Esporte

Tecido Acrobático: arte circense e condicionamento físico

Conheça a modalidade que tem se tornado cada vez mais popular

Dançar nas alturas e desafiar a gravidade ao som da música. O tecido acrobático é originalmente uma técnica circense, mas recentemente ganha destaque em ambientes mais usuais. Hoje, essa atividade é uma alternativa lúdica às tradicionais academias. Nessa modalidade, elementos do circo e da dança se encontram nas alturas, promovendo o fortalecimento físico e o bem-estar psicológico.

“A gente descobre muita coisa do nosso corpo.” Afirma Natália Monteiro, de 18 anos. Há quatro meses ela pratica tecido acrobático como forma de complementar sua formação como atriz. Ela se diz surpreendida pela modalidade e desconstrói o senso comum sobre os padrões físicos que a atividade supostamente exigiria. “As pessoas dizem que isso é pra quem é magrinha, pra quem não tem corpo. Mas eu tô aí, tenho coxa, tenho bunda. Tu me viu ali, eu me pendurei, me segurei lá em cima porque tenho coxa. Então assim, tecido é pra qualquer corpo, é pra todo mundo.”

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(Foto: Fernanda Bierhals/Beta Redação)

Natália pratica no Anexo Azul Anil, um espaço onde se desenvolve a prática do Tecido Acrobático e outras modalidades circenses. A proprietária Paula Pozzan Garcia, 25, conta que a formalização desse ambiente surgiu para atender a demanda.

“Anexo Azul Anil surgiu há aproximadamente um ano e nasceu de uma escola de artes para crianças que Paula tinha com uma sócia. Nessa escola, chamada Azul Anil, o tecido começou a ser acrescentado no dia a dia das crianças, onde elas faziam pinturas e desenhos utilizando o tecido. Em seguida a procura cresceu, não só par aos baixinhos mas para todas as idades. E então surgiu o Anexo, que é um lugar voltado principalmente para adultos praticarem essas atividades”.

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(Foto: Fernanda Bierhals/Beta Redação)

Atualmente, o Anexo Azul Anil funciona nos três turnos: manhã, tarde e noite. São 5 professores que acompanham as turmas, compostas por no máximo 10 alunos. A idade dos praticantes é bem variada. Paula conta que já teve alunos de três anos de idade, mas no Anexo é possível inscrever crianças a partir dos seis anos.

A demanda é relevante. Segundo Paula, o motivo é o diferencial da prática “Acredito que tem uma onda de vida mais saudável, de cuidar do corpo, enfim. E acredito que academia seja uma modalidade que não agrada todo mundo. O que eu mais vejo aqui no pessoal é isso: gente que gostaria de fazer uma atividade física por causa questão de saúde, de prazer, de lazer, e que queria algo diferente.”

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(Foto: acervo pessoal de Paula Pozzan Garcia/Reprodução)

Ao observar uma aula ou apresentação de tecido acrobático, é fácil perceber os benefícios que essa prática pode agregar no condicionamento físico. A tonificação dos membros superiores e inferiores é um resultado do esforço dos acrobatas. Mas, mais importante do que esses resultados estéticos, é a consciência corporal que o tecido promove nos praticantes. A flexibilidade é necessária e alcançada através de alongamentos no solo e no ar. E é assim que os alunos e artistas que trabalham no tecido aos poucos vão conhecendo cada detalhe de seus corpos.

“Eu queria algo que envolvesse o corpo de uma outra forma” explica Vitória Fedrizzi, 23 anos. A professora buscava uma atividade física que proporcionasse mais energia na sua rotina, mas que não fosse usual. “Queria uma coisa que fizesse eu trabalhar meu corpo de uma forma diferente. Que me trouxesse consciência corporal e foi por isso que eu procurei o Tecido.”

Ainda na sua segunda aula, Vitória já se arrisca em acrobacias e, durante o descanso no solo, permanece treinando ganchos. Segundo ela, o corpo sente uma dificuldade de adaptação à força, mas logo o desconforto é substituído por uma sensação única: “O tecido é uma coisa leve. O pano em si, é isso. E é a sensação que tenho quando saio daqui: leve”.

No vídeo, Vitória treina o gancho:

 

Existem centenas de acrobacias possíveis no tecido. Paula informa que existem alguns clássicos e tradicionais, que podem ser encontrados em todos os cantos do mundo. Porém, as possibilidades parecem infinitas: um pé ou gancho noutro lugar, uma ressalva no desequilíbrio, um improviso na queda. Quando não coreografados, os movimentos podem ser descobertos ao longo da interação entre o artista e a ferramenta, desde que com segurança.

Julia Emerin, 25 anos é instrutora no Anexo e diz que a paixão surgiu ainda na infância, quando um professor apresentou a modalidade na escola. Ela também se apresenta em bares temáticos de Porto Alegre e diz que na modalidade, ela encontra um relaxamento terapêutico. “Faço para me fazer feliz e trazer alegria às outras pessoas também.

É tênue a linha que divide essa atividade física da arte circense. Porém, o Tecido Acrobático é amplo o suficiente para suprir esses dois anseios de quem o pratica. “Quem vem e procura arte, vai encontrar arte. Quem procura só um esporte, um benefício físico de saúde, vai encontrar isso também. Vai muito do que cada um busca”.

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(Foto: Fernanda Bierhals/Beta Redação)

Para alguns, relaxamento, arte, flexibilidade. Algo diferente, fora da caixinha. Para outros, superação. Afinal, não é todo mundo que relaxa e se concentra pendurado a cinco metros de altura.

Esse é o comprimento aproximado dos tecidos no Anexo Azul Anil. Segundo a proprietária, não existe uma medida exata, o padrão universal das escolas tende a variar entre 5 e 10. “No circo pode chegar até 20 metros. Essa altura é importante para as ‘quedas’”, explica Paula.

Não se apavorem: quedas são truques acrobáticos. Os artistas chegam ao topo do tecido e se deixam desenrolar ao longo do comprimento do pano, que pode ser de Liganete, Viscolycra ou Jersey, como os utilizados no Anexo. E, para segurar, os artistas disponibilizam de aproximadamente um metro e meio de largura em tecido, medida básica para garantir ganchos e nós.

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(Foto: Fernanda Bierhals/Beta Redação)

A gravidade continua sendo uma força misteriosa que age na natureza. Mas, nessa pratica, a ela é relativa. O peso e a leveza são subjetividades de cada um dos acrobatas, que se divertem e se superam acima de nós. Quem nunca assistiu à modalidade, deve procurar a oportunidade e se surpreender. São centenas de palavras que não descrevem o verdadeiro desafio contra uma lei física tão óbvia.

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