Esporte

Rosto ao vento e solidariedade no peito

Projeto iniciado no ano passado inclui portadores de deficiência do universo das corridas de rua

Um projeto que visa propiciar aos portadores de deficiência a sensação de correr. O nome “Rosto ao Vento” não poderia ser mais apropriado. Utilizando triciclos e muito carinho, alguns amigos decidiram iniciar esse projeto em 2016, que hoje já conta com 15 famílias participantes.

Tudo começou com Fernando Falavigna, 36 anos, estudante de Educação Física que, a partir de um livro, decidiu realizar o projeto. “Li o livro Devoção, que conta a história de um pai que decidiu correr com seu filho portador de deficiência nos anos 60. Fiquei muito emocionado e pensei em fazer algo para agradecer a minha saúde e para que todo mundo pare, pense e agradeça o que tem na vida.”

 

 

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Uma das corridas realizadas pelo grupo. Foto: Arquivo pessoal

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Os jovens são auxiliados por seus pais ou pelos idealizadores do projeto nas corridas. Foto: Arquivo pessoal

A experiência de sentir literalmente o rosto ao vento se dá através de um triciclo adaptado que custa em torno de R$ 1.500. Falavigna comprou o primeiro triciclo do projeto do próprio bolso. Em seguida, após ir a uma corrida beneficente em Brasília, mostrou para seu grupo de corrida, o que acabou levando os integrantes a juntarem dinheiro e comprarem mais triciclos. Hoje o projeto conta com seis triciclos, que foram sendo conseguidos através de doações.

Um dos primeiros alunos do projeto é Guga Taboada, de 23 anos, que possui paralisia cerebral e tetraplegia espástica, o que compromete principalmente os membros inferiores. Através da mãe, Martha Taboada, 52 anos, que conheceu o projeto através de seu grupo de corrida, ele participa desde o início do projeto. “É tudo uma grande família, todo mundo feliz de estar ali, e o Guga foi muito bem recebido. Ele vai vibrando a corrida inteira, e isso faz a gente ficar mais estimulada e dá cada vez mais energia e motivos para aproveitar a vida.”

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Um dos treinos que o grupo realiza. Foto: Arquivo pessoal

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Na imagem, Guga com sua mãe, Martha, em um dos treinos do Rosto ao Vento. Foto: Arquivo pessoal

Para Ervin Luiz Garbinatto, contador de 53 anos e pai de Maria Eduarda, 17 , que tem problemas devido à prematuridade, a atividade melhorou consideravelmente a vida da filha. “Depois de conhecermos o grupo e participarmos de corridas com grande número de pessoas, teve um aumento de energia nela que creio ser motivada pela alegria e adrenalina que a corrida proporciona”, conta Garbinatto. “Começamos com cinco quilômetros, corremos oito quilômetros na última e queremos agora o 10. Mas não é só distância. É mais do que isso. É energia que flui. Todo aquele pessoal que aplaude e que dá força, que incentiva. Isso faz a diferença. Isso é o que ela mais curte e o que me motiva”, finaliza.

Uma das principais melhorias que a corrida claramente proporciona é a valorização da vida. A importância de se cuidar da saúde e de se valorizar o que tem. “A gente vê o quão importante é a saúde, estar de bem com a vida, e vê que os nossos problemas não são nada perto de outros”, conta Martha. Além disso, a lição de superação e a inclusão estão sempre presentes. “Para nós que somos mães de pessoas portadoras, é uma briga muito grande para se ter a inclusão de nossos filhos em escolas ou outros lugares. E eu nunca escondi meu filho, sempre achei importante ele estar comigo e sempre esteve. Esse tipo de projeto é uma grande vitória.”

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