Economia

Reprogramando as férias

Oscilações no valor do dólar tem feito com que os brasileiros escolham maneiras alternativas de viajar e conhecer novos lugares

Mariana em viagem pela Escandinávia.

Mariana Gershenson em viagem pela Escandinávia.

 

Um dos fatores que tem grande influência na economia de uma localidade, é o turismo. Segundo dados disponibilizados pelo Ministério do Turismo,  ele é responsável por 3,7% do nosso PIB nacional. Mas apesar de sua importância econômica, é visto por muitos como uma atividade de lazer. Sendo assim, no primeiro momento em que os gastos devem ser diminuídos, ele é um dos primeiros itens a ser riscado da lista de consumo.

 

Um dos passeios pedagógicos organizados pela agência de Yasmin.

Passeio organizado pela agência de Yasmin.

 

Yasmin Mesquita Melo possui uma agência de turismo voltado para o ramo pedagógico que realiza viagens escolares para locais dentro do Rio Grande do Sul: Missões, Serra (Bento Gonçalves, Nova Petrópolis, Caxias e Ivoti), Pelotas e Rio Grande. Ela conta que houve uma significativa mudança na quantidade de alunos participantes das excursões. “Se antes da crise iam 3 ônibus para as Missões de um Colégio, ano passado foram 2 e este ano foi só um”, lamenta.

 

 

A oscilação do mercado de viagens

Mas não só quem viaja dentro do país está reduzindo seus gastos. Em janeiro, o dólar chegou a atingir o valor de R$ 4,16. Com isso, as viagens para o exterior começam a ser deixadas em segundo plano. É o que conta a agente de intercâmbios Natalia Kirsch Koff. Atualmente, ela está passando um tempo na Indonésia, mas fala que devido a crise e os valores altos do dólar, o real está muito desvalorizado em várias localidades. Isso tem ocasionado com que as despesas aumentem. “Alguns amigos meus cancelaram viagens para o exterior, e a maioria trocou destinos no exterior por destinos nacionais. Antes se gastava menos por um resort no Caribe do que no Nordeste por exemplo, e agora o jogo virou”.

 

Natália comenta também sobre a questão dos intercâmbios, sua área de atuação. Nesse quesito, ela garante que houve aumento na busca por cursos mais extensos fora do país e que possibilitem uma posterior imigração. “Essa procura aumentou muito nos últimos dois anos, principalmente por pessoas que devido à crise, foram demitidas e agora estão buscando outros caminhos”. Natália ainda atribui o descontentamento das pessoas com relação ao Brasil e que isso está causando um forte movimento emigratório.

 

Essa situação também foi vivenciada por Mariana Conte Lima. Entre 2014 e 2015, ela trabalhou como agente de viagens da CVC. No início de 2015, Mariana pode perceber a diminuição da venda de pacotes  para o exterior, em função da alta do dólar e do euro. “Tive clientes planejando viagens maiores, mas devido a ser donos dos seus negócios, tiveram que desacelerar e esperar pois não estavam em um momento favorável”. Já os que não cancelaram, diminuíram suas exigências para poder chegar a um valor mais acessível.

 

Turismo nacional em alta

Em novembro de 2015, uma pesquisa realizada pela Sondagem do Consumidor – Intenção de Viagem,  divulgada pelo Ministério do Turismo, já demonstrava que 84,1% dos brasileiros preferiam cidades do Brasil para passar o final de ano. Sobre os destinos procurados , o site de viagens TripAdvisor  realizou uma pesquisa também no final de 2015, sobre quais seriam os preferidos para se viajar entre dezembro e março. Em primeiro lugar, apareceu Gramado, seguido por Rio de janeiro, Maragogi, Florianópolis, Porto de Galinhas, Natal, Maceió, Porto Seguro, Fortaleza e Búzios.

 

Gramado - Foto: André Ribeiro

A cidade gaúcha de Gramado é principal destino turístico dentro do Brasil – Foto: André Ribeiro

 

O exterior como preferência

Mas nem todos trocam os destinos internacionais pelos nacionais. Mariana Gershenson prefere encarar uma viagem para fora do país reduzindo sua estadia durante as viagens para compensar a alta do dólar. Segundo ela, em uma de suas últimas viagens, para a Escandinávia, não teve como gastar com nada e até suas refeições saíram prejudicadas. “A Escandinávia é muito cara, mais do que eu imaginei. Uma água custa o equivalente a R$ 10,00”. Mesmo com todas essas restrições financeiras, Mariana não abre mão de viajar para o exterior. “Aqui a gente às vezes gasta mais do que lá fora, a qualidade do atendimento daqui é pior, além da questão da qualidade geral de limpeza e organização dos lugares”, pondera.

 

Letícia Couto Silveira trabalha com comercialização de clube de férias e acredita que a questão do destino escolhido depende muito do gosto de cada turista. Haverá aquele que escolherá uma viagem para local mais próximo e também terá aquele que se programará melhor para um destino mais distante. Como o público que ela costuma trabalhar é pertencente a Classe AA, não houve diminuição nem alterações de roteiros por parte de seus clientes. Para ela, as alterações vieram das outras classes econômicas.

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