Esporte

Segurança da Formula Indy é colocada à prova no templo do automobilismo

Batida, que poderia ter consequências graves, prova os avanços na segurança dos carros da categoria

Um acidente a mais de 300 quilômetros por hora e apenas uma dor na perna. Esse é o saldo da colisão do carro do neozelandês Scott Dixon e do piloto Jay Howard durante as 500 Milhas de Indianápolis, realizada ontem (28), nos Estados Unidos. A batida, que poderia ter consequências graves, prova os avanços na segurança dos carros da categoria, mas ainda suscita dúvidas sobre áreas sensíveis dos monopostos.

O acidente entre os pilotos ocorreu na volta 53 das 500 Milhas, após Howard perder o traçado da curva 2 e atingir o muro. O impacto com o safe barrier, o bólido voltou para o centro da pista, sendo atingido em cheio pelo carro de Dixon.

Em uma velocidade superior aos 300 km/h, o carro do neozelandês foi arremessado para cima logo após destruir a lateral que acabara de se chocar. O monoposto, então, voou para a parte interna da pista, quase atingindo o carro do brasileiro Hélio Castroneves antes de atingir o muro interno e se partir em dois.

Ao atingir de lado o muro, o conjunto de rodas e diferencial do carro se separou do restante, voltando a atravessar a pista, quase atingindo os demais corredores. Por questão de centímetros, o veículo não atingiu a divisória ainda de cabeça para baixo, expondo Dixon a possíveis ferimentos graves ou até causando sua morte pelo impacto.

A célula de sobrevivência do carro número 9 se manteve intacta, mesmo que a parte logo atrás onde o piloto fica tenha sido quase que completamente destruída. Cerca de quinze minutos depois de sair da pista caminhando, Dixon concedeu uma entrevista à ESPN. “Definitivamente, foi um acidente grave. Nós temos de agradecer aos fiscais e aos padrões de segurança que temos agora”, disse. O piloto foi atendido pelo centro médico de Indianápolis, pois sentia dor em uma das pernas, mas nenhum ferimento foi identificado nos exames realizados logo após a sua chegada ao local médico.

A interferência na corrida foi mínima. Houve uma bandeira vermelha por cerca de 20 minutos por causa da manutenção da grade danificada pelo impacto do carro de Dixon. Howard, que sofreu a pancada do carro número 9 não se feriu e sequer relatou estar com dor.

“Quando eu vi, ao vivo, o acidente pensei que ele tivesse se ferido. Quando o Dixon saiu caminhando, foi um alívio. A gente tá distante, mas não quer que ninguém saia ferido de um acidente como esse. Ele nasceu de novo”, diz o tuiteiro Douglas Silva, que acompanhou a corrida, comentando-a na rede social através da tag #Indianapolis500.

Medo de novos acidentes fatais é recorrente

Em agosto fará dois anos que Justin Wilson morreu ter o seu capacete atingido por um pedaço de carenagem que havia se desprendido de outro carro envolvido em um acidente na pista de Pocono. O receio de novas mortes é constante na categoria, que tenta melhorar a segurança dos carros. Ao contrário do que ocorre com a Fórmula Indy, os ovais são mais perigosos que os mistos, seja pela velocidade que se mantém constante, seja pelo público muito mais próximo à pista. Também não há áreas de escape, como na maioria dos circuitos mistos.

As novas medidas, que hoje estão em vigor, foram criadas após a morte do campeão Dan Wheldon, em 2011, no circuito de Las Vegas, pista excluída do calendário após o acidente. Na ocasião, houve um megacidente envolvendo 15 carros. O monoposto onde estava o piloto atingiu um dos carros, decolou e bateu de forma violenta contra a cerca de proteção do autódromo.

A perícia apontou que todas as peças do carro trabalharam de maneira adequada, dentro dos limites do projeto. No entanto, o projeto da IndyCar não foi suficiente para impedir a morte do piloto. Uma nova concepção foi apresentada para o ano de 2012 e se mantém em voga desde então.

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