Cultura

Saraus: uma experiência de trocas

Encontros estimulam manifestações artísticas por meio da música, da poesia e da dança

Os saraus chegaram no Brasil, assim como tantas outras coisas, com a família real portuguesa, em 1808. De origem nobre, as reuniões eram cheias de pompa. Pianos de cauda e instrumentos sofisticados embalavam as reuniões, sempre noturnas.

Os saraus pertenciam às elites. Com o tempo, somente depois dos anos 40 os saraus se popularizaram. Os encontros para cantar, dançar e declamar poesia se tornaram cada vez mais democráticos. Exemplo disso são as várias iniciativas que circulam pela capital gaúcha e região metropolitana.

Em comemoração aos 110 anos de nascimento do escritor e poeta Mario Quintana, a Casa de Cultura, que leva o seu nome, em Porto Alegre, promoveu o Sarau Quintanares, reunindo diversas atrações em uma noite de quarta-feira do mês de setembro. A organização ficou por conta do Coletivo Cultural Manisfesto Poesia. O grupo foi convidado para realizar o Quintanares pela fama do seu projeto Sarau da Cruzeiro, que ocorre há um ano, na última quinta-feira de cada mês, na Vila Cruzeiro, em Novo Hamburgo.

Leonardo Broilo, integrante do coletivo, explica que o sarau tem o objetivo de levar cultura para lugares que por vezes são esquecidos. “O sarau aproxima as pessoas em torno da arte. Nós levamos atrações artísticas, como música ou dança, mas todos são convidados a pegar o microfone e participar, essa é a proposta do nosso sarau. Todos devem ter a oportunidade de se expressar”, comenta Leonardo.

O Quintanares também contou com a participação do coletivo de mulheres Sarau das Deusas Mundanas, de Porto Alegre, que promove encontros que buscam discutir questões relacionadas ao sagrado feminino e à ancestralidade das mulheres. Cristiane Cubas, que faz parte do grupo, explica que as reuniões servem para abordar assuntos que são comuns às mulheres. “Nos reunimos para falar das nossas questões, angústias, histórias. Formamos um círculo de mulheres. A partir do que conversamos, construímos formas de expressar tudo isso através da arte. Percebemos que muitas mulheres querem participar, pois há necessidade de expor o que sentimos e pensamos”, opina Cristiane.

Essas iniciativas recentes vão ao encontro da proposta do conhecido Sarau Elétrico, que ocorre há 17 anos, todas as terças-feiras, no Bar Ocidente, em Porto Alegre. O Sarau conquistou um público fiel e inspirou muita gente. “Eu participei das primeiras edições do Sarau Elétrico. Havia uma fluidez nas participações e o público também contribuía”, revela Marília Verissimo Veronese, socióloga que vai à reunião sempre que pode. Para Marília, os saraus são democráticos e um espaço de trocas. “Saraus são oportunidades incríveis de aprender e trocar cultura. Eles são baratos, abertos, acessíveis e são programas onde saímos enriquecidos culturalmente e afetivamente. Vida longa aos saraus!”, ressalta.

 

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