Economia

Tesouro Direto proporciona lucro em longo prazo

Criado em 2002 pelo Governo Federal, compra de títulos públicos é considerado o investimento conservador mais rentável do momento

Com a o recebimento das contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS)  muitas pessoas não sabem o que fazer com esse dinheiro e nem onde aplica-lo. A aplicação mais popular para guardar dinheiro é o investimento em uma poupança. No entanto, existem outros recursos que podem ser uma melhor alternativa quando se pensa no futuro.

O Tesouro Direto é um programa do Tesouro Nacional desenvolvido em 2002 pelo Governo Federal em parceria com a BM&F Bovespa. Ele tem por objetivo vender títulos públicos federais para pessoas físicas, por meio da internet. Basicamente, você empresta seu dinheiro para o governo brasileiro e recebe no futuro o valor do empréstimo mais os juros sobre esse valor.

Títulos públicos federais são vendidos pela internet. Foto: Ellen Renner

Títulos públicos federais são vendidos pela internet. Foto: Ellen Renner

 

Para investir no Tesouro Direto basta o interessado abrir uma conta em uma das 68 empresas cadastradas. Contudo, é necessário avaliar quais oferecem o melhor serviço, pois a maioria delas não cobram taxa para administrar o dinheiro. Já outras chegam a cobrar até 2% ao ano.

O valor mínimo de cada compra é de R$ 30,00 e o máximo é de R$ 1 milhão por mês. É possível ainda escolher investimentos de curto, médio ou longo prazo. Dessa forma, o investidor escolhe títulos, com diferentes tipos de rentabilidade, vencimento e fluxos de remuneração, e escolhe o que melhor se aplica aos seus objetivos financeiros. O sítio do Tesouro Nacional ainda disponibiliza um questionário para que as pessoas interessadas saibam qual o melhor modelo a partir dos seus objetivos.

 

Fonte: Tesouro Direto

 

O programa oferece cinco tipos de títulos, divididos entre prefixados e os pós-fixados. No primeiro caso é possível saber exatamente o valor que será recebido no fim do investimento, acrescidos ou não de juros semestrais, ou seja, a taxa de rendimento é definida no momento da compra. Já nos pós-fixados, os títulos têm seus valores corrigidos pelas taxas básicas do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) ou pela inflação do Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), também com a opção de acréscimo de juros, de maneira que a rentabilidade da aplicação é composta pela taxa no momento da compra mais a variação de um dos indexadores.

 

Investidor pode escolher entre cinco modelos de investimento. Fonte: Tesouro Direto

Investidor pode escolher entre cinco modelos de investimento. Fonte: Tesouro Direto

 

No balanço de fevereiro de 2017, realizado pelo Tesouro Nacional, foi apontado que as vendas atingiram R$1.779,7 milhões e foi registrado R$ 900,6 milhões de resgates. Conforme o documento, os títulos mais demandados pelos investidores foram os indexados pelo IPCA, cuja participação de vendas atingiu 50,3%. Os prefixados correspondem a 23,3% do total e os indexados à taxa Selic, 26,6%.

Vale a pena investir?

Segundo o balanço divulgado, atualmente, o programa do governo possui 1.249.241 pessoas cadastradas e 441.969 investidores ativos, sendo 75,2% homens e 24,8% mulheres. A adesão maior é entre investidores de 26 a 35 anos.

Na opinião do economista Rogério Antonio Enderle, os investimentos no Tesouro Direto combinam com pessoas de perfil conservador. “Na prática, as pessoas têm a impressão de que investir na poupança seja a única opção de um perfil conservador. No entanto, os títulos públicos são promessas de pagamentos realizados numa data futura, ou seja, são tipos de notas promissórias com datas de vencimentos específicos, que irão render um valor fixo, durante determinado período de tempo, com baixos riscos”, explica.

Investidor há dois anos, Bruno Schumacher, analista de sistemas, 26 anos, viu no Tesouro a solução para adquirir maior lucro. Com cinco anos de aplicação na poupança e sem ver retorno financeiro, o jovem conheceu o programa. “Desde que comecei a trabalhar, guardo 20% dos meus ganhos. Sempre colocava na poupança, até que um dia meu chefe falou sobre o tesouro. Depois que comecei a pesquisar, pude perceber que estava perdendo dinheiro deixando minhas economias na poupança”, relata. Durante esse período aplicando no Tesouro, ele conta que seus investimentos já renderam aproximadamente 10 vezes o valor inicial.

Pensando em longo prazo, Bruno afirma que decidiu investir seu dinheiro no Tesouro para garantir sua previdência. Ele conta que sempre teve receio de no futuro não poder receber seus direitos e por isso fez todo um planejamento para ter uma renda quando estiver mais velho. A ideia dele é chegar aos 40 anos realizando aplicações na ordem de R$ 1 milhão, máximo permitido por mês para compra de títulos.

Sobre os riscos, Bruno acredita que para essa prática o perigo é baixo, mas existe. “Se o governo falir, não tem como pagar, e para isso acontecer o Brasil precisar quebrar. Acho difícil que isso aconteça”, declara. De acordo com economista Rogério, o rendimento é alto e garantido, comparado a outros tipos de investimentos, devido à taxa de inflação do período de aplicação e por estar vinculada à taxa de juros Selic.

A busca por uma maior rentabilidade também tem atraído novos investidores. De acordo com o balanço de fevereiro, foram mais de 50 mil novos cadastrados no programa. Recentemente, a estudante de Jornalismo Gabriela Stähler, aderiu ao Tesouro Direto, pois viu um vídeo publicado pelo canal Me poupe!, no YouTube.

Gabriela conta que ficou interessada na aplicação porque percebeu que o rendimento seria maior que o da poupança e, dessa forma, teria uma reserva maior para casos emergenciais e para cumprir seus objetivos em longo prazo. A primeira compra de títulos da estudante foi realizada em fevereiro deste ano. “Eu não tive receio de investir, pois pesquisei muito e esse é realmente um dos investimentos mais conservadores”, afirma.

Apesar do pouco tempo e do valor aplicado não ter ganho tanta força ainda, a jovem revela que já vê diferença entre o rendimento atual e o que tinha antes com a poupança. Ela relata que ele também é uma ótima opção para quem não quer que o dinheiro esteja a fácil acesso. A ideia de Gabriela é fazer compras mensais ao longo do ano.

Segurança e rendimento maior

Enquanto as poupanças têm possibilidade de rendimento a uma taxa de juros de 0,5% ao mês  e de 6,17% ano, no Tesouro Direto quanto maior a taxa de inflação e de juros, maior se torna o investimento. Atualmente, a taxa Selic está 12,15% ao ano e a inflação, medida pelo IPCA, em 4,76% no último ano.

De acordo com a Calculadora da Fortuna, disponibilizada pela Folha de S. Paulo, e acessada no dia 29 de março de 2017, a aplicação mais rentável segue sendo o Tesouro Nacional. De acordo com a Folha, para o cálculo, são considerados impostos, custos de transações e inflação.

Com um investimento inicial de R$ 1 mil e R$300 aplicados todos os meses, em dois anos, o investidor terá um retorno de mais de R$200, se comparado à poupança, conforme mostra a tabela abaixo.

Com a Calculadora, investidor pode comparar desempenho entre aplicações. Fonte: Folha de S. Paulo

Dessa forma, é possível comprovar que o investimento no Tesouro Direto pode vir a ser mais rentável que outras aplicações, como Letras de Crédito Imobiliário (LCI/LCA), Certificado de Depósito Bancário (CDB) e do FGTS.

Por ser um programa do Governo, o Tesouro também é apontado como um dos investimentos mais seguros do mercado.

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