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Tecnologia para salvar vidas

Aplicativos integram informações de hemocentros e incetivam doação de sangue

Amanda Moura e Pedro Kobielski

No dia 14 de junho, é celebrado o Dia Nacional do Doador de Sangue.

Apesar de o Brasil ser um dos países que mais coleta sangue na América Latina, de acordo com a OMS, os índices percentuais de doadores ainda estão abaixo do considerado ideal pela ONU – menos de 2%. Para superar essa dificuldade e incentivar a criação de uma rede de doadores, desenvolvedores de tecnologia e grupos de voluntários têm se mobilizado pela causa, com a criação de aplicativos e fóruns de doadores pra otimizar o sistema de doações voluntárias.

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Esse é o caso, por exemplo, do Hemotify, aplicativo criado por alunos da Universidade Federal de Santa Maria em 2016. Desenvolvido em uma startup da Incubadora Tecnológica da UFSM, o programa aposta na praticidade da conexão com o Facebook, criando um sistema que indica quais pontos de coleta estão com déficit de sangue e qual tipo sanguíneo está em maior necessidade.

Fluxograma do app Hemotify

Fluxograma do app Hemotify

“A ideia surgiu durante uma conversa entre os fundadores do Hemotify”, conta Gabriel Branco, Diretor de Marketing da iniciativa. “Temos um amigo em comum que possui uma condição rara de sangue humano. Trata-se do Falso O, ou Fenótipo Bombaim. Quem possui o Falso O só pode receber sangue de outra pessoa que tenha o mesmo fenótipo, e apenas 1% da população possui”. Gabriel e os demais colegas partiram desse princípio para identificar um grave problema de informação nos dados de doadores de sangue no país:

“Nos questionamos: Como alguém que tenha este fenótipo faria para encontrar outra pessoa que também o tenha, caso necessitasse receber sangue?, e descobrimos que o sistema de hemocentros públicos e privados não possui um registro nacional de doadores, de forma interconectada.”

Outra questão que motivou Branco e seus colegas foi a dificuldade que os hemocentros encontram nas estações mais frias do ano. Não por acaso, uma das cidades mais frias do país tem, desde o ano passado, uma iniciativa semelhante. Criado pelo Instituto das Cidades Inteligentes (ICI), de Curitiba, o Hemogram tem uma proposta muito semelhante a do Hemotify, conectando os usuários pelo Facebook, e indicando aos voluntários quais hemocentros possuem maior demanda.

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Tela de abertura do app Hemogram

Amilto Francisquevis, assessor de mercado do ICI, relata que o banco de dados do Hemogram ajuda a gerenciar o sistema de doações. “Os aplicativos proporcionam uma interação imediata com os doadores e fazem uma gestão das informações mais importantes do doador. Entre elas, podemos citar o controle das solicitações de determinados tipos sanguíneos, o próprio doador pode fazer a solicitação para entes próximos, manutenção dos registros das doações”, explica. O fato é ressaltado por Gabriel Branco. “A falta de estoque de sangue nos hemocentros acarreta em várias complicações, chegando a ter cirurgias eletivas, aquelas que são marcadas com antecedência, canceladas nos hospitais. A demanda por sangue é diária, e é necessário que a população saiba disso“, explica.

Os aplicativos, que surgiram no ano passado, ainda engatinham no Brasil. O Hemotify possui 2002 usuários ativos, e o Hemogram 251. Apesar do número ainda reduzido de usuários, algumas pessoas louvam a iniciativa, e relatam inclusive ter doado graças ao “empurrãozinho” do aplicativo.

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Imagem de Alexandre Dall”oglio durante sua doação. Foto: Hemotify.

É o caso de Alexandre Dall”oglio, morador de Santa Maria, cidade dos criadores do Hemotify. “Eu conheci numa reunião do clube um dos fundadores do app e ele me apresentou“, conta. O estudante acredita que o aplicativo possa motivar pessoas mais jovens, que não são os principais doadores no país, a fazê-lo. “Antes eu até já tinha ideia de doar sangue, mas pelo aplicativo deu aquele empurrãozinho que precisava“, diz.

Fato é que os desenvolvedores do Hemotify e do Hemogram acreditam no programa como um agente motivador da solidariedade. “Os apps e plataformas de doação de sangue tem grande importância, pois fortalece a cultura de doação de sangue e ajuda os hemocentros a não terem períodos onde há pouca doação”, afirma Gabriel Branco. Francisquevis complementa: “Os aplicativos proporcionam a formação de redes de solidariedade humana na doação de sangue. É com certeza um grande aliado da vida”.

O Hemotify e o Hemogram podem ser adquiridos via Play Store. Os apps são gratuitos e utilizam os dados do Facebook.

A colaboração também está nas redes

As redes sociais também são grandes aliadas para incentivar e mobilizar as doações de sangue. Os pedidos de quem precisa das doações através do Facebook e grupos no WhatsApp sensibilizam, multiplicam e tornam maior o alcance de candidatos. Além de trazer a necessidade para o cotidiano das pessoas, as redes engajam que apoia a causa.

Laura Coelho, 30 anos, conseguiu doações através do Facebook e grupo no WhatsApp para a sogra que sofre com o câncer. “Mobilizamos grupos de amigos de amigos e conseguimos mais de 70 doações. Ela estava muito fraca e já anêmica, a comoção das pessoas pelas redes e a facilidade do ‘Whats’ foi essencial para levarmos todos para o banco de sangue da PUC”, conta Laura.

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Além de mobilizar amigos e conhecidos, Laura também fez a doação

Em Canoas, o Hospital Universitário (HU) recebe doações de todas as segundas-feiras e realiza a distribuição do banco também para o Hospital Nossa Senhora das Graças, Hospital Pronto Socorro e Hospital de Aeronáutica.

Conforme o diretor Assistencial do HU, Gustavo Correa, toda a semana a instituição recebe cerca de 50 doações de pessoas com familiares ou amigos que necessitam e, principalmente, de voluntários que chegam ali através das redes sociais. “A mobilização nas redes sociais é muito forte. Recebemos doadores através de grupos organizados por vereadores da cidade e, também, pelas redes do hospital, que divulga as atividades do banco”, destaca Correa. 

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