Cultura

Restauração do Museu do Trem deve ser concluída em dezembro

Atrasos por conta de problemas de PPCI e liberação de verba aumentaram em 11 meses o tempo de obra

Locomotivas dos anos 30 e 40 são relíquias expostas no Museu do Trem de São Leopoldo. (Foto:David Farias)

Locomotivas dos anos 30 e 40 são relíquias expostas no Museu do Trem de São Leopoldo. Foto:David Farias/Beta Redação

 

Museu do Trem de São Leopoldo, patrimônio cultural tombado da cidade, conquistou em 2015 a verba para restauração das instalações do armazém, local responsável por abrigar o acervo que não está em exposição, além do setor administrativo do museu. A obra, iniciada em junho de 2015, tinha como previsão ser finalizada em janeiro, mas atrasou e deverá ser entregue apenas 11 meses depois, em dezembro.

Em sua função original, na época em que o transporte ferroviário era o mais utilizado no país, o armazém era o local onde ficavam as cargas que seriam transportadas durante as viagens, como alimentos e encomendas. Com o orçamento de R$ 304 mil, o dinheiro para a restauração – que prevê um novo telhado, climatização adequada e um espaço para a administração – é dividido em R$ 22.578 da prefeitura de São Leopoldo e R$ 282.000 da União.

Segundo a diretora do museu, Lisandra Bittencourt, para que a empresa responsável receba o dinheiro mensalmente é necessário que o Município deposite uma parcela do valor que lhe cabe para que a Caixa Econômica Federal quite o restante. Sobre a origem do dinheiro, a diretora explica que “a inclusão do projeto de restauração em verbas federais só foi possível por conta de uma emenda de autoria da então deputada federal Manuela D’Ávila”.

Em junho de 2015, a obra foi finalmente iniciada, mas em janeiro deste ano o governo federal congelou, sem dizer o motivo, todas as verbas para emendas federais. Apenas em fevereiro o dinheiro voltou a ser repassado à empresa responsável. Mas, de acordo com a Mediadora da Ação Educativa, Jaqueline Salles Vieira, uma vistoria do Corpo de Bombeiros parou tudo novamente, por conta de problemas no Plano de Prevenção Contra Incêndios (PPCI). “Eram coisas pequenas, como um extintor fora do lugar, altura do piso, que logo foram resolvidas, mas atrasaram a obra”, ressalta.

Embora hoje esteja em andamento, ainda é incerto que a obra será concluída em sua totalidade. Isso porque no orçamento constava a reutilização de alguns materiais, como o madeiramento do telhado. Porém, ao assumir a empreitada de reparos, a empresa concluiu que não seria possível reaproveitá-los. Isso acabou fazendo com que a parte de videomonitoramento, previsto no orçamento, fosse cortada.

Por dentro da história

A única restauração pela qual a estação, os carros e as locomotivas expostas no Sítio Histórico – tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE) em 1990 – passaram foi no ano de 1985. Por meio do projeto da Estação de Porto Alegre, que era exatamente igual à de São Leopoldo, foi possível reconstruir toda a estação, mantendo apenas as portas e janelas originais de 1872 – quando foi construída a estação. O local se tornou museu em 1976, ou seja, está completando 40 anos. Fazem parte do Sítio Histório a Praça John Mac Ginity – nome do construtor da primeira ferrovia do Rio Grande do Sul -, os vagões, carros e locomotivas expostas, a estação de passageiros e o armazém.

A representante do IPHAE, Alice Cardoso, explica que o tombamento estadual do Sítio Histórico Museu do Trem significa sua proteção como bem cultural – não podendo ser demolido ou descaracterizado. “Eventuais intervenções são analisadas e aprovadas pelo órgão responsável pelo tombamento, que no âmbito estadual é o IPHAE”, conta Alice. No site do IPHAE é possível ter informações gerais sobre tombamento e o inventário das estações e bens tombados no âmbito estadual.

Horário de funcionamento

Situado na região central de São Leopoldo, na Rua Lindolfo Collor, nas proximidades da Estação da Trensurb, o museu pode ser visitado de terça a sexta-feira, das 8h às 17h, nos sábados e feriados, das 9h às 18h, e domingo, das 14h às 18h. Na segunda, o sítio histórico abre às 13h, porém o museu tem apenas expediente interno. Além da exposição, é possível, no último sábado de cada mês, ver o encontro de carros antigos que ocorre na Praça John Mac Ginity.

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