Economia

Quanto vale o dinheiro?

Moedas e cédulas raras podem valer milhares de reais

Aquela moedinha de cinco centavos, apesar de nunca aparecer na hora que precisamos facilitar o troco da passagem de ônibus, não é considerada uma raridade. E a nota antiga de cinquenta cruzeiros que você achou no fundo do baú da vovó e que não será aceita nem padaria, pode ter ainda um bom preço para alguém. Para maioria das pessoas, essa diferença pode não ser muito clara. Sem o devido conhecimento, uma peça rara pode ser considerada apenas uma moeda velha nas mãos de um leigo. Para saber mais sobre o assunto, a numismática é a ciência que agrega esses conhecimentos e está atraindo cada vez mais interessados ao tema.

 

Paulo Junges, proprietário da Filatélica Zeppelin - Foto: Luis Felipe Matos / Beta Redação

Paulo Junges, proprietário da Filatélica Zeppelin – Foto: Luis Felipe Matos / Beta Redação

 

Paulo Ricardo Junges é dono da Filatélica Zeppelin, referência no mercado de itens colecionáveis em Porto Alegre desde 1974, e também expõe suas peças no Brique da Redenção aos domingos. Entre selos raros, revistas antigas e outras diversas peças dispostas na sala comercial no Centro Histórico da capital, destacam-se expositores de moedas e catálogos de cédulas do mundo inteiro. Nesses catálogos, podemos verificar a história e a cotação de peças cunhadas e impressas há mais de quatro séculos e que hoje podem valer milhares de dólares.

 

 

Paulo conta um pouco sobre os aspectos que definem a avaliação de moedas e cédulas. “O primeiro aspecto que verificamos é a raridade. Como exemplo, a moeda da coroação de D. Pedro I, de 1822, cunhada em ouro e que chega a valer aproximadamente R$ 600 mil pois deve haver umas 15 peças conhecidas nas mãos de colecionadores.” Contudo, a avaliação também leva em conta o estado de conservação da peça. “Uma peça gasta só será considerada se for extremamente rara”, afirma Paulo Junges. Outro aspecto que pode definir o valor de uma cédula ou moeda é um defeito em sua produção, que acabam dando uma característica única de determinada série. Até cédulas falsificadas podem ser consideradas peças de coleção.

SCCOPO_1882O colecionismo de moedas e cédulas está em alta. “O mercado anda de vento em popa. Organizamos em média pelo menos dois encontros mensais em cidades de todo o país.” São encontros que cada vez mais atraem interessados em começar a colecionar e negociar moedas e cédulas. “Tivemos um boom no mercado de numismática com o lançamento da série comemorativa de moedas dos Jogos Olímpicos de 2016.” O sucesso foi tão grande que foram produzidos álbuns temáticos não oficiais que chegaram a ser exportados para vários países. Paulo destaca a China que importou grande parte dos álbuns feitos para essa série.

No mesmo prédio, em outra sala comercial, está a Numismática Real, de Marcelo Moraes Carvalho. Vizinho de porta da Zeppelin, Marcelo começou a dedicar-se ao negócio de itens colecionáveis há dois anos, por influência de seu padrinho de consideração, Paulo Junges. Sua clientela abrange pessoas de várias classes sociais, desde juízes procurando novas peças para suas coleções, passando por quem recebeu uma coleção como herança e pretende avaliá-la, chegando a catadores de rua.

 

Marcelo Carvalho, proprietário da Numismática Real - Foto: Luis Felipe Matos / Beta Redação

Marcelo Carvalho, proprietário da Numismática Real – Foto: Luis Felipe Matos / Beta Redação

 

Como um rapaz que entrou na loja durante a entrevista. Ele ofereceu três moedas, duas delas estrangeiras que estão em circulação e uma de 400 réis, nacional, em mau estado de conservação. Por elas, o rapaz recebeu R$ 1,00, “para ele não perder a viagem” conforme falou Marcelo. Ele entende que muita gente não tem conhecimento a respeito da numismática. “Para quem pretende começar a colecionar ou mesmo negociar moedas e cédulas é interessante comprar um catálogo” recomenda Marcelo Carvalho.

 

O colecionador

Arabután Antônio Menezes é cliente da Filatélica Zeppelin há 9 anos. Desde jovem, através dos volumes da Enciclopédia Delta-Larousse, a história mundial lhe fascinava. Apesar disso, a dedicação ao colecionismo começou recentemente. Apesar disso, com a ajuda de Paulo Junges, Arabután já conta com um belo acervo de cédulas, moedas, selos e cartões postais de vários lugares do mundo.

Arabután Menezes, colecionador de moedas - Foto: Luis Felipe Matos / Beta Redação

“Sou atraído pela história e pela beleza das peças”, declara Arabután Menezes, assíduo frequentador  de briques, filatélicas e numismáticas de Porto Alegre. Foto: Luis Felipe Matos / Beta Redação

 

Quanto custa a nossa moeda

Além do valor de face, o custo de produção das cédulas e moedas em circulação é um outro valor que deve ser considerado. Conforme informação do Banco Central do Brasil, a última contabilização do custo de produção do numerário em circulação (dezembro de 2016) chegou aos seguintes valores.

Fonte: Banco Central do Brasil

Fonte: Banco Central do Brasil

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