Cultura

Quilombo Quintana, a cultura negra em cartaz

A cultura negra ocupa seu espaço dando voz à questão do negro farroupilha

No feriado do dia 20 de setembro todos voltaram suas atenções para a exaltação da cultura gaúcha. A festa, que comemora a Revolução Farroupilha, mostra com orgulho as tradições do gauchismo de liberdade, igualdade e humanidade. Mas, na verdade, a Guerra dos Farrapos pouco se mostrou humana ou igualitária, sendo essa versão da história distorcida e mal representada, principalmente por aqueles que eram escravos e morreram traídos na busca por sua liberdade. Ainda, o Estado tem por hábito cantar com orgulho seu hino, que reforça o pensamento de que “povo que não tem virtude acaba por ser escravo”, e já é passada a hora de dizer um basta. Essa foi a ideia da edição de setembro do projeto Quilombo Quintana, dizer um basta a essas correntes que prendem o racismo e a discriminação de um povo cheio de virtudes e que merece ser reconhecido e exaltado.

O projeto do Coletivo Montigente, em parceria com a Casa de Cultura Mario Quintana, promove todo dia 20 de cada mês, no Teatro Bruno Kiefer, espetáculos teatrais e musicais protagonizados por artistas negros. O evento teve início em novembro de 2015, na Semana da Consciência Negra, e se tornou uma ação para o ano todo. Afinal, como define o diretor do coletivo, Gil Collares, “nós somos artistas negros, somos artistas não só em novembro, mas o ano inteiro”.

No mês de setembro quem ocupou o espaço foi o Hip Hop, movimento que surgiu na cultura negra pela luta dos direitos civis e trouxe, por meio da música, um momento de reflexão para todos, principalmente para os jovens, abordando a questão do negro gaúcho durante o período farroupilha.

 

Quilombo reuniu artistas negros do Hip Hop gaúcho. (Foto: Rafa Marin)

Quilombo reuniu artistas negros do Hip Hop gaúcho. Foto: Rafa Marin

 

Negra Jaque foi quem protagonizou a noite, representando o Hip Hop da mulher negra. Moradora da comunidade Morro da Cruz, em Porto Alegre, e há dez anos na música, leva em suas rimas as falas da comunidade. Como pedagoga e educadora social, ela destaca a importância da educação como transformação da nossa realidade. “Muitos historiadores, artistas e ativistas ligados à educação estudaram e pesquisaram sobre o negro no período farroupilha. Mas a juventude até hoje tem pouca informação. O Hip Hop vem para discutir essas informações. São mais perguntas do que respostas sobre essa data”, afirma Jaque.

Quilombo também homenageou a Mestre Griô reconhecida pelo Ministério da Cultura Sirley Amaro, símbolo da cultura negra da cidade de Pelotas. O evento ainda contou com a presença dos grupos Kanhanga, Afrocalipse e Rafuagi.

 

 

Empoderamento negro

O Coletivo Montigente tem como principal ação o protagonismo e empoderamento negro. Esse crescente movimento de empoderamento é fruto do trabalho que negros e negras fazem há muito tempo, um processo de construção da identidade. O negro escrevendo sua própria história, construindo sua identidade, mostrando seu poder, sua autoestima e o valor da sua cultura, que por tantas vezes é menosprezada.

 

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