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Sobre amor à primeira vista, adoção e maternidade

Casados há 13 anos, o professor de Matemática José Filipe Nunes, 33 anos, e a pedagoga Josiane Nunes, 33, decidiram, em 2009, que estava na hora de ter filhos(as). Josiane engravidou no ano seguinte e sofreu um aborto espontâneo nas primeiras semanas de gestação. Ainda que triste, seguiu tentando. Porém, após um ano e nenhuma gravidez, a pedagoga resolveu investigar o porquê. Descobriu que sofria de endometriose – caracterizada pela presença do endométrio (tecido que reveste o interior do útero) fora da cavidade uterina, impossibilitando a fertilização. Submeteu-se a uma cirurgia e iniciou uma série de tratamentos em busca da gravidez. Eis que a vida lhe apresentou mais um obstáculo: problemas na tireoide – que, quando não está funcionando adequadamente, pode liberar hormônios em excesso (hipertireoidismo) ou em quantidade insuficiente (hipotireoidismo), podendo ocasionar a má formação do feto.

Angustiado e preocupado com a saúde da esposa – que buscava incessantemente ser mãe, desejando passar por um novo procedimento cirúrgico de alto risco para conseguir engravidar -, Nunes disse a Josiane que a queria viva, que precisava dela e que eles não precisavam ser pais biológicos. Ele falava sobre adoção. “Fui muito resistente, mas diante de todas as frustrações que vinha vivendo, resolvi tentar. Fomos ao Fórum, realizamos nosso cadastro, juntamos a documentação e passamos pelas entrevistas com a psicóloga e com a assistente social. Traçamos o perfil da criança que queríamos, e isso é estranho, porque parece que se está escolhendo as características de um objeto. Estipulamos apenas a idade e que poderiam ser até duas crianças de dois a cinco anos”, conta Josiane. “Na entrevista individual com a assistente social, soube da história de três irmãos que estavam no abrigo, mas que podiam ser adotados separadamente. Um deles era uma menina que não falava nem caminhava, tendo a coordenação motora comprometida após sofrer um AVC aos cinco meses de vida. Depois disso passei a ter sonhos com aquela criança, imaginando que ela fosse acamada, vegetativa”, recorda Nunes.

O casal foi convidado a conhecer a menina. “Segundo a assistente social, Priscila tinha nove anos e era uma criança encantadora, de olhar muito vivo, mas presa numa cadeira de rodas, num corpo que não correspondia. O encontro com ela foi mágico. Nos apaixonamos imediatamente. Quando a assistente social perguntou se ela nos queria como pais, ela respondeu pegando a minha mão, mais a mão do Filipe, e juntando com a dela. Foi muito emocionante”, relembra Josiane. Poucos dias depois o casal levou Priscila Victória para um final de semana de adaptação em casa e, por determinação da juíza, a criança nunca mais voltou para o abrigo. O processo de adoção foi bastante rápido. “Eu não imaginava que fosse acontecer tudo tão depressa. Tivemos que alterar nossas rotinas profissionais, adaptar a casa. Tirei licença-maternidade e me dediquei exclusivamente a ela. Hoje ela tem acompanhamento em casa com fonoaudióloga e fisioterapeuta, faz teatro e frequenta a escola regular uma vez por semana. A Priscila é um amor, muito inteligente, esforçada. Os avanços que ela tem tido, de setembro de 2014 pra cá, são maravilhosos”, comemora Josiane.

A chegada da filha mudou a vida do casal e dos familiares. “A princípio foi um baque. Mas em um mês estavam todos apaixonados pela Priscila. O ser humano tem mania de reclamar de tudo e ela nos mostrou um outro lado da vida. Os primeiros meses foram tensos, se caminha no escuro. Hoje estamos adaptados e realmente felizes”, declara Nunes.

José Filipe, a filha Priscila Victória e a mãe, Josiene.

O pai, José Filipe, a filha Priscila Victória e a mãe, Josiane / Foto: Arquivo pessoal

Em janeiro deste ano, Priscila começou a passar a mão no ventre de Josiane, sinalizando que havia alguém ali. A pedagoga achava improvável, mas pela insistência da filha e por incentivo do marido, fez o teste de gravidez. Estava grávida havia dois meses. Apesar do susto, Josiane afirma que o momento foi incrível e a fez sentir completa, porque ela e o marido estavam maduros, fortes e unidos para sentir as emoções da vida de pai e mãe. “Um dia estávamos na AACD e vi uma criança que tinha apenas a cabeça e o tronco, e ela sorria pra mim. Hoje valorizo cada fio de cabelo que possuo. Não tolero mais reclamações fúteis, tipo resmungar porque está chovendo”, confessa.

Letícia, a filha biológica do casal, nasceu há dois meses. Agora a família está completa.

As irmãs Victória e Letícia./ Foto: Arquivo pessoal.

As irmãs Priscila Victória e Letícia / Foto: Arquivo pessoal.

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Comentários

Um comentário sobre “Sobre amor à primeira vista, adoção e maternidade”

  1. andresa disse:

    A Priscila e um amor de criança quando nos educadores da casa de acolhimento soubemos que ele seria adotada ficamos todas muito felizes pois ela teria o amor de um pai e uma mãe que ela sempre sonhava, e vcs Filipe e josiane realizaram o sonho dela, que Deus abençoe vcs e essas crianças lindas que Deus enviou para vcs “um anjo do céu que trouxe pra mim toda cristalina a jóia perfeita que é para eu amar que é pra eu cuidar tem toda inocência””
    Parabéns por essa família linda.

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