Economia

Tapumes ecológicos: a sustentabilidade dá negócio

Sérgio Henrique Rodrigues, criador da Lamiplast e das chapas ecológicas, conta como inovou no mercado

Sérgio Rodrigues produz chapas feitas de material 100% reciclável (Foto: Thais Montin)

 

Dos 65 anos vividos por Sérgio Rodrigues, 50 foram na indústria do plástico. Desde os 15 anos, já operava máquinas para ajudar a mãe e os irmãos. Dessa época, vem seu conhecimento de engenharia, que já rendeu empregos em diversas empresas até a criação da sua. É Sérgio que, sozinho, projeta as máquinas que dão corpo para suas ideias. Atualmente, com a Lamiplast, seu maior objetivo é inovar com sustentabilidade e fazer da ecologia um bom negócio.

 

Como começou sua relação com a indústria do plástico?

Meu pai faleceu quando eu era ainda muito jovem, então tive que largar os estudos para ir trabalhar com 15 anos. A indústria, naquela época, era o lugar mais fácil de se empregar. Eu morava em Cachoeirinha e ia todos os dias para Porto Alegre, trabalhava como varredor em uma fábrica de sacolas. Depois quando maior, comecei a operar máquinas e aprender como elas funcionavam. Eu nem tenho faculdade, tudo que faço hoje vem do que aprendi na prática. Já trabalhei em umas cinco empresas diferentes e já tive a minha fábrica de sacolas plásticas, que fechou na época do governo Collor.

Quando decidiu voltar a investir nesse mercado?

Nunca parei de inventar e trabalhar com plástico, na verdade. Mas minha empresa nova, a Lamiplast, começou há mais ou menos dez anos. A primeira máquina que fiz foi no fundo do quintal da casa que moro atualmente. Demoramos um pouco para engrenar, como acho que qualquer negócio demora, mas hoje, já temos nossa sede própria em Glorinha, o que é muito mais prático.

Como veio a ideia dos tapumes sustentáveis e de sua produção?

Sempre observei a dificuldade que as pessoas tinham para reaproveitar certos tipos de plástico, como os revestidos com pó de alumínio, e pensava no que eu poderia fazer para ajudar a resolver isso. Aí vim com a ideia das chapas e comecei a desenhar máquinas para fazê-las. Minha mulher diz que eu tenho uma inspiração, a coisa vem na minha cabeça e eu faço. Achei que essa ideia unia o útil ao agradável: os compensados tradicionais duram muito pouco nas obras, e não podem ser reutilizados. As chapas ecológicas são feitas 100% com plástico reciclável – além de fazerem um bem pro meio ambiente, ficam mais bonitas, são bem mais práticas, e têm uma vida útil prolongada.

Com quantos funcionários a empresa conta atualmente?

Hoje somos eu, meus dois filhos, minha nora e mais um rapaz que contratei há pouco para nos ajudar com a máquina. Eu, ele e meu filho mais velho cuidamos da produção, meu filho mais novo faz a logística e minha nora cuida das vendas.

Quais são os principais compradores? Como funciona seu processo até chegar a eles?

Nós vendemos diretamente para construtoras e para lojas grandes de materiais de construção, como a Redemac. Produzimos por encomenda: os clientes nos passam quantas chapas precisam, nós fazemos e entregamos diretamente. É uma linha de produção bem pequena por enquanto, mas as vendas vão muito bem, já estamos pensando em expandir.

Quais as perspectivas para o futuro da empresa?

Eu vejo que nos próximos anos vamos crescer muito, junto com essa onda importante de sustentabilidade que tomou conta do mercado. Já estou fazendo planos para levar as chapas a outros estados e tornar a marca nacional. Também tenho ideias para adicionar outros produtos no nosso portfólio, o que ainda anda difícil por causa do tamanho reduzido da empresa. Mas estamos na caminho certo!

Você se considera uma pessoa inovadora?

Eu me considero inovador sim. Acho que hoje em dia, se a gente não faz algo novo, não tem uma coisa diferente pra oferecer, a gente não sobrevive como empresa. Alguém vai lá e toma nosso lugar.

Qual a importância de fortalecer a indústria sustentável, na sua opinião?

É muito importante fortalecer esse conceito, pois precisamos entender que a natureza se esgota sim, não é algo que está ali para sempre para usarmos como bem entendermos. Acho que temos que pensar muito mais nesse conceito do que estamos pensando agora. A reciclagem, a sustentabilidade, são fundamentais para tentar minimizar os estragos que o homem já causou ao meio ambiente. Gosto de pensar que faço parte disso.

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