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Rodoviários lideram início da greve nos portões da Carris

Bloqueio nos portões da empresa de transporte coletivo impediu circulação dos ônibus. BM acompanhou protestos, mas não houve tumultos

Foto: Nathalia Amaral/Beta Redação

Grevistas protestaram contra as reformas trabalhista e previdenciária na entrada da empresa de transporte coletivo. Foto: Nathalia Amaral/Beta Redação

Ainda na madrugada do dia 28, por volta das 3h, movimentos sociais e sindicais começaram a chegar em frente aos portões da garagem da sede da Carris, no bairro Partenon, em Porto Alegre. A temperatura baixa, por volta dos 10ºC, não intimidou os manifestantes, que faziam batucada para animar o protesto e levavam copos de café e chá nas mãos para amenizar o frio da madrugada.

A presença de outros sindicatos, além dos rodoviários, e movimentos sociais tornou a manifestação mais ativa, segundo o cobrador da Carris Rubens Dobal, há mais de 15 anos na empresa. “Depois da greve de 2012, a categoria não tem mais a mesma força. Agora, com a reforma trabalhista tirando direitos e enfraquecendo os sindicatos, parece que os rodoviários estão acordando, e a participação de vários sindicatos mostra que a greve é por todos”, explica. Rubens acredita que a reforma trabalhista diminui a participação dos sindicatos para que a classe trabalhadora perca força. “É importante que as pessoas saibam que essa luta é de todos, é pelo direito de todos.”

“A greve é um ato contra as reformas trabalhista e da previdência, que tiram os direitos do
trabalhador. Os rodoviários estão na luta. Vamos passar o dia todo mobilizados”, prometeu, no início da manhã, o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Adair da Silva.

Manifestantes tiveram apoio de outras categorias e movimentos sociais no bloqueio aos ônibus. Foto: Nathalia Amaral/Beta Redação

Manifestantes tiveram apoio de outras categorias e movimentos sociais no bloqueio aos ônibus. Foto: Nathalia Amaral/Beta Redação

Guiomar Vidor, presidente estadual da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), destaca a união de movimentos de várias categorias na greve geral. “É importante a participação de todas as categorias nessa luta, e a partir dessa união de forças nós vamos nos reunir no largo Glênio Peres em um ato público por volta das 13h”, afirmou pela manhã.

Atos públicos estão marcados para todo o dia de hoje na Capital, a partir das 13h no largo Glênio Peres e no final da tarde na Esquina Democrática, além das manifestações que já ocorriam desde a madrugada.

A Brigada Militar estava presente na Carris, em pequeno número, com viaturas circulando em torno do protesto. Não houve qualquer tipo de tumulto na madrugada e no início da manhã.

Em decorrência da não circulação dos coletivos, as paradas dos corredores de ônibus da Avenida Bento Gonçalves estavam vazias logo no início da manhã, pois muitos usuários nem saíram de casa devido às noticias sobre as paralisações. Aqueles que conseguiram carona para trabalhar, como o técnico em logística Antony Gonçalves, puderam se deslocar no início do dia. “Meu colega vai me dar uma carona de ida e volta, mas muita gente não
consegue”, contou. Antony acredita que a greve é válida e é contra a reforma trabalhista e previdenciária. “Acho que tem que brigar por direito, sim, e se esse for o jeito, ok.”. A auxiliar de limpeza Jandira Machado até tentou ir ao trabalho, mas acabou desistindo. “Eu vim mais cedo para a parada, mas não passou ônibus e o meu TRI (cartão da passagem) não é aceito na lotação. Vou ter que voltar para casa”, conformou-se.

Ao longo da manhã, apenas lotações – autorizadas a transportar passageiros em pé, inclusive – fizeram o transporte coletivo na Capital.

Sem ônibus circulando, paradas da Avenida Bento Gonçalves ficaram praticamente vazias. Foto: Nathalia Amaral/Beta Redação

Sem ônibus circulando, paradas da Avenida Bento Gonçalves ficaram praticamente vazias. Foto: Nathalia Amaral/Beta Redação

 

Aposentadoria é fator mais preocupante

À tarde, a mobilização continuou na Carris, com uma barricada de pneus em frente aos portões da empresa, e os ônibus permaneceram impedidos de circular. Um dos manifestantes, o rodoviário Stefan Vargas, que há sete anos participa do movimento sindical, afirma que as reformas trabalhista e previdenciária estão sendo bancadas por dois dos partidos mais corruptos do país, o PMDB e o PP. “A classe política, que detém o poder, e os grandes empresários são os únicos beneficiados dessa reforma. Para o trabalhador, isso só traz prejuízo”, avalia. Segundo ele, o pior ponto é o tempo para aposentadoria, pois para muitas categorias a média de expectativa de vida não atinge o tempo necessário para conseguir se aposentar, que seria 69 anos caso o trabalhador começasse a contribuir aos 20. Para Stefan, as movimentações da sexta-feira podem não ser suficientes para impedir a reforma, mas novas mobilizações poderiam provocar mudanças. “O que mete medo nos políticos é o povo nas ruas”, diz, citando uma frase atribuída a Ulysses Guimarães.

Uma funcionária da Carris ouvida pela Beta Redação se manifestou contra a greve, mas pediu para não ser identificada, a fim de evitar animosidade no ambiente de trabalho. (Ulisses Machado)

 

MST protesta em Nova Santa Rita

Na BR-386, em Nova Santa Rita, a manifestação iniciou por volta das 6h. No trecho do Km 433 apenas o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fazia o protesto contra as reformas da previdência e trabalhista. Os manifestantes protestavam trancando a via e colocando fogo em pneus e troncos de árvores. Representantes do movimento não deram entrevista. No local, o clima estava tenso, mas não houve embate entre o movimento e a Polícia Rodoviária Federal. O trecho foi liberado ainda pela manhã com o auxílio de uma retroescavadeira. (William Szulczewski)

 

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