Economia

Região metropolitana lidera a inflação nos produtos para unhas

Mesmo assim o mercado da beleza segue oferecendo oportunidade de renda extra

Artigos de unha estão entre os mais caros nos últimos anos. Foto: Corrine Brown/Flickr

Artigos de unha estão entre os mais caros nos últimos anos. Foto: Corrine Brown/Flickr

 

Em 2015, depois de 23 anos, o mercado da beleza sofreu a sua primeira queda, segundo o panorama apresentado pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos – ABIHPEC. Contudo, o recuo não significa que esse mercado entrou em crise, pelo contrário, as empresas brasileiras precisaram remodelar seus produtos a fim de conquistar diferentes públicos. No ano passado, o Brasil voltou a apresentar aumento no faturamento, ficando atrás apenas da China e dos Estados Unidos que são os maiores mercados mundiais da beleza.

Quando o brasileiro passa por uma crise financeira, os últimos gastos cortados são em relação à beleza, segundo pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito do Brasil – SPC. O estudo afirma que 70% das pessoas compram estes produtos mesmo sem precisar, apenas com o objetivo de sentir-se mais bonito ou bonita. Cuidados com os cabelos, cosméticos e maquiagem estão entre os itens mais consumidos. De acordo com a mesma pesquisa, 34% das pessoas economizam o salário mensal para conseguir comprar cosméticos.

Para o consultor de beleza Lucas Rosa, esse tipo de produto gera satisfação para quem compra. Novos públicos estão se interessando por cuidados estéticos, como os homens, pessoas de mais idade e jovens, isso reflete no mercado, que está indo na contramão da crise. “As pessoas podem não conseguir juntar dinheiro para trocar de carro ou para comprar um sofá novo, mas para um batom, perfume ou creme anti-idade, sempre se dá um jeito para apertar o orçamento”, reflete. Os dados do SPC Brasil, confirmam: 11% das pessoas já deixaram de pagar contas fixas do mês para investir em cuidados com a beleza.

Lucas acredita que, diferentemente de outros produtos, no caso dos esmaltes, por exemplo, os clientes priorizam o preço e não a qualidade, fixação e acabamento. “Como as mulheres costumam mudar toda semana a cor das unhas, elas não dão tanta bola para a qualidade do material utilizado”. A manicure Beatriz Carvalho sentiu o aumento nos insumos que utiliza no seu trabalho, sendo que o valor dos esmaltes se sobressaiu entre os demais itens. “Faz dois anos que o salão onde eu trabalho não aumenta o valor cobrado. As manicures acabam ganhando menos porque se repassarmos o valor, as clientes reclamam e deixam de frequentar o local”, relata. A percepção dela é confirmada pelos dados do IBGE. Nos últimos 12 meses, os produtos de unha aumentaram 17,86%, pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo –  IPCA. Já o valor gasto com serviço de manicure subiram 6,22%. Isso significa que, em sua maioria, as manicures estão lucrando menos, pois não estão repassando os valores para a clientela. Embora o valor cobrado pelas manicures tenha aumentado pouco em relação aos insumos utilizados por elas, ainda assim o índice ficou acima da inflação projetada pelo Banco Central para o período, que seria de 4,5%.

Nenhuma outra região metropolitana do país como Porto Alegre registrou tanto aumento no que se refere aos produtos para unhas. Quanto ao aumento do valor dos itens de maquiagem e serviços de manicure, a capital aparece em 2º e 3º lugar, respectivamente. A estudante de direito, Francine Ramos, que costuma fazer as unhas no salão de beleza toda a semana, sentiu a inflação. Ela afirma que há alguns anos pagava cerca de R$ 15 para fazer as unhas da mão. “Os preços aumentaram muito. Antes eu destinava R$ 60 por mês a estes gastos. Hoje, passa de R$ 80”.

 

Segundo o IBGE, os produtos de maquiagem tiveram um acréscimo de 12,22% no valor com a inflação

Produtos de maquiagem tiveram um acréscimo de 12,22% no valor. Foto: Matheus Rigoni

 

Gastos com estética fazem parte da rotina semanal da estudante de moda, Bruna Almeida. Segundo ela, somando gastos com cabeleireiro, manicure, depilação e compra de itens de maquiagem, o valor ultrapassa R$ 300 ao mês. “As pessoas estão se preocupando mais com a aparência e a necessidade constante da exposição em redes sociais pode ser um dos vários motivos que levaram as pessoas a se cuidarem mais”, ressalta. Bruna aposta no mercado da beleza como uma oportunidade de renda fixa, pois essa é uma área que não exige diplomas.

Para o maquiador Andy Rodrigues, além da preocupação das pessoas com a aparência, as marcas nacionais de  maquiagem começaram a investir em produtos de qualidade e, muitas vezes, com valor acessível, que antes eram encontrados somente no exterior. A grande variedade de cosméticos que o país passou a ter depois do investimento das marcas influenciou o crescimento da indústria nacional da beleza, a partir do momento em que não é mais necessário viajar ou encomendar produtos de outros países à procura de qualidade. “Com as redes sociais, o acesso à informação está mais fácil e as pessoas ficam por dentro do que é tendência”, afirma. O maquiador, além de atender em um salão na zona norte de Porto Alegre, oferece cursos de automaquiagem e maquiagem profissional, com valores que variam de R$ 200 a R$ 600. Segundo o IBGE, na região metropolitana, os cuidados com o cabelo e artigos de maquiagem, tiveram acréscimo de 12,26% e 12,22% no preço, respectivamente.

Com o fortalecimento das redes sociais, a opinião das blogueiras passou a interferir no momento da compra. De acordo com Gabriela Fontoura, apaixonada por cosméticos, ela passou a testar certos produtos de beleza através da indicação de blogueiras. “Antes eu não conhecia muitos produtos. Usava qualquer coisa nos cabelos, na maquiagem, nas unhas. Hoje em dia, quando tenho intenção de comprar algo, dou uma pesquisada antes na internet para assistir resenhas que expliquem mais sobre o produto”, declara.

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