Economia

Tá tudo caro: comer na Unisinos é um luxo para poucos

Crise e inflação afetam alimentação no campus

Que a crise pegou todo mundo desprevenido, isso é fato. Mas para quem vive a realidade de gastos com a universidade, somar custos de alimentação e transporte à mensalidade pode ser tornar uma grande dor de cabeça. Com a diminuição de empregos e os aumentos contínuos de produtos básicos da mesa do brasileiro, acabou se tornando comum ver alunos dentro do campus da Unisinos com marmitinha que trouxeram de casa.

Leonardo Machado, estudante de Jornalismo, já tem por hábito trazer de casa o lanche que vai matar a fome do intervalo. “Muitas vezes opto por comer só em casa porque não tenho dinheiro para comprar lanche dentro do campus, é muito caro”, comenta.

Na outra ponta, os comerciantes responsáveis pelos estabelecimentos dentro da universidade tentam se esforçar para que o aumento dos preços não espante os clientes. “Do ano passado para cá, percebi uma redução de 30% da clientela. Sem falar que nesses 22 anos que trabalho aqui dentro nunca tinha visto fila para esquentar as marmitinhas, como vi neste semestre”, conta o gerente do restaurante Fratello, Gilnei Freitas.

Freitas salienta que os gastos com pessoal precisaram ser reduzidos. De 28 funcionários em 2015, somente 17 permaneceram no restaurante. “No ano passado seguramos o reajuste para que não pesasse no bolso do aluno. Neste ano, nem o pão de queijo, o mais barato da tabela, fugiu do aumento”, diz o gerente. Quem também sentiu no bolso essa mudança foi a aluna de Comunicação Digital Francine Luedke, que mesmo não tendo vivido os anos de ouro do famoso pão de queijo da Fratello, que custava R$ 3,90, reclama que até o café foi reduzido. “Penso bem antes de comprar um café, ou algo para comer, porque muitas vezes não é só o preço o problema, mas a quantidade. É tão pouco que muitas vezes não compensa”, afirma a estudante. Francine conta que o hábito de tomar um cappuccino antes da aula teve de ser abolido. “Tive que parar de tomar café todos os dias, porque pagar R$ 4 reais só com a bebida ficou pesado para o meu bolso”, finaliza.

 

Nem o pão de queijo escapou do reajuste. Acabou ficando assim, abandonado no balcão. / Foto: Virginia Machado

Nem o pão de queijo escapou do reajuste. Acabou ficando assim, abandonado no balcão. Foto: Virginia Machado/Beta Redação

 

Mesmo com a crise, a lancheria Taberna do DCE mantém um público um pouco maior do que o restante dos comércios no campus. Com cerca de dois anos de funcionamento, a Taberna possui um contrato com o Diretório Central dos Estudantes, que, além de ser o recebedor do aluguel, estipulou uma cláusula pela qual o estabelecimento deve operar com o valor mais baixo da Unisinos. “Sempre reajustamos os preços no início do ano. O que aconteceu no ano passado e vai acontecer novamente é que ficamos no vermelho nos últimos meses, pois até a quantidade de estudantes circulando diminui”, comenta Catiana de Oliveira, proprietária da lancheira. Ela ainda salienta que o sucesso do Taberna se deve à qualidade do que é vendido, que muitas vezes pesa mais na decisão do que o próprio preço. Além disso, a lancheria disponibiliza opções de compra conjunta, os chamados “combos”, onde o preço da bebida normalmente fica em menos de R$ 2. “Optamos por comprar de marcas mais acessíveis para que os alunos não deixem de tomar o refrigerante que queiram, mas que paguem menos por isso. Vendemos a mesma coisa que no ano passado, em se tratando de valores, mas ainda estamos com dificuldades de balancear os ajustes da inflação com o preço de nossos produtos”, explica Catiana.

Barato ou caro, no bolso do estudante sempre pesa a decisão de matar a fome durante a aula ou esperar chegar em casa. Muitas das opções acabam sendo os lanches mais acessíveis, para que nem a barriga, nem o bolso, reclamem tanto da famigerada crise.

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