Economia

“Quem tem objetivos alcança tudo na vida”, ensina empreendedor

Sandro da Silva Massena passou de vendedor a dono de empresa com 22 funcionários em SC

O empreendedor Sandro Massena em atividade./ Foto: Arquivo pessoal

O empreendedor Sandro Massena em atividade / Foto: Arquivo pessoal

A frase de Sandro da Silva Massena, 34 anos, a princípio pode parecer clichê, mas traduz a personalidade dele próprio: “Quem tem objetivos alcança tudo na vida”. Aos 17 anos, já atuava na área de vendas. Trabalhou primeiramente no extinto Baú da Felicidade. Em 1999 vendia de planos de saúde. E no ano seguinte foi contratado para trabalhar no estoque de uma loja de lingeries de Porto Alegre. Astuto, passou a absorver informações específicas sobre a matéria-prima dos produtos com os quais lidava. Logo percebeu que os representantes que chegavam à loja não sabiam explicar bem o que estavam vendendo.

Atento às possibilidades do mercado que acabara de conhecer, em 2001 se tornou representante de uma fábrica de lingeries de Santa Catarina. Com sacrifício, foi juntando dinheiro para uma realização maior: ser dono do próprio negócio. “Descobri que as representações iriam acabar, porque as empresas queriam reduzir custos. Com o advento da internet, a função que eu exercia estava cada vez mais em baixa”, lembra o rapaz.

Em 2008, o jovem convidou a companheira Cintia Xavier, 34 anos, para saírem de Guaíba rumo a uma vida nova em Ilhota (SC). “Vendi tudo que tinha no Rio Grande do Sul. Ilhota tinha aproximadamente 10 mil habitantes e era virgem no segmento”, recorda o empreendedor. Chegando ao lugarejo, alugou uma casa para morar e uma sala comercial na qual montou a própria loja de moda íntima. O investimento inicial foi de R$ 100 mil. Atualmente o empresário de origem pobre é possuidor de um bom patrimônio, gera 22 empregos diretos e 200 indiretos.

Massena trabalha de segunda-feira a sábado, 16 horas diárias. Reserva o domingo para a família, principalmente para satisfazer as vontades da filha Ysadora, 6 anos. Quando perguntado sobre as dificuldades que enfrentou para atingir o patamar atual, ele toca em uma ferida brasileira e é enfático ao afirmar: o racismo. “Além da minha pouca idade, ser negro, numa cidade pequena e de colonização europeia, foi complicado. As pessoas ficavam muito desconfiadas. Certa vez, pela forma árdua como trabalho, ouvi de um habitante local, em tom de brincadeira: ‘Acho que você não é negro, deve ser só um insulfilme na sua pele’”, recorda.

O empresário, que não possui formação superior, realiza um planejamento pessoal com os objetivos pretendidos a cada cinco anos. Para ele, além do próprio esforço, o sucesso que atingiu é fruto do conhecimento adquirido com pessoas mais velhas e experientes, com as quais teve a sorte de conviver, ouvir e aprender. “Eu aprendo com o erro dos outros”, diz. Em sua trajetória, afirma ter apenas uma frustração. “Pago R$ 50 mil mensais em impostos e não recebo nenhum benefício do governo. A carga tributária brasileira é arrasadora”, critica.

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