Esporte

Solidariedade e desenvolvimento através do boxe

Projeto social propociona oportunidades por meio do esporte em Viamão

A primeira medalha de ouro das Olimpíadas do Rio 2016 veio do suor de uma menina da Cidade de Deus, comunidade do Rio de Janeiro, Rafaela Silva. A judoca descobriu o talento para o esporte em um projeto social do Instituto Reação, do ex-judoca Flávio Canto. Muitos atletas são descobertos assim, desenvolvem-se no esporte com a ajuda de projetos que lhes proporcionam integração e oportunidades.

Em Viamão, cidade da Região Metropolitana de Porto Alegre, há quatro anos o projeto Luta e Solidariedade ensina boxe para jovens e adultos da Vila Santa Isabel. Em um pequeno ginásio, cerca de 20 pessoas, entre crianças e adultos, em turnos e dias alternados, aprendem e praticam o boxe. O projeto foi idealizado pelos professores de Relações Internacionais Bruno Rocha, da Unisinos, e Cristian Salaini, da ESPM Sul. Os dois mantêm a iniciativa, que busca, muito além da questão esportiva, uma forma de desenvolvimento social.

 

Mural no ginásio do projeto Luta e Solidariedade

Mural no ginásio do projeto Luta e Solidariedade. Foto: Nathalia Amaral/Beta Redação

 

Inspirados pelo estilo afro-americano, os dois ensinam boxe e também mostram um  pouco da cultura negra, que é muito ligada ao esporte. “Além da questão esportiva, existem as questões culturais muito presentes. Nos EUA eles aprendem o boxe no bairro, com os amigos e familiares. Esse estilo que nós ensinamos aqui é o 52 blocks, que surgiu entre os moradores negros no Bronx”, explica Bruno. O aspecto social está sempre presente e existe apoio para que os jovens se mantenham focados. “Nós temos que lidar com muitas questões aqui, é complicado manter o foco, todos têm problemas na vida. Mas nós tentamos ajudá-los da melhor maneira”, comenta.

 

Heróis do boxe brasileiro

Heróis do boxe brasileiro são homenageados nas paredes. Foto: Nathalia Amaral/Beta Redação

 

Nas paredes do ginásio, há fotografias de grandes boxeadores da história do país e do mundo. Inspirações para quem ensina e para quem aprende. Também há fotos dos homens responsáveis por ensinar o estilo 52 blocks: Daniel Marks e Big K, americanos que difundem o estilo. O projeto é mantido com recursos próprios dos professores.

O Luta e Solidariedade se tornou a saída para um jovem boxeador que havia parado de lutar: Jeferson Aguiar, de 23 anos. Nascido em Alvorada, também na Região Metropolitana, Jeferson se mudou com a família para Viamão aos cinco anos. Aos 14, começou a lutar muay thai em uma academia próxima de onde morava. Saiu de casa aos 15 anos e conheceu o boxe em uma academia chamada Porão da Luta, onde também treinou jiu jitsu e kickboxing. Limpava a academia para pagar o treinamento, pois não tinha condições de bancar os custos, mas acabou desistindo e largando as lutas.

 

Foto Nathalia Amaral / Jeferson Aguiar

O boxeador Jeferson Aguiar. Foto: Nathalia Amaral/Beta Redação

 

Em 2011, Jeferson conheceu o projeto Luta e Solidariedade, que ficava perto da casa que alugava e não tinha custo algum, já que é gratuito. Começou a treinar e se dedicar ao boxe no final de 2011 e lutou todo o ano de 2012, mas acabou saindo porque ganhou peso. Em 2015, o professor Bruno permitiu que Jeferson morasse na casa que fica junto ao ginásio, e o jovem voltou aos treinos. “Nos outros lugares que treinei não sentia que queriam o meu desenvolvimento. Aqui, é pelo meu crescimento. Se não fosse o projeto eu não voltaria a treinar e a lutar”, conta.

 

Foto: Nathalia Amaral / Jeferson mostra as medalhas das lutas que venceu

Jeferson mostra as medalhas que conquistou. Foto: Nathalia Amaral/Beta Redação

 

Em setembro passado, Jeferson foi campeão de um torneio amador na categoria dos super pesados. Em outubro decidiu baixar de categoria, para os meio-médios. Está invicto há seis lutas em 2016, e em junho deste ano foi campeão sul-brasileiro de sua categoria. O boxeador é o único da cidade de Viamão no circuito de boxe do Estado. Jeferson pretende conquistar uma vaga nas Olimpíadas de Tóquio 2020, quer representar o país e subir ao pódio.

Projetos como o Luta e Solidariedade proporcionam espaços de desenvolvimento social e também mantêm os sonhos de jovens que, assim como os de Jeferson, poderiam ser deixados para trás.

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