Esporte

Taekwondo nas escolas de Sapiranga

Projeto Taekwondo Educando para a Vida busca promover mudança social através do esporte

Treino no Escola Municipal Érico Veríssimo. Foto: Roberto Caloni/Beta Redação

Treino no Escola Municipal Érico Veríssimo. Foto: Roberto Caloni/Beta Redação.

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Em 2012, o policial militar Miguel José Constante teve a ideia de ensinar Taekwondo em uma das escolas municipais da cidade. Além de promover o esporte, ele queria combater a criminalidade de uma outra maneira. “Quando comecei a trabalhar em Sapiranga, percebi que tinham muitas crianças envolvidas com tráfico (de drogas) e com roubos. Há quatro anos tive essa ideia, de colocar o Taekwondo nos bairros que mais precisavam e mostrar um caminho diferente”, lembra Constante.

“Além das técnicas, nós ensinamos os princípios do Taekwondo, que são: cortesia, integridade, perseverança, auto controle e o espírito indomável”, Miguel José Constante

Sem patrocínio ou apoio do governo (tanto municipal, estadual ou federal), o projeto funciona de forma voluntária. “Tiramos do nosso próprio bolso. As escolas nos oferecem o espaço e nós levamos alguns equipamentos”, comenta Miguel.

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Miguel Constante, coordenador do projeto. Foto: Roberto Caloni/Beta Redação

Miguel Constante, coordenador do projeto. Foto: Roberto Caloni/Beta Redação.

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A primeira escola onde o projeto foi implementado foi a Escola Municipal de Ensino Fundamental Rubaldo Emilio Saenger , porém, hoje não há mais treinos na escola. “Como sou policial militar, e o bairro onde a escola fica era uma região de muito tráfico, acabamos tendo alguns problemas e resolvemos mudar  para outras escolas”,  Miguel. Hoje, as escolas participantes são: Escola Estadual de 1º Grau Prof Nena-Ciep e a Escola Municipal de Ensino Fundamental Ayrton Senna (ambas no bairro Amaral Ribeiro) e a Escola Municipal Érico Veríssimo (bairro Oeste).

Não objetivando o lucro, as aulas são dadas de forma gratuita para estudantes das escolas. Para participar, os pais do aluno devem assinar um termo de autorização e indicar se o filho possui ou não algum problema de saúde. Os horários dos treinos variam de escola para escola, mas sempre em um turno diferente do horário das aulas. O professor Telmo Favin, 55 anos, também destaca a importância de ir bem nos estudos. “Olho o boletim de todos os meus alunos, se um deles for mal, dou uma suspensão de 15 dias. Caso o aluno não melhore as notas, ele não poderá mais participar da atividade”, salienta Favin.

Hoje o projeto conta com três professores e dois alunos que ajudam a dar as aulas nas escolas e também na academia Constante TKD, atendendo mais de 200 jovens.

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Escola Érico Veríssimo

Há dois meses, a rotina da Escola Municipal Érico Veríssimo  mudou. Os sábados, que antes não recebiam a visita de crianças, passaram a ser movimentados. O motivo, as aulas de Taekwondo. Das 9h às 10h30, cerca de 30 crianças treinam o esporte no ginásio do colégio.

Kayron Sanches, 7 anos, fica atento em cada uma das instruções que o professor dá.  “Prometo nunca fazer mal uso do Taekwondo”, ele e as outras crianças repetem o juramento, que é lembrado durante toda a aula. O pai de Kayron, Vaini Sanches, 44 anos, tentou colocar o filho em uma academia particular, mas ele não foi aceito. “Falaram que ele era muito novo para treinar na academia, por meio dos professores descobri do projeto e coloquei ele”, comenta. Para o pai, esporte é uma maneira para deixa-las longe das drogas. “É uma forma saudável para ele ficar ocupado e aprender mais sobre respeito e comunidade”. O pai também destaca que está sempre presente. “Isso dá mais confiança para meu filho e ele percebe que estou sempre do lado dele”.

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Telmo Favin, faixa preta 1º dan, é o instrutor que ministra a atividade no colégio. Ele, que é mecânico, ensina o esporte por paixão. “Gosto de ensinar os princípios do esporte e as técnicas”, comenta. Para Telmo, a melhor briga é aquela que não acontece. Esse ensinamento é passado para as crianças através de conversas e orientações.

Além de estar atento das técnicas que ensina, Telmo presta atenção também na saúde dos alunos. “Esses dias, na outra escola que temos o projeto, uma das alunas não estava conseguindo fazer um dos movimentos mesmo tentando várias vezes. Percebi que ela poderia ter algum problema de coluna e a encaminhamos para uma de nossas parceiras, que é fisioterapeuta”, lembra.

Ao final do treino, Telmo destina um tempo para as crianças comentarem sobre o treino e sobre a rotina delas fora dali. “Eles nos veem(os professores) como conselheiros e, geralmente, nos contam coisas que não comentam em casa”.

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Formando Educadores

Em dezembro de 2015, foi aberta a academia Constante TKD, no bairro Sete de Setembro, sendo hoje a sede do projeto. “Tudo parte daqui”, comenta Constante. O objetivo da academia é formar educadores para ajudar no projeto. “Além de ensinar o Taekwondo, queremos formar multiplicadores que nós ajudem a transformar nossa sociedade”.

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Treino na Academia Constante TKD. Foto: Roberto Caloni/Beta Redação

Treino na Academia Constante TKD. Foto: Roberto Caloni/Beta Redação.

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Na sede, as aulas são dadas de segundas a sábado, folgando apenas as sextas-feiras. Quem treina na academia contribui com 30 reais para ajudar com os custos de aluguel, luz, água, e compra de novos equipamentos.

Amanda da Luz, de 15 anos, treina todos os dias na academia e começou por indicação de um amigo. Ela começou a praticar Taekwondo, pois queria perder peso. “Comecei porque queria emagrecer, gostei e agora quero continuar treinando”, comenta.

A Academia Constante TKD se tornou campeã no 33º Campeonato Brasileiro de Taekwondo que ocorreu este ano. Dos 16 atletas da academia que participaram, 10 foram campeões em suas categorias. “Eles nos dão orgulho” comenta Telmo Favin.

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Novos caminhos

Para tornar o projeto sustentável, Miguel Constante formou a Associação Desporto Cultural Constante Taekwondo/ Hapkido Clube Sapiranga. O objetivo é ter o registro da associação para tentar participar de projetos sociais do Governo que incentivam o esporte. “Conseguindo esse apoio, poderemos cobrir todos os custos e pagar os professores, podendo ampliar ainda mais o projeto”, comenta

Como próximos passos, Miguel destaca que nesta semana começam as atividades na Escola Estadual de Ensino Fundamental Pedro Lenz, e que querem implementar o projeto também no bairro São Luiz, que apresenta altos índices de criminalidade.

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