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Saúde para população negra: principais doenças, causas e tratamentos

A anemia falciforme e a maior propensão ao câncer de próstata estão entre as principais doenças que afetam os negros

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE constatou, em 2014, que negros e pardos representam mais de 50% da população brasileira. Por conta do fator genético oriundo dos antecessores africanos, algumas doenças são mais comuns para os negros. Segundo o Manual de Doenças Mais Importantes por Razões Étnicas na População Brasileira Afrodescendente do Ministério da Saúde, a anemia falciforme e doenças cardiovasculares são os casos mais recorrentes.

A anemia falciforme originou-se na África, se estendendo à Península Arábica, sul da Itália e Índia, chegando às Américas pela imigração forçada de escravos. É a principal doença hereditária do Brasil, com maior proporção entre negros e pardos, atingindo mais de 11 milhões de pessoas, com média de vida oscilando entre 18 e 21 anos. Após o diagnóstico, que normalmente é feito no teste do pezinho, o paciente deve ser acompanhado a vida toda, pois a doença não tem cura. O tratamento é feito à base de uma vida saudável: alimentação equilibrada, boa hidratação e evitar situações extremas de calor ou frio, por exemplo.

 

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE, em 2014, negros e pardos representam mais de 54% da população brasileira (Imagem: Gabriela Gonçalves)

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE, em 2014, negros e pardos representam mais de 54% da população brasileira (Imagem: Gabriela Gonçalves)

 

Estudos também mostram que os negros sofrem mais com a hipertensão arterial e o câncer de próstata. Neste caso, não só o fator genético importa, mas também aos níveis socioeconômicos. Dentre os que vivem em situação de baixa renda no Brasil, os negros também são maioria, o que dificulta o acesso aos tratamentos adequados e às informações de prevenção.

No caso do câncer de próstata, comprovadamente os negros são diagnosticados mais cedo com a doença. Por isso, a orientação é que os primeiros exames de prevenção sejam feitos aos 45 anos, e não aos 50. Em caso de histórico familiar, o indicado é procurar um médico aos 40.

 

Atenção para a pele

A dermatologista Katleen da Cruz Conceição é a única especialista em pele negra no Brasil. Ela explica que a pele negra, por conta da maior presença de melanina, possui um fator de proteção de 13,4, uma espécie de “filtro solar natural”. Mas não se engane. Não é por isso que os cuidados com a exposição ao sol devem ser ignorados. Segundo ela, os negros devem usar o protetor solar da mesma maneira que alguém que tenha a pele mais clara. “A pele negra mancha com mais facilidade e tende a ter qualquer tipo de lesão ou machucado”, ressalta. A população negra também não deve ignorar a preocupação com o câncer de pele, que mais atinge pessoas no mundo. “Vivemos em um país tropical, e com essa deficiência da camada de ozônio, o uso do filtro solar é essencial para se proteger dessa doença”, diz Katleen.

Por conta da menor quantidade de ceratina, os cabelos étnicos podem ser mais quebradiços. Os cabelos mais grossos, quando infeccionados, podem causar foliculites, que são inflamações no folículo capilar, sendo tratadas com antibióticos e algumas loções para aliviar a coceira. Outra peculiaridade da pele negra é a hiperpigmentação, que pode causar manchas mais escurecidas e latentes em reações alérgicas ou em doenças como a psoríase.

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