Esporte

Sapucaiense: 75 anos de história

Mesmo com sua tradição, o estádio que é a sede do clube segue com pouca utilização

Reprodução: Facebook Sapucaiense

Reprodução: Facebook Sapucaiense

Quem desce a passarela da Estação Sapucaia da Trensurb para o lado oposto ao do calçadão, pode não imaginar o quão próximo está de um estádio de futebol. De fato, hoje, passando por ali, vendo muros pichados e muitas vezes a porta de entrada repleta de pessoas mais velhas, não imagina as histórias que guarda o estádio Arthur Mesquita Dias.

No dia 28 de julho de 1941, nascia o Grêmio Esportivo Sapucaiense. Ele veio a substituir o Grêmio Esportivo Iraí, herdando suas cores (vermelho e preto), seus uniformes e o mais importante, seu estádio.

O time do Sapucaiense iniciou suas atividades mesmo antes de sua cidade ser emancipada. Sapucaia do Sul manteve-se como distrito de São Leopoldo até 14 de novembro de 1961, data em que tornou-se município independente. Nessa época, já fazia 20 anos que o clube havia nascido e começado a tornar possível o sonho de inúmeros jovens residentes da região.

Mas o “Arthur” não possui mais a mesma glória de antes. De primeiro, seu estádio possuía uma capacidade para 3 mil torcedores. Em dias de jogo, ao longe era possível ouvir as comemorações, bem como os cânticos das torcidas. Porém, o estádio teve uma parte de seu espaço vendido, fazendo com que hoje, não exista mais arquibancada aos dois lados do gramado.

O espaço reservado aos espectadores reduziu-se pela metade. Mas as contas do espaço foram pagas.

Um estádio sem treinos

Foto de arquivo: Samuel Prestes

Foto de arquivo: Samuel Prestes

Apesar de possuir um tamanho de campo igual aos dos outros estádios e estar localizado bem no centro da cidade, o Sapucaiense não abriga os treinos dos seus times.

Samuel Prestes tem 20 anos e jogou pelo principal time de Sapucaia do Sul entre os anos de 2008 e 2009. Segundo ele, os treinos para os jogos eram voltados para as partes física, tática e técnica do time. Mas essas atividades sempre ocorriam pelos demais campos da cidade. “Um dia era na Cohab, outro na Vargas, Taurus e Operário. Os jogos eram no Sapucaiense, mas dificilmente a gente treinava lá”, comenta.

Outro que jogou por essa época foi Romário Martins. Assim como Samuel, não treinou no Sapucaiense em si, e também fala que as atividades eram bem leves, por eles serem muito novos na época, possuíam em média 11 e 12 anos. Além dos lugares citados por Samuel, ele acrescenta que também se exercitaram no ginásio do Kurashiki, próximo a entrada da cidade.

Não foi apenas nessa época que as atividades não eram realizadas no gramado do Arthur Dias. Filipe Medeiros fez parte do time entre os anos de 2011 e 2012. Ele teve a oportunidade de participar de uma rotina mais intensa de jogos e treinos do que Samuel e Romário. Conta que, em sua época, participava de treinos diários, na parte da manhã e da tarde, dependendo da programação da equipe. Além disso, haviam “jogos no fim de semana, aos domingos quase sempre e às vezes no meio da semana”, conta.

Foto de arquivo: Filipe Medeiros

Foto de arquivo: Filipe Medeiros

Assim como ocorreu com os meninos, os treinos ocorriam em lugares diversos pela cidade. “Na minha época usávamos as vezes o ginásio do Kurashik, ou até mesmo algum campo na cidade para não maltratar tanto o gramado do estádio, além de treinar em uma academia duas vezes por semana”. Para Filipe as estruturas do estádio estão aquém de outros estádios das redondezas, pois possui uma infraestrutura muito antiga, com vestiários pequenos e dependências simples. Ele credita esse fato ao clube não possuir muitos recursos, principalmente pela falta de investimento financeiro nele.

O time que se reúne para jogar

Pouco se sabe sobre o time masculino do Sapucaiense. Menos ainda sobre o feminino. Newton Correa é treinador do time feminino do Sapucaiense há dez anos. Uma atividade que ele vê como difícil, mas prazerosa.

Uma das maiores dificuldades que ele encontra é em manter o grupo de jogadoras unidas. Assim como no masculino, não há treinos dentro do estádio. Newton atribui isso ao fato de o estádio do Sapucaiense não ser pertencente a nenhum órgão público.

Na verdade, o campo é uma propriedade privada. E apenas quando os donos não farão uso desse espaço é que se torna possível realizar alguma atividade física. O time feminino agendou seis treinos durante todo o ano de 2016. Mas não tiveram sorte. Desses seis únicos treinos que teriam, em cinco, choveu torrencialmente no dia, impossibilitando qualquer realização de exercício. Inclusive, ele diz que não se recorda da última vez em que acompanhou um treinamento.

Por esse motivo, o treinador apresenta seu time como sendo aquele que “se reúne para jogar”, pois não há treino antes. As jogadoras se apresentam próximo a data da competição e se encontram apenas na hora da disputa. Mas Newton garante que isso nunca foi um problema para as meninas, pois elas possuem inúmeras conquistas. Esse é um problema enfrentado desde o início da modalidade.

Quando Newton assumiu o time feminino, há dez anos atrás, conta que o time estava inscrito em um jogo, primeiro jogo em um campeonato, mas que três dias antes ainda não possuía jogadoras. Chegando na hora, colocou em campo uma equipe completa, mas que ele sequer sabia os nomes.

Isso não foi empecilho. Derrotaram o time adversário por 2 x 0.

Caminho para o sonho

Mesmo que o Sapucaiense não seja um time visado, e que o futebol feminino, ainda tão desvalorizado em nível nacional, não possua nem a possibilidade de treinar antes de um jogo, Newton faz do seu time uma ponte para ajudar jovens a realizarem seus sonhos.

Várias meninas que hoje jogam em times pelo Brasil e já foram até convocadas pela Seleção Brasileira Sub 17, passaram pelo seu comando. Quando ele vê potencial em uma jogadora, a encaminha para times que poderão dar maior visibilidade e uma futura convocação.

Entre as novas promessas que estão se encaminhando para um futuro mais promissor está Jenifer Braga. Ela começou no time logo que Newton assumiu o comando, e é uma das jogadoras mais fieis ao treinador. Agora, foi convocada para jogar pela Seleção Gaúcha de Futebol Feminino. Esse time irá representar o Brasil de Pelotas no Campeonato Brasileiro do ano que vem.

Newton conta que as jogadoras do Sapucaeinse não possuem remuneração, ao contrário dos times maiores, e que muitas vezes, ele mesmo banca o transporte e alimentação das meninas para os jogos. Atualmente, o clube conta com a presidência de José Luis Reche Christianetti.

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