Política

ENTREVISTA: “Repetir a mesmice não muda nada”, diz Sartori

O governador do RS definiu o pacote de contenção de despesas como uma medida de coragem e determinação que precisa ser suportada

Desde a segunda-feira (21), quando o governo do Rio Grande do Sul anunciou um pacote de medidas para a contenção da crise econômica no Estado, a calçada em frente ao Palácio Piratini foi tomada por manifestantes que ali acampam. Do lado de fora do Palácio, na Praça da Matriz, tremulam bandeiras de sindicatos e associações de trabalhadores. Por todos os lados ecoam canções e gritos de protesto. Com o objetivo de esclarecer a atual conjuntura política e econômica do RS, a Beta Redação foi até o Piratini, na manhã de sexta-feira (25), para realizar uma entrevista exclusiva com o governador José Ivo Sartori (PMDB).

No encontro, Sartori salientou que respeita a todos os que possam ser atingidos pelo pacote de medidas apresentado à Assembleia Legislativa, mas reiterou que “este é um sacrifício que tem que ser compartilhado por toda a sociedade, seja pelo mundo político, no caso das bancadas, dos deputados, dos partidos, seja pelos outros poderes e instituições”. O governador afirmou, ainda, que o poder Executivo está fazendo a sua parte e que o Estado quer mostrar que “aquilo que é possível fazer, nós estamos fazendo”.

Quanto à afirmação do presidente nacional do Partido Trabalhista Democrático (PDT), Carlos Lupi, na manhã de quarta-feira (26), de que o partido deve abandonar a base aliada do governo do Estado, Sartori afirmou que esta não é uma questão política. “Eu acho que esta não é uma questão política nem de situação, nem de oposição. Não é uma questão ideológica, não é a questão da vida de um partido, nem é a questão de afetos que as pessoas nem as entidades possam ter, é uma questão do futuro do Rio Grande”, concluiu.

O chefe do Executivo estadual sublinhou, também, que há 11 milhões de gaúchos “esperando por uma atitude de coragem, de determinação, de vontade e de disposição, de preparar a sociedade gaúcha, mas especialmente, o poder público, para uma nova história, um novo momento e uma nova realidade”. Sartori repetiu a máxima de que “para um Estado em fase terminal não se dá analgésico, é preciso dar tratamento”. Afirmou que “às vezes, é um remédio amargo, mas ele tem que ser suportado para conquistar novos dias”.

Sobre a crise da segurança pública no Estado que, no mês de agosto, recebeu o reforço de 120 policiais da Força Nacional, Sartori diz que contratará, até o final deste ano, 2 mil novos policiais militares. Segundo Sartori, 1.300 destes PMs já estão em treinamento. Outra medida apontada é a convocação de concursos públicos para a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), o Instituto Geral de Perícias (IGP) e a Polícia Civil.

Quanto à reeleição, Sartori disse que é uma instituição existente, com a qual ele não está preocupado. Segundo o governador, “outros que se importaram com isso, titubearam e não tiveram atitude nem coragem”. Afirmou, ainda, que o Rio Grande do Sul, em 45 anos, teve apenas sete em que a receita foi maior que a despesa, e comparou o Estado a uma família. “Lá em casa, quando alguém perde o emprego, alguém perde as condições econômicas de sustentar toda a família, a gente dá um aperto aqui, um aperto lá, um aperto noutro lugar pra poder equilibrar as finanças. Este é o caminho que estamos traçando para o Rio Grande do Sul”, finalizou.

Confira a entrevista com José Ivo Sartori na íntegra:

Lida 406 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.