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Queijo? Leite? Bolo? Não posso!

Quase metade da população brasileira possui intolerância a lactose. Você faz parte desse grupo?

Existe algo mais saboroso que uma pizza coberta por uma espessa camada de queijo derretido? Daquelas que, quando cortamos uma fatia e levamos até o prato, um rastro de fios do queijo quente é deixado para trás. Agora imagine se de uma hora para outra você descobrisse que não pode mais ingerir esse tipo de alimento. Nada de queijo na pizza, nada de bolo, nada de chocolate, nada de leite.

Isso ocorreu com a auxiliar de administração Bruna da Rosa Basso, de 26 anos. Desde pequena, sentia um certo desconforto estomacal sempre que ingeria seu leite com achocolatado pela manhã. No início, acreditou que o hábito de comer algo no café era que lhe trazia esse problema, então optou por abolir a refeição em seu dia. Com o passar do tempo, os desconfortos se tornaram dores fortes e, depois de várias idas ao hospital e exames até para uma possível úlcera, descobriu que na verdade o que ela tinha era intolerância à lactose.

A nutricionista Aline Furlan explica que intolerâncias alimentares acontecem quando, em um certo momento, nosso organismo passa a “rejeitar” um determinado alimento por causa de algum elemento presente em sua composição. Os sintomas geralmente iniciam na infância, entre o primeiro e o terceiro ano de vida, porém nada impede que se manifestem tardiamente. Segundo a especialista, “qualquer indivíduo, em qualquer fase da vida, pode ser surpreendido com uma repentina intolerância ou alergia a determinado elemento”.

Calcula-se que, no Brasil, 40% da população tenha intolerância à lactose. Entre as intolerâncias alimentares, essa é a mais frequente e é causada pela falta da enzima (lactase) responsável pela digestão do açúcar presente no leite (lactose).

Marina Renthel, de 45 anos, faz parte desse grupo. Assim como a de Bruna, sua descoberta não ocorreu na infância: foi diagnosticada no ano passado. Além dela, o filho, Renato, de 19 anos, também tem o problema. Como apresentavam os mesmos sintomas, sendo Renato com menos intensidade, descobriram ao mesmo tempo o que os incomodava.

Aline explica que existem algumas semelhanças entre alergias alimentares e intolerâncias, sendo os sintomas uma dessas similaridades. Porém, é importante saber que a alergia ocorre quando o sistema de defesa no organismo reconhece uma substância alimentar como perigosa e ativa o sistema imunológico para “se defender”. Já na intolerância alimentar, o que acontece são reações ocasionadas pelos alimentos, mas que não envolvem o sistema de defesa (imunológico). Ao contrário das alergias alimentares, que podem eventualmente melhorar ao longo do tempo, as intolerâncias são permanentes na maioria dos casos.

É o caso de Bruna, que aos 22 anos foi diagnosticada com um índice de 92% de intolerância à lactose. Inicialmente, ela sentia muito enjoo, passando por um desconforto estomacal muito forte e até mesmo refluxo, que ocasionava feridas em sua garganta, impossibilitando-a de comer. Esses são sintomas do problema, que ainda pode gerar cefaleia, dor nas articulações, fadiga, abdômen dilatado, prisão de ventre, diarreia e mal-estar em geral.

Após receber o diagnóstico, a auxiliar de administração se sentiu frustrada, pois seu alimento fundamental precisou ser retirado do cardápio. Bruna costumava consumir, em média, três copos de leite por dia, sem contar o queijo, presente em diversas refeições. A nutricionista esclarece que esse é o tratamento padrão para a maioria das intolerâncias: a redução e até retirada total do alimento que cause os sintomas. Será necessária uma mudança no cardápio e, dependendo do grau do problema, é importante fazer um acompanhamento e planejamento alimentar com um especialista, para que ocorra a ingestão dos nutrientes essenciais para a manutenção e reposição orgânica adequada.

É o que ocorre com Marina, que já recebeu um diagnóstico bem mais preocupante. Sua intolerância batia nos 99%. Renato, como teve sua descoberta ainda jovem, é o que menos tem problemas, sendo sua intolerância de 89%. Marina, porém, necessita de uma dieta especial, que é acompanhada por um nutricionista especializado.

No caso da intolerância à lactose, a retirada ou redução do leite e seus derivados vai depender de cada caso. Algumas pessoas podem ingerir pequenas quantidades dos derivados do leite sem consequências. Inicialmente, Bruna precisou cortar todos os alimentos que possuíssem a lactase, o que foi uma dificuldade, pois na época poucos alimentos zero lactose existiam para substituí-los. Bruna conta que se sentia muito mal ao sair com amigos e familiares e vê-los ingerindo vários alimentos que ela não poderia nem chegar perto. Hoje em dia já é possível que ela consuma uma pequena quantidade se passar longos períodos evitando a lactase.

Aline explica que logo após o diagnóstico as pessoas passam por um período de ajustes alimentares e emocionais, pois a mudança de hábitos requer uma desacomodação necessária ao que já fazia parte da rotina e uma posterior adaptação à nova condição. Ela recomenda o acompanhamento de uma nutricionista para essa primeira fase de transformação, pois não há um tratamento capaz de acabar com a intolerância, no entanto, pode-se através da suplementação da enzima digestiva (cápsulas de lactase) aliviar os sintomas em alguns casos.

Hoje, já é possível encontrar uma gama de produtos específicos para quem tem o problema, são os conhecidos “zero lactose”: natas, leites, cremes de leite, iogurtes, queijos e até leite condensados já aderiram a esse novo ramo alimentício, mas ainda são poucas marcas disponíveis, e os valores são altos. A nutricionista alerta que mesmo assim é importante sempre ler os rótulos dos produtos que se está comprando, para confirmar que não haverá problemas posteriores.

Se você possui alguns dos sintomas listados, procure um nutricionista. Caso você seja diagnosticado, não se desespere! A gente lista aqui alguns alimentos que são sem lactose e que a diferença no sabor é quase imperceptível!

A marca “Piracanjuba” foi a mais recomendada pelos nossos entrevistados, e é possível encontrar os seguintes produtos zero lactose:

  • Achocolatado pronto
  • Leite Semidesnatado
  • Leite Desnatado
  • Leite Integral
  • Creme de Leite
  • Leite Condensado
  • Doce de Leite

Fora isso, é possível realizar diversas receitas como se fossem as tradicionais! Dá uma olhada nessa aqui:

Bolo Brigadeirão (Sem lactose  e sem glúten também!)

 

Para a massa:

7 ovos

7 colheres de sopa de açúcar

10 colheres de sopa de chocolate em pó

3 colheres de sopa de creme vegetal

3 colheres de sopa de óleo

1 colher de sopa de fermento em pó

50 gramas de coco ralado

50 gramas de chocolate granulado sem lactose

Creme vegetal e farinha para untar e polvilhar

 

Bata todos os ingredientes no liquidificador até ficar homogêneo.

Transfira a massa para uma forma de pudim (com furo no meio) untada com creme vegetal e polvilhada de farinha de trigo.

Coloque no forno pré-aquecido no fogo médio (180 graus) por aproximadamente 1 hora.

Desenforme depois de frio.

 

Cobertura de Chocolate Sem Lactose:

50 ml de leite de soja

1 colher de sopa de creme vegetal

12 “quadradinhos” da barra de chocolate Garoto 55% cacau (cada barra vem com 20 quadradinhos)

 

Numa panela de fundo grosso, coloque o leite de soja e os quadradinhos.

Leve ao fogo baixo até o leite amornar e os chocolates começarem a derreter.

Tire do fogo e mexa bem até os chocolates derreterem por completo.

Adicione a colher de creme vegetal e mexa bem até ficar brilhante.

Com uma espátula, espalhe a cobertura no bolo que deve estar frio.

Polvilhar o chocolate granulado.

 

Para mais receitas como essa, especialmente para intolerantes a lactose, acesse aqui! 

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