Esporte

A sala de aula também é dojô

Projeto Federal Mais Educação alia aprendizagem ao esporte em Sapucaia do Sul

A Escola Prefeito João Freitas Filho no bairro Camboim, na cidade de Sapucaia do Sul, uniu a aprendizagem e o esporte dentro do programa Mais Educação. Todos os dias os mais de 100 alunos que participam do projeto comparecem à escola no turno inverso, para participar das oficinas de português, matemática, dança, karatê e judô. Projeto federal tem objetivo de aumentar a permanência dos estudantes na escola para melhorar o desempenho escolar. O alvo são jovens e adolescentes do 3° ao 9° ano em vulnerabilidade social e defasagem no aprendizado.

Mesmo com poucas vagas, e uma estrutura precarizada, é possível fazer a diferença na vida desses pequenos. É o que conta a coordenadora do projeto Priscila Melo de Oliveira Ilha, em seu primeiro ano à frente do Mais Educação na escola, a professora reconhece a importância de projetos como esse que resgatam a gurizada. “Estão aqui dentro, ficam fora da rua e protegidos da criminalidade. Não temos condições de oferecer a todos pelo número de vagas limitadas, mas dentro do que temos, fazemos o melhor” afirma a professora.

Ainda segundo a coordenadora, as oficinas pedagógicas aliadas ao esporte são significativas na melhora do desempenho escolar. “Tem aluno que pensa: eu não sei fazer nada, mas se descobre fazendo um esporte. Muitas vezes na sala de aula não conseguimos perceber todas habilidades. Temos caso de alunos dentro do Mais Educação que se descobriu no judô e depois começou a investir, foi para competições a nível estadual”. Para além do desempenho dentro da sala de aula Priscila destaca os benefícios do esporte quanto a organização, disciplina e respeito que os jovens aprendem. “Importante para formação como pessoa”, assegura.

Oficineiros

Oficinas são ministradas por voluntárias – divididos em duas categoria – mediadores com oficinas pedagógicas de português e matemática e os facilitadores com as oficinas de capoeira, judô e dança. As atividades ocorrem em uma sala em cima do ginásio da escola, dividindo espaço com os professores da educação física, com a lancheria e de quebra o cheiro de churrasco, já que o mesmo ambiente é usado pela comunidade nos finais de semana.

Mabile Rejane, formada em pedagogia, é responsável pelas oficinas de português, destacou a importância de um ambiente propício para a aprendizagem, e que os voluntários fazem o possível para trabalharem com o que tem. “Todo mundo faz de um tudo aqui dentro. Nos viramos do jeito que dá. A proposta do programa é a aprendizagem com atividades lúdicas, muitas vezes os alunos se dispersam com o barulho da quadra, mas nos viramos nos trinta aqui” afirma.

Questionada pelos benefícios do esporte dentro do projeto, a pedagoga vê como de grande importância e de interesse dos jovens. “Além dos benefícios de uma atividades física e do esporte que pode se tornar uma carreira, as crianças gostam bastante. Muitas vezes olham para nós, professores de matemática e português, com uma cara de desânimo, mas ficam ansiosos pelas oficinas de esporte”, admite Mabile.

O dojô

O responsável pela ânsia dos alunos é Jean Michel Silva, o professor de judô iniciou no esporte aos 15 anos de idade, com a capoeira dentro do projeto Escolinhas Comunitárias. Hoje vive do esporte, como professor e atleta. Já participou de três campeonatos da região Sul, onde foi campeão na sua categoria de capoeira. E por meio de seus mestre também conheceu o jiu jitsu, esporte que é faixa azul, e o judô.

Dentro do projeto há cinco anos, hoje Jean trabalha para mais duas escola no Mais Educação em Sapucaia. Da bagagem que leva em anos de projeto, e das experiências de vida, o atleta conta do valor que o esporte tem para jovens e crianças em vulnerabilidade social. “Vim de uma situação bem semelhante dos alunos, minha mãe se separou do meu pai aos meus 15 anos, e fiz muito coisa errada. Depois que entrei para a capoeira eu vi o que ela tinha para me oferecer” conta.

Jean relata que quando iniciou na capoeira nunca pensou que poderia se tornar uma profissão, para ele isso é uma lição que pode deixar para os alunos. “Mostrar pra eles: vocês podem chegar lá. Você pode sair da vida do crime. Porque a questão da criminalidade é bem complicada aqui  aqui na região. Esse não é o caminho e o esporte mostra isso”.

Os reflexos já são visíveis, ainda segundo o professor de judô muitos alunos chegaram com um comportamento bem diferente do que tem hoje. É o caso de Robson Bregal, de 15 anos, treina há 4 anos, é o aluno mais antigo dentro do Judô. Quando entrou no Mais Educação seria reprovado de ano e tinha diversas ocorrência na diretoria. Atualmente é o melhor judoca das aulas.

Infelizmente, Robson está no 9° ano e logo após a formatura sairá da escola, consequentemente também é seu último ano no projeto. O adolescente vê que sua vida melhorou depois do judô, conforme ele, “antes, eu só incomodava”. Para o futuro, o jovem atleta pensa em seguir praticando o esporte, mas não tem dinheiro para bancar uma academia particular. Seu sonho maior é ser jogador de futebol, mas ressalta as dificuldades de seguir a  carreira. “Tenho que estudar para batalhar um futuro melhor para minha família” diz Robson.

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