Cultura

Queermuseu é o lacre que ninguém esperava

Exposição encerrada antes do prazo no Santander Cultural recebe manifestação de apoio

 

 

  Os manifestantes chamam o fim da exposição de censura / Foto: Jéssica Martins

 

No Centro de Porto Alegre, alocados em frente ao prédio institucional do Santander Cultural, grupos começam a se formar contra o encerramento da exposição Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira. Manifestantes defendem a livre expressão da arte através de protesto com representações artísticas, música e gritos de luta.

Aberta a visitação desde 14 de agosto com previsão para ficar em cartaz até o dia oito de outubro, a exposição de arte foi encerrada mais cedo devido acusações de apologia à zoofilia, pedofilia e blasfêmia.

Durante a tarde de terça-feira diversas pessoas fizeram frente aos imponentes portões fechados do Santander Cultural. A Praça da Alfândega ficou cheia de movimentos sociais que bradavam que a arte não deve ser censurada. Junto aos manifestantes circulava o Curador da mostra Gaudêncio Fidélis, que afirmou não ter sido consultado pela Entidade sobre o encerramento da exposição.

A manifestação foi organizada pela ONG Nuances- Grupo Pela Livre Expressão Sexual. O coordenador geral do movimento Célio Golin deu seu depoimento. “Inadmissível o que está acontecendo, como a temática (da exposição) abordava as questões LGBT viramos bode expiatório, mas se trata de algo muito maior. A mensagem que uma entidade do tamanho do Santander passa é que vai ceder a grupos de extrema direita”, argumenta.  

A ONG acionou judicialmente o banco Santander através do Ministério Público, ainda segundo Célio os argumentos apresentados pela entidade para o encerramento da exposição não apresentam uma base bem fundada. O texto levado ao Ministério Público ainda ressalta trecho da Constituição Federal que diz que todos são iguais perante a lei e que é livre a expressão de atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura.

Conforme ia avançando o ato os manifestantes favoráveis ao fechamento da exposição foram aparecendo, instigando manifestantes contrários ao fechamento e usando telefones celulares para gravar os rostos, os manifestantes foram vaiados aos gritos de fascistas. A polícia escoltou os manifestantes para longe do ato.

Autor do pedido de fechamento da exposição Felipe Diehl e um dos administradores da página no facebook “Direita ao Vivo” ele foi uma das caras do movimento contrário ao conceito de arte contemplado na exposição Queermuseu. Sobre o envolvimento do MBL no fechamento da mostra Felipe ainda afirmou que a cúpula do movimento nunca esteve em visita a obra e que teriam se ocupado de sua denúncia quando já estava na mídia.

Diehl conta que soube da exposição devido à outra página social ligada ao movimento de direita e admite que fez uma filmagem dentro do museu para colocar nas redes sociais. “Pintaram como uma obra de arte uma perversão, associaram a igreja, denegriram a religião, vilipêndio é crime. Ninguém está falando sobre arte. Falaram sobre censurar arte, não se trata disso, não foi uma exposição que foi fechada foi uma casa criminosa”, expressou Felipe.

Em contraponto Lucas André, presente na manifestação conta que sempre frequentou o museu e que a arte serve para a evolução e auxilia na quebra de tabus sociais. Ligado ao movimento LGBT para ele é necessário que as pessoas se sintam representadas nos espaços e que o tema seja abordado desde a infância.

“O museu serve para contar o que está na nossa história e o mundo se atualiza, isso se transpõe na arte. Precisamos parar de rotular, a arte é uma forma de demonstrar o que desperta sentimentos intrigantes”, explicou Lucas.

 

Manifestante expõe sua critica ao fechamento da exposição/ Foto: Jéssica Martins

 

Entre todos os tipos de manifestações que o debate em torno da exposição acendeu foi possível notar o movimento político inflado por trás de argumentações que deveriam ser apenas em torno da arte. Bandeiras ligadas a movimentos de partidos políticos foram erguidas, entre as quais também circulavam autoridades. O protesto que seguia pacífico ganhou reforço da polícia que jogou bombas de gás lacrimogêneo contra os presentes, até o fechamento dessa matéria foi constatada a prisão de um jornalista e um morador de rua que já foram liberados.

A arte não deve ser censurada defendiam os manifestantes/ Foto: Jéssica Martins

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