra direitos de exibição de alguns filmes, mas não conta com espaços específicos para a exibição. Com isso, há uma relação de troca entre eles, com a UFRGS oferecendo a sala para projeção e o Sesc, os filmes. Além do Sesc, outros parceiros do cinema são o Instituto Goethe e a Embaixada Francesa, por exemplo. Alguns realizadores também entram em contato com a universidade para exibir seus filmes, antes ou no mesmo momento de exibição em salas comerciais, para atingir um outro público. “Vamos conquistando parceiros pela própria programação da sala e pelo perfil do público que frequenta o local”, diz Tânia.

A crise que afeta o país acabou fazendo com que os repasses de verba para a Sala diminuíssem. O jeito que os organizadores encontraram foi contatar mais produtores e realizadores audiovisuais para que a programação não seja interrompida. Essa não foi a primeira pedra no caminho da sala Redenção: no período de 2000 a meados de 2009, a Sala passou por dificuldades financeiras e, por isso, foi usada apenas como uma extensão da universidade, com filmes específicos exibidos por alguns professores. A reorganização só ocorreu no fim de 2009, quando voltou a ter coordenação e curadoria. “Nós devolvemos a Sala para Porto Alegre. Ela deixou de ser uma extensão de aula e voltou a ser uma sala de cinema com programação constante, com parcerias, mostras de cinema e filmes de circuito não comercial.”

Sendo uma sala sem fins lucrativos e com um espaço diferenciado, o local conta com uma programação que busca resgatar a história do cinema. Suas mostras costumam ser temáticas e trazem séries de filmes de diretores renomados, de movimentos cinematográficos e de vários países do mundo. “Investimos em uma programação formativa. O nosso público é formado geralmente por pessoas que estão pesquisando cinema, pessoas que estudam cinema ou são apaixonadas por cinema. É um espaço voltado para o cinema de arte”, diz a curadora. Um dos frequentadores da Sala de Redenção é Gilberto Juarez Mattos, de 63 anos. Ele afirma que gosta de ir na Redenção pela programação diferenciada: “Foi aqui que conheci os filmes de François Truffaut. Gosto porque aqui os diretores são valorizados, além de as sessões serem gratuitas”.

Além de Tânia, outra pessoa que é diretamente responsável pelas sessões de cinema na sala é o técnico em eletrônica Edgard Hildweim, de 56 anos. É ele quem faz a magia da Sala Redenção acontecer. Em um local apertado, Edgard opera os dois projetores disponíveis. Além de filmes em película, a sala de cinema exibe filmes em DVD e blu-ray. Segundo ele, já está em fase de pesquisa e licitação a digitalização completa do catálogo disponível na sala. Porém, devido à diminuição do repasse de verbas, não há previsão de isso ocorrer em um curto período de tempo.

 

SAIBA MAIS:

A Sala Redenção tem sessões de segunda a sexta, sempre às 16h e às 19h, com entrada franca.
Endereço: Av. Eng. Luiz Englert, s/n – Porto Alegre/RS
Confira a programação aqui.

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