Economia

Tele entrega x apps delivery: os nichos do mercado fast food

Em meios às inovações tecnológicas, os clientes têm a possibilidade de escolher como querem receber seu pedido

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Os lanches delivery fazem a cabeça dos consumidores. Foto: Natalie Siqueira

O lema do século XXI é a praticidade aliada à tecnologia, onde a possibilidade de realizar diversas atividades em apenas alguns cliques atrai consumidores. Para atender tais exigências, os aplicativos de comida delivery vêm se popularizando e ganhando utilizadores cada vez mais assíduos. No litoral norte gaúcho, a tecnologia chega a passos lentos à medida que as tele-entregas ainda são a preferência do mercado.

De acordo com Fabrício de Souza Pereira, formado em administração, os aplicativos de comida delivery são bons pela praticidade, mas a contrapartida são os responsáveis diretos pelo desemprego de atendentes. “Os apps acarretam mais custos para os estabelecimentos, além de gerar um índice de pessoas desempregadas, embora ofertem inovação”, avalia o administrador. A avaliação do especialista está baseada em aplicativos mais consolidados como o iFood criado em 2011, e hoje ativo em 15 estados do Brasil, além de países como o México, Colômbia e Argentina. Cerca de 2,1 milhão de pedidos são registrados por mês, o que seria o equivalente a um pedido por minuto, concedendo ao app o título de mais requisitado pelos usuários com fome.

No Litoral Norte do Rio Grande do Sul, os apps de comida estão sendo implantados aos poucos. Ativo desde agosto de 2016, o aplicativo Faminto vem buscando seu espaço no mercado. O app atende os municípios de Capão da Canoa e Xangri-Lá, tendo como meta expandir seus serviços para todo o litoral.

O Faminto trata-se de um serviço de pedidos online, que qualquer pessoa pode utilizar através de seu smartphone, tablet, notebook ou desktop. Ele permite aos usuários pedir suas refeições favoritas sem sair de casa ou precisar fazer uso do telefone. Tudo isso de forma gratuita.

Para utilizar o app basta fazer cadastro e baixá-lo no seu celular ou pelo site do Faminto. É possível fazer login usando sua conta do Facebook, o que facilita ainda mais o processo. O usuário cadastra os endereços onde gostaria de receber seu pedido e na finalização da compra escolhe o local de recebimento.

Em alguns instantes, o estabelecimento parceiro é notificado com todas as informações do seu pedido além de endereço. Após o pedido ser efetuado, o cliente recebe um aviso, ficando a par do andamento da sua refeição. Por fim, depois de tudo entregue o usuário recebe a última mensagem para avaliação do estabelecimento, o que garante a eficiência em longo prazo da plataforma.

Uma das idealizadoras do aplicativo, Marcela Santos, revela que o app foi desenvolvido para atender uma demanda existente na região do Litoral Norte. Segundo ela, o Faminto surgiu inspirado em outros apps consolidados na capital gaúcha.

O app Faminto aposta no marketing para atrair clientes. Foto: Fanpage do app

O app Faminto aposta no marketing para atrair clientes. Foto: Fanpage do app

Porém, mesmo com esta opção de serviço, o delivery via telefone ainda mantém fiéis utilizadores na região. Fabrício observa a presença dos aplicativos no litoral com certa resistência em se consolidar. “Aqui no litoral, a maioria dos comércios opta pelo sistema de tele-entrega convencional, embora alguns já estejam adentrando nesse novo segmento”, explana.

Em contrapartida, o nicho dos tradicionais pedidos por telefone continua muito procurado nos bares e restaurantes do litoral. Segundo o proprietário do Pimenta Gourmet, Marcelo Ramos, desde que abriu o estabelecimento há nove anos, oferece os serviços de tele-entrega, pois a demanda é intensa. “Os clientes querem esse contato pessoal, falar comigo pelo telefone e receber o pedido através do motoboy de sempre”, revela Ramos.

Marcelo recebeu propostas para cadastrar sua pastelaria em aplicativos neste ano, mas optou por continuar com as tele-entregas, observando a preferência de seus clientes. O empresário possui três motoboys fixos e alguns extras em dias de grande movimento. Atualmente, cerca de 50 pedidos são atendidos diariamente.

Pimenta Gourmet mantém ativo o sistema de tele entrega convencional. Foto: Júlia Bozzetto

Pimenta Gourmet mantém ativo o sistema de tele entrega convencional. Foto: Júlia Bozzetto

O jornalista Bernardo Zamperetti conta que quando residia em Santa Maria, na época da faculdade, fazia uso dos aplicativos delivery, motivado pela facilidade. “Desde que retornei a Capão da Canoa nunca mais usei, pois aqui há certa resistência às tecnologias dos grandes centros metropolitanos”, relata Zamperetti.

Outros estabelecimentos bem conhecidos no município de Capão da Canoa, como o Raupp’s e o Xis do Fofo mantém ativo o sistema de tele-entrega convencional, mas também estão presentes no universo dos apps. Ambos fazem parte dos estabelecimentos disponíveis no Faminto. Para os donos, a estratégia é fundamental para ofertar a possibilidade de escolha do serviço para os clientes.

Motoboys se firmam cada vez mais. Foto: Carlos Eduardo

Motoboys se firmam cada vez mais. Foto: Carlos Eduardo

Conforme a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-RS), através de pesquisa realizada em parceria com a Fispal Food Service a respeito da conjuntura econômica do setor de alimentação fora do lar, tanto em estabelecimentos que utilizam os serviços de aplicativo ou optam pelo serviço de entregas convencional, no primeiro trimestre de 2017 ficou comprovado que o otimismo do empresariado esfriou um pouco, na medida em que a previsão do crescimento real do faturamento foi reduzida de 3,43% para 2,47%. Porém, a boa notícia é que metade dos empresários continua achando que vão finalizar 2017 com aumento no faturamento. Contudo, o que se conclui de fato é que seja via tele-entrega ou aplicativo, uma coisa é certa, a praticidade é o lema do mercado de fast food e a satisfação dos consumidores é o mais importante.

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