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Sobre livros sensoriais e crianças

Esta é Natália dos Santos Jendrzickowski Fernandes, de apenas quatro anos, que, segundo a mãe coruja – a técnica em enfermagem Rita de Cássia dos Santos -, prefere os livros do que os aparelhos tecnológicos como videogames, computadores e tablets.

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Natália, de quatro anos / Foto: Arquivo Pessoal

Mas esta história não é só sobre o gosto de Natália por livros. É também sobre seu novo livro dos Três Porquinhos. Na verdade, esta história é sobre livros sensoriais e crianças.

Em tempos onde a tecnologia invade cada vez mais cedo a rotina dos pequenos, pode parecer raro ver uma criança com um livro na mão, e é nesse momento que entram os livros sensoriais.

Criados para estimular as sensações das crianças, os livros sensoriais, também conhecidos como livros infantis de pano, devido ao formato de livro e ao material utilizado em sua confecção, são uma forma de instigar o sentido dos pequenos durante as brincadeiras do dia-a-dia.

Para a pedagoga Anelise Lutz Romer, dona do atelier AneLulu, os livros sensoriais são a união de seu gosto pelos livros com a vontade de ser artesã. Anelise alcançou essa realização pessoal após a vinda do primeiro filho, o pequeno Pedro, que neste mês completa dois anos. “Estou gostando bastante de aliar minha formação e minha vontade de ser artesã. Minha formação me deu as ferramentas para pensar um livro adequado às necessidades e expectativas do meu filho”, explica a pedagoga.

Entre o útil e o agradável, Anelise começou a produzir outros livros sensoriais, os quais passou a divulgar e vender através das redes sociais. A formação como pedagoga a ajudou a pensar em alguns detalhes que podem passar despercebidos para os pais na hora de escolher esse tipo de atividade para os filhos, como a faixa etária dos livros, que diz respeito ao modelo de livro e às possibilidades sensoriais que o material pode incentivar.

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Anelise e o filho Pedro / Foto: Arquivo Pessoal

Para a tutora em educação Anna Trein, mãe do pequeno Joaquim e cliente de Anelise, os livros sensoriais são um método de estimular a experimentação da criança, mas Anna também avalia que isso não pode ser colocado em oposição a novas tecnologias. “Acho que ele [Joaquim] vai, a partir do livro, experimentar diferentes texturas, olhar para as cores e interagir a partir do toque, que é uma das propostas principais dessa arte, pelo que entendo. Isso vai auxiliar no despertar da curiosidade, na compreensão do mundo através dessa experimentação e do brincar. Dispositivos digitais não são ‘piores’, apenas promovem outro tipo de desenvolvimento, criatividade e interação, mas não tanto pela diferença de toque, como é o caso do livro”, diz.

Já para Rita, mãe da Natália, o livro sensorial surgiu como uma oportunidade de estimular a leitura com a filha: “Eu sempre gostei de ler. E minha filha herdou essa paixão de mim. Todas as noites, antes de dormir, leio uma história para ela. Normalmente é ela quem escolhe o livro. Ao ver a página da Anelise, logo imaginei que o livro sensorial daria um up na hora da leitura, no prazer de folhear um livro, e além de imaginar a história ela teria a chance de teatralizar aquilo que estivesse lendo. É a chance de viver a história”.

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Rita e a filha Natália / Foto: Arquivo Pessoal

Rita também vê nos livros sensoriais de Anelise uma forma de incentivar o convívio em família: “Acho que a proposta dela é super bacana, tanto para o desenvolvimento psicomotor da criança como para a interação com a família, já que temos um ‘teatro particular’ ao alcance das nossas mãos, ainda mais num mundo onde cada vez menos temos tempo de ver nossos filhos crescerem. Acabamos optando pelo mais fácil, que seria ligar a televisão. Mas, com o trabalho da Anelise, além da parte pedagógica, podemos exercitar nosso convívio em família”.

O trabalho artesanal

Anna também destaca outro aspecto singular dos livros sensoriais: o trabalho artesanal. “Gosto da ideia de presentes e objetos artesanais, não produzidos em massa pela indústria. Penso que há mais carinho, afeto na confecção de cada objeto desses – no caso dos livrinhos, inclusive é sob encomenda, então mais personalizado impossível”, explica.

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Objetos artesanais do livro / Foto: Arquivo Pessoal

Para Anelise, os livros sensoriais não são apenas um trabalho artesanal de confecção, mas também a oportunidade de criar novas brincadeiras para o universo infantil. “Quero poder, com meus produtos, desenvolver uma outra consciência do brincar. Resgatar brincadeiras e histórias, sair do plástico e do computador. Com meus livros pretendo vender uma filosofia de vivenciar as brincadeiras. Acho que os livros vão além de ensinar. Eles possibilitam descobertas, imaginar. Criar e descobrir”, relata.

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Livro sensorial / Foto: Arquivo Pessoal

 

 

 

 

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