Esporte

Beta Olímpica: Raquetadas de ouro

No Rio 2016, as provas do badminton acontecerão de 11 a 20 de agosto

Não são apenas o futebol, o vôlei e a natação os esportes representados pela seleção brasileira nas Olimpíadas do Rio 2016. Foram 458 atletas convocados, para disputar as 33 modalidades olímpicas. Mas você está preparado para torcer pelos atletas do Polo Aquático? E do Badminton? Conhece bem todas as regras do Remo? Pensando nisso, a Beta Redação preparou a Série “Beta Olímpica” que explicará as regras de cada competição, os aparelhos específicos, o preparo físico e todas as curiosidades desses esportes olímpicos, além de apresentar os representantes brasileiros dessas modalidades no Rio de Janeiro. Serão quatro reportagens sobre os esportes olímpicos pouco conhecidos: as ginásticas olímpicas, o badminton, o polo aquático e o remo.

O Badminton é um jogo individual ou de duplas, pode ser jogado por mulheres e homens. Os acessórios específicos são a raquete, a peteca e a quadra.  As duplas podem ser masculinas, femininas ou mistas. As partidas são divididas em 3 sets de 21 pontos. Esse esporte tem técnicas muito especificas, principalmente, o manuseio dos acessórios obrigatórios e isso dificulta a aprendizagem “Não existem pré-requisitos para jogar badminton, qualquer pessoa pode jogar, mas se estivermos a falar de alto rendimento, procuramos atletas rápidos, ágeis e bem constituídos fisicamente”, afirma o professor natural de Portugal e responsável pelos treinos dos atletas convocados para o Rio 2016, Marco Vasconcellos.

Conhecendo o Badminton
Os jogos do Badminton devem ser realizados, de preferência, em uma quadra e sem interferência de vento para não atrapalhar a direção da peteca. As dimensões do local de jogo devem ser de 1m entre a quadra e as paredes laterais e de 1,5m entre as paredes de fundo e o centro da quadra. O piso deve ser feito de material antiderrapante e com marcações, em branco e amarelo, facilmente identificáveis. A rede que separa os competidores deve ficar a 1,55m de altura do chão e bem esticada de forma que seus fios superiores fiquem no mesmo alinhamento dos postes.

Antes de começar o jogo, os competidores devem sortear quem deverá iniciar e escolher as opções de servir, receber ou escolher qual o lado da quadra. Se o placar do sorteio de quem serve for par, o serviço deve ser feito do lado direito da quadra. Se for ímpar, do lado esquerdo. Nos jogos em duplas a regra é a mesma.

Como em qualquer esporte, o Badminton também possuiu algumas particularidades. Na condução da raquete e da peteca, o jogador precisa efetuar as principais batidas, também conhecidos como golpes. O drop shot é uma batida curta em que a peteca cai junto à rede. O lob, batida forte e longa em que a peteca encobre o jogador adversário. Já o drive é uma batida mais rápida e paralela ao chão. Nessa jogada, a peteca passa perto da rede. Por último o smash, muito parecida com a cortada do vôlei, é rápida e forte, levando a peteca na direção de cima para baixo.

 

(Arte: Rio 2016)

(Arte: Rio 2016)


1,2,3… jogando!

Tudo começa com o ato de servir que significa sacar, ou seja, lançar a peteca. Esse lançamento deve ser realizado na diagonal, como no tênis. O serviço, tanto no jogo de simples quanto no de duplas, inicia-se pelo lado direito da quadra de quem serve. O lançamento da peteca deve ser no movimento obliquo sobre a rede, direcionando para o lado esquerdo da quadra adversária. “Não existe um tempo ou um limite para uma partida de badminton, um jogo pode demorar 20m, como 1h30, tudo depende das características dos atletas como também da disciplina”, explica Marco.

Quem acertar o ponto, continua servindo, invertendo a posição na quadra – servindo da esquerda para a direita da quadra adversária. Se o saque der errado, o adversário tem a chance de reiniciar a partida. Nas duas opções, o recebedor não deve se mexer até que quem sirva golpeie a peteca. Se o jogador ganhar a disputa da jogada, chamada de rally, ele marca um ponto, mudando o lado do serviço e continua a servir. Se perder, o adversário marca um ponto e se inverte a jogada. Nos jogos em duplas, se a dupla servidora ganhar o rally, um ponto é marcado e o servidor muda de lado para dar seguimento ao jogo. Se perderem, o serviço passa para a dupla adversária.

O jogador que vencer o primeiro game começa lançando a peteca do outro lado da quadra no segundo tempo. E vice-versa até o décimo primeiro ponto.

Apenas 60 segundos para vencer
Os jogos são disputados num total de três games com pontuação máxima de 21 pontos. O vencedor é o que ganhar dois games primeiro. Se houver empate, vencerá aquele que abrir 2 pontos de vantagem. Ao final de cada partida os jogares alternam as quadras escolhidas. Durante o jogo, sempre que o 1º jogador ou dupla atingir 11 pontos o tempo de 60 segundo é concedido. Essa regra vale para qualquer game. Nos intervalos do 1º para o 2º game e do 2º para o 3º game, se houver, um intervalo de dois minutos é concedido. “No caso de empate 20-20, o atleta que chegar na frente com vantagem de dois pontos vence o set, até no máximo de 30 pontos, ou seja se empatar 29-29, quem fizer o 30 vence o set”, explica o treinador.

O Badminton no Rio 2016
Os critérios para a formação da seleção brasileira de Badminton para competir nas olimpíadas são simples: é por ranking. Segundo Marco Vasconcellos, o atleta que estiver mais bem classificado no ranking mundial fica qualificado para os jogos olímpicos. A cota para colocação de simples, masculina e feminina, é de 38 lugares, e a dupla brasileira selecionada foi classifica com masculino na posição 29 e o feminino, na 35.

O ranking mundial funciona da seguinte maneira:

– Do primeiro atleta do ranking mundial até o 5, vão três por país.

– Do 5 ao 16, vão dois por país.

– Do 16 até ao final do ranking vai um por país.

O apuramento Olímpico por ranking é o objetivo nas Olimpíadas dos atletas convocados do Badminton. “Temos como principal objetivo, vencer uma partida e colocar os nossos atletas entre os 20 melhores do ranking olímpico”, explica.

As provas do badminton nas Olimpíadas do Rio 2016 acontecerão de 11 a 20 de agosto.

O treinador
Marco Vasconcellos nasceu na Ilha da Madeira, em Portugal, e mora no Brasil desde 2013. Foi convocado para treinar a equipe brasileira para o Rio 2016. “Comecei a praticar badminton com 6 anos, no ano de 1977, na ilha da Madeira, em Portugal. Passei pela fase de jogador e agora sou treinador”. Atualmente, ele tem 44 anos e dedica-se há 38 anos ao badminton. “A vontade de ser criativo criando situações de treino especifica, me deixa cada vez mais apaixonado pela modalidade”, finaliza.

Os convocados
O primeiro brasileiro classificado para o Rio 2016 é Ygor Coelho. Conheceu o Badminton no protejo Miratus, um programa da comunidade da Chacrinha, no Rio de Janeiro, criado pelo pai Sebastião Dias de Oliveira, e que atende crianças carentes para reforço escolar e práticas de atividades esportivas. Com 19 anos, alcançou a 60ª posição e tornou-se o brasileiro mais bem classificado na história.

As mulheres do Badminton serão representadas pela atleta Lohanny Vicente. Junto com a irmã Luana Vicente também participou do programa de incentivo ao esporte na favela da Chacrinha. Nos Jogos Pan-Americanos de Toronto competiu ao lado da irmã e ficaram conhecidas como “as irmãs Williams do badminton”, numa referência às tenistas Venus e Serena Williams.

Lida 1038 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.