Cultura

Santander Cultural completa 15 anos

Na Rua Sete de Setembro, no Centro Histórico, um dos prédios mais charmosos de Porto Alegre abriga a sede do Santander Cultural. Trata-se de um dos projetos de maior sucesso do Banco Santander, que completa 15 anos de existência e disseminação da cultura na Capital.

Carlos Trevi, 54 anos, é coordenador geral do Santander Cultural há cinco anos. Natural de São Paulo, tem graduação em Administração de Empresas pela faculdade Anhembi Morumbi. O paulista, que trabalha há mais de 30 anos com cultura, já foi coordenador geral nacional de cultura do Santander e coordenador do Santander Cultural de Recife. Carlos, uma figura simpática e carismática, conta que mora em Porto Alegre apenas há sete meses: “Antes eu vivia na ponte aérea de Recife, Porto Alegre e São Paulo”. Como a sede de Recife foi desativada para apoiar o museu do Estado de Pernambuco, Carlos Trevi agora administra somente a sede de Porto Alegre.

 

Carlos Trevi é coordenador Geral do Santander Cultural, em Porto Alegre, há 5 anos. (Foto: Rebecca Rosa)

Carlos Trevi é coordenador Geral do Santander Cultural, em Porto Alegre, há cinco anos. (Foto: Rebecca Rosa)

 

Carlos conta que a filosofia de trabalho do Santander Cultural é apoiar a arte contemporânea brasileira e dar continuidade ao trabalho que vem sendo realizado em sua gestão. Dentre os projetos do banco está o RS Contemporâneo. “É um projeto bastante inovador no Brasil, no sentido de que possibilita uma primeira exposição individual de novos artistas, de uma geração de 20 a 30 anos, que ainda não tiveram possibilidade de uma exposição com acompanhamento profissional”, explica o coordenador. O projeto conta com um corpo técnico que formata uma exposição de padrão internacional de artes visuais, a edição de um catálogo, convites para a exposição e assessoria de imprensa. Ou seja, toda a estrutura que um artista precisa para abrir uma exposição em alto padrão. “É uma chance que o Santander dá para alavancar a carreira da nova geração de artistas do RS”, completa Carlos.

 

RS CONTEMPORÂNEO E SENHOR DA VÁRZEA, DA ARGILA E DO FOGO

O RS Contemporâneo rendeu muitos frutos satisfatórios para o Santander Cultural: alguns artistas que fizeram parte do projeto já participaram da Bienal. Com isso, o banco obtém o reconhecimento de muitos artistas que apresentaram suas exposições lá e hoje têm uma carreira consolidada. “O catálogo que o artista recebe vira um ótimo cartão-postal para ele apresentar seus trabalhos em todo o mundo. É um projeto muito importante no sentido de dar um primeiro empurrão na carreira do novo artista gaúcho”, comenta o coordenador.

Outra linha que o Santander Cultural segue é a promoção de nomes da cena contemporânea brasileira, sempre escolhendo artistas vivos para uma exposição, que pode ser individual ou não. Alguns exemplos: Vik Muniz, José Damasceno e Amilcar de Castro.

Francisco Brennand é o artista que expõe atualmente no Santander: Senhor da várzea, da argila e do fogo é o ponto alto da programação que comemora os 15 anos de atividades do Santander Cultural em Porto Alegre.

 

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Exposição Senhor da várzea, da argila e do fogo, de Francisco Brennand. (Foto: Rebecca Rosa)

 

LITERATURA E MÚSICA

Além das artes visuais, Carlos também se dedica a trazer atrações de outras vertentes artísticas para a casa, como exposições sobre literatura. “Tivemos ano passado com Moacyr Scliar, e este ano acontecerá com Simões Lopes Neto”, conta. Outros motivos de orgulho são o projeto Cine Santander Cultural e o Fazendo Música: “Este ano, o Cine Santander Cultural bolou um festival de filmes dos anos 1980 que está sendo um sucesso. O Fazendo Música tem shows todos os sábados, às 17h. Sempre três shows de fora do RS e um show de alguma banda local”, explica.

 

OFICINA DE CHORO E BIBLIOTECA

Ainda na área musical, o Santander criou uma oficina de chorinho, gênero de música popular e instrumental brasileira, que completou 10 anos e é um enorme sucesso em formação de profissionais dessa vertente. A oficina ocorre todos os sábados à tarde.

Nesses últimos cinco anos também foram implantados alguns serviços, como a biblioteca, que é aberta ao público e especializada em livros de arte, moda, arquitetura e fotografia. Muitos alunos de graduação e pós-graduação vão até o Santander consultar livros, reconhecendo a qualidade da seleção feita pela biblioteca. No primeiro pavimento, foi implantada uma loja de materiais para artistas, com livros e materiais de alto padrão para pintura.

 

RESERVA TÉCNICA

Um destaque apontado por Carlos é a reserva técnica, onde fica o acervo de documentos bancários. “Temos 11 mil peças referente à história bancária, que é bastante interessante dentro dessa linha de atuação, com moedas, notas promissórias, documentos de transações bancárias. Isso hoje está tudo organizado na reserva. Estamos com um trabalho contínuo de catalogação, limpeza e recuperação. O acervo está disponível para o público que queira se aprofundar mais nessa área”, conta Carlos.

Outro projeto permanente é o de arte e educação. “Temos desde o início do Santander Cultural nosso material educativo, que tem sido bastante elogiado em todo o Brasil, e talvez um dos melhores materiais de reflexão entregues para o professor e para o aluno, para que se aprofundem na atividade que vivenciaram aqui no Santander”, comenta. O objetivo é que os alunos possam tratar em sala de aula o que viram e as experiências que tiveram nas exposições, para que o conhecimento não fique apenas das portas para dentro.

Apesar da crise, Carlos Trevi garante que a situação econômica e política que vivemos no país não afetou os projetos do Santander Cultural. “Continuamos tendo o mesmo orçamento, porém, algumas coisas que foram previstas no início do ano acabaram aumentando de preço e eu tive que rever o que faria com o orçamento que tínhamos. Porém, a verba destinada ao Santander Cultural continua sendo a mesma. O banco não diminuiu os recursos destinados a nós. O que estamos fazendo é negociar mais para que essa inflação não interfira na qualidade do que temos apresentado”, relata.

Sobre como se candidatar para uma exposição do Santander, Carlos tira algumas dúvidas: “Não temos um edital, o artista não se inscreve para expor aqui. Temos um comitê curador que vai determinar o que entra de exposição ao longo do ano, o que não impede que as pessoas apresentem projetos”.

No programa RS Contemporâneo, sempre é determinado no início do ano um comitê curador que indicará artistas que participarão do projeto. “Os curadores são aqui do Sul, eleitos entre universidade federal, Instituto de Artes etc. As pessoas podem mandar projetos através do nosso site e ali inscrever um projeto”, conclui.

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