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Saúde do homem: doenças que mais atingem o sexo masculino

Eles vivem, em média, sete anos a menos do que as mulheres no Brasil

Os homens brasileiros não têm o costume de procurar periodicamente os serviços básicos de saúde para realizar exames preventivos, ao contrário das mulheres. A falta de acompanhamento médico facilita a evolução de doenças que poderiam ser evitadas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, apesar de ter havido um aumento de três meses e 22 dias na expectativa de vida dos homens nos últimos anos, eles ainda vivem cerca de sete anos a menos do que as mulheres.

“Procuro por um médico só em casos extremos, do contrário, prefiro me automedicar ou esperar a dor passar”, afirma Luiz Henrique Souza, técnico em segurança do trabalho. Infelizmente relatos como esse são comuns quando conversamos com homens, independentemente da idade. Para Luiz, a falta de interesse do sexo masculino em procurar atendimento médico é cultural, pois desde cedo as mulheres são ensinadas que devem ter o acompanhamento de um ginecologista, já os homens não. “Tenho uma irmã mais velha que vai ao ginecologista desde pequena. Eu, por outro lado, com 23 anos, nunca consultei com um urologista”, declara.

Para o enfermeiro Alexander de Quadros, o homem tem resistência em buscar os serviços de saúde, devido a questões culturais, como o machismo, por exemplo. “Os homens são, muitas vezes, os provedores da família e “não podem” ficar doentes. Doença é um sinal de fragilidade”, ressalta. Outro fator que acaba os influenciando a não procurar ajuda médica, segundo Alexander, é que as campanhas de saúde são voltadas para o público feminino. “Foi a partir de 2012 que se começou a falar mais da saúde do homem, principalmente no mês de novembro, com a criação da campanha Novembro Azul, contra o câncer de próstata”.

 

Câncer de próstata é o que mais afeta os homens, depois do câncer de pele (Arte: Eduardo García Cruz/Flickr)

Câncer de próstata é o que mais afeta os homens, depois do câncer de pele (Arte: Eduardo García Cruz/Flickr)

 

A campanha Novembro Azul, coordenada pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, tem o objetivo de orientar a população masculina para a prevenção do câncer de próstata, o segundo tipo de câncer que mais atinge os homens. De acordo com a cartilha de Política Nacional de Atenção Integrada à Saúde do Homem, lançada pelo Ministério da Saúde, os tumores que aparecem com maior frequência na população masculina são oriundos dos aparelhos digestivo, respiratório e urinário, só superados pelo câncer de pele não-melanoma. A Cartilha também evidencia o câncer de pênis, que é raro e afeta cerca de 2% da população masculina no Brasil, diretamente ligado ao fator socioeconômico e a falta de higiene íntima. Há estados onde a incidência do câncer de pênis é maior do que o de próstata, caso do Maranhão.

O acesso dos homens a rede pública de saúde  acontece, principalmente, através das emergências médicas. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre – SMS, justamente por eles não fazerem os exames preventivos, quando chegam ao médico a situação já está grave. Para a SMS, as campanhas do Novembro Azul destinam-se a chamar a atenção da população masculina para que o exame preventivo seja feito a partir dos 40 anos. No entanto, a Instituição não recomenda o rastreamento sistemático do câncer de próstata. Segundo a Secretaria de Saúde, o rastreamento acaba promovendo o diagnóstico de tumores indolentes, que, se não fossem diagnosticados, não trariam qualquer prejuízo a vida do homem.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer – INCA, há duas formas de detectar a doença: através dos sintomas (micção frequente, vontade de urinar, incontinência, entre outros) e com o rastreamento sistemático (para homens que aparentemente estão saudáveis). Contudo, o Instituto afirma que existem evidências científicas que comprovam que o rastreamento produz mais danos do que vantagens e que os médicos devem informar seus pacientes sobre a ausência de benefícios dessa prática. O principal risco do rastreamento é o falso diagnóstico, infecções, sangramento (resultante de biópsias) e ansiedade em relação ao resultado do diagnóstico de câncer.

Segundo Alexander, as doenças que mais acometem a saúde do homem são câncer de pele e próstata, doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes, alcoolismo e tabagismo. Além das doenças citadas pelo enfermeiro, o câncer de mama, mesmo raro, também pode afetar os homens. “O câncer de mama atinge em torno de 1% da população masculina. Os sintomas são diferentes aos das mulheres: inchaço do mamilo, pele ao redor da mama enrugada/ondulada, vermelhidão ou descamação da mama e o aumento dos linfonodos mamários”, relata.

Fumante há pelo menos 15 anos, o mecânico Rafael Carvalho afirma que não possui acompanhamento médico. “Não costumo ir ao hospital para fazer exames de rotina. Vou apenas quando necessário”. Para Rafael, o fato dos homens não procurarem ajuda reafirma a cultura do homem ser o sexo forte. “Existem campanhas que nos incentivam a fazer exames, realizar consultas com mais frequência, porém falta a conscientização dos homens sobre a importância do ato”, ressalta.

Luiz Henrique Souza, conclui que a melhor maneira de desmistificar a relação entre homem e médico seria através de campanhas dentro das escolas, pois as crianças absorvem as informações de maneira muito rápida. “Ensinar a elas desde cedo sobre a importância do acompanhamento médico poderia, a longo prazo, mudar a cultura do país. Assim, as crianças iriam repassar aos pais o que aprenderam sobre saúde na escola”.

 

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