Política

A relação das charges com a política

Do célebre O Pasquim aos memes de redes sociais, como as charges políticas influenciam na visão dos leitores

A política possui uma linguagem que para muitos é incompreendida. O jornalismo é a forma mais prática de comunicar ao público os assuntos mais importantes. Mesmo assim, a massa entende pouco das palavras, por vezes rebuscadas, utilizadas pelos atores do cenário político. A verdade é que o jornal impresso se reinventou ao longo dos anos e uma das reinvenções que ajuda na compreensão dos fatos, de uma forma simples e direta, é a charge.
O auge dos desenhos na história do jornalismo brasileiro, sem dúvida, foi durante o regime militar. Nessa época, os jornais eram perseguidos pela censura. Na ditadura, todas as formas de expressão eram rechaçadas de forma veemente pelo governo. Com o surgimento do jornal O Pasquim, as críticas ao governo ganharam um novo tom. Assim como os artistas se utilizavam das músicas, O Pasquim passou a produzir um jornalismo de duplo sentido. E, embora perseguido, era muito difícil de provar que as menções eram mensagens diretas ao governo.
Atualmente, a situação é diferente. Os cartunistas têm maior liberdade, como afirma o jornalista Márcio Reinheimer, que trabalha há 26 anos no Jornal Ibiá, de Montenegro, onde é editor-chefe. “Nosso chargista é remunerado e pode trabalhar com o tema que preferir, mesmo que seja política e no período eleitoral”, relata. O editor conta que as charges são fundamentais porque é um tipo de informação que facilita a compreensão de fatos e situações. “Numa sociedade em que o apelo visual assume cada vez mais importância, a charge é imprescindível até para manter leitores”, afirma. Por isso, o meio de comunicação dá total liberdade para o chargista, pois o leitor sai beneficiado com o material que o artista produzir e o cartunista tem total liberdade para desenhar.
“Versa” tem liberdade para desenhar
Os chargistas e os cartunistas, com o passar do tempo, aprenderam a utilizar as liberdades que lhes foram dadas a seu favor. Dono de uma das charges com o maior número de visualizações dos últimos tempos e vencedor do Prêmio ZH Cartum, Daniel Vercelhese, mais conhecido como “Versa”, diz que o Brasil é o país da piada pronta. “Eu, pessoalmente, gosto e tento levar para o lado do humor, do cartum do cotidiano, piadas universais que representam a idiotice humana nas pequenas coisas, no trivial”, enfatiza. Uma das suas charges, com mais de 1,2 milhões de visualizações somente em uma rede social, foi atacada pelos partidários das mais variadas visões.
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Mesmo que suas charges políticas dividam opiniões, “Versa” garante que nunca foi censurado no jornal que trabalha e que tem sempre liberdade para trabalhar o tema que quiser. O cartunista ainda salienta que o ataque dos haters na internet mostra o sucesso do seu trabalho e que a charge atingiu o principal objetivo: causar uma reflexão social sobre um tema, sem se utilizar de grandes artifícios textuais ou pirotecnias publicitárias.
Hábito de ir “direto para as charges”
O aposentado João Batista Souza dos Santos, de 56 anos, é leitor voraz de periódicos e salienta que um de seus hábitos é ir direto para as charges, pois elas têm o poder de dizer muito sem uma única palavra. Questionado se algum desenho mudou sua opinião sobre algum assunto, respondeu que não, mas argumentou que eles sempre fornecem insights valiosos.
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