Economia

Qual o novo vilão das compras do brasileiro?

O atual é o Feijão. No entanto, qual será o próximo?

Oitocentos e oitenta reais. Atualmente, esse é o salário mínimo nacional. O  mesmo deve ser suficiente para manter uma família de 4 pessoas alimentadas, abrigadas, e com o mínimo de “conforto” suficiente. Numa conta simples, é fácil contabilizar que a cesta básica, de antemão, compromete 50% da renda dessa família. Em São Paulo e Porto Alegre, duas capitais com a cesta básica mais cara do país, que custam R$ 475,11 e R$ 474,34, o valor passa da metade do salário mínimo, e nem começamos a contar os outros gastos inerentes a qualquer família.

No entanto, além dessa conta que não bate, as pessoas vêm tendo de conviver com outro problema: o vertiginoso e esporádico aumento de alguns do produtos da cesta básica – e da mesa dos brasileiros. O último vilão das compras do supermercado foi o feijão, que chegou a custar R$ 18,00, o Kg. Porém, nos últimos anos, outros alimentos também sofreram com o mesmo fenômeno. Conforme o infográfico, percebe-se a variação de outros produtos:

 

 

As pessoas, num âmbito geral, entendem esse tipo de variação de preços como reflexo da crise. A dona de casa aposentada Dolores Baratto, 54 anos, aposta que a situação econômica atual que o país vive teve início no final de 2014, e que muitos setores vêm sofrendo com esse “recesso”. “Em 2014, foram aumentos sutis em itens básicos. Quando, em 2015,  já com mais aumentos,  a crise se alastrou. Acabando na situação que está agora. Começa na batata, cebola e feijão, passando por produtos de limpeza e itens básicos de higiene, chegando ao setor de serviços e absurdo aumento nos combustíveis. Isso é a crise. As pessoas tendo que abdicar de velhos costumes, e não dando conta das coisas básicas”, explica Dolores.

A Agente Comunitária de Saúde, Liane Teresinha Klein, 56 anos, acredita que, apesar da crise, existem formas de evitar que ela prejudique as pessoas. “A crise está aí faz três anos, senti muito no bolso a conta de luz e os produtos de hortifrutigranjeiros. No entanto, acredito que não existe crise se a gente poupar. Fala-se muito em falta de emprego, mas quem quer trabalhar, consegue, pode ser até cortando grama”, coloca a Agente Comunitária de Saúde.

 

O quilo do feijão chegou a custar R$ 18,00 em meados de 2016 (Foto: Guilherme Rossini / Beta Redação)

O quilo do feijão chegou a custar R$ 18,00 em meados de 2016 (Foto: Guilherme Rossini / Beta Redação)

 

Maximiliano Zuge, tecnólogo em administração de empresas, com especialização em gestão de negócios, crê que o país não vive em crise. “Não acredito que estejamos vivendo uma crise no Brasil, mas um breve percalço. A crise, essa sim, ainda virá e aí, sim, será devastadora, principalmente para os menos favorecidos. Se o que estamos passando hoje pode se chamar de crise, então sempre vivemos em crise até há alguns anos atrás, durante os governos conservadores”, explica Zuge. Já Mosar Leandro Ness, mestre em administração de empresas e professor na Universidade de Caxias do Sul (UCS), pensa de forma diferente. “A crise iniciou com o processo de repartição da riqueza, no governo Lula. O aumento do salário ficou atrelado ao aumento da produtividade e com essa veio o aumento da taxa de lucro dos empresários,  o aumento da acumulação do capital e o aumento do consumo social. O governo Dilma acelerou o processo, os salários subiram mais que a produtividade, com isso a taxa de lucro dos empresários diminuiu, e com essa a redução da acumulação do capital e o consumo social caiu”.

Para Zuge, a variação no preço dos alimentos é algo normal, e que sempre acontecerá. “Estas alterações são cíclicas, previstas e sempre acontecerão. Os produtos agropecuários serão sempre vilões em algum momento, determinados pela escassez de produto para oferta, principalmente nas entressafras e nas frustrações de safras”. O professor da UCS crê, que além desses fatores, há outras questões que influenciam na variação do preço dos alimentos. “Como nosso governo não tem o hábito de criar e manter estoques reguladores para grãos, do tipo feijão. Qualquer suspiro leva à alta dos preços, além, é lógico, desses serem influenciados pela inflação de custos, como o aumento da energia elétrica, dos combustíveis e também dos defensivos agrícolas que são cotados em dólares”, explica Ness.

O mestre em administração de empresas complementa que nos próximos meses, o novo vilão nos supermercados já está definido. “Teremos altas nos itens derivados do trigo, pois com as chuvas aqui e na Argentina, a safra será prejudicada. Se a estiagem nas regiões produtoras de energia elétrica perdurar, teremos que adotar uma tarifa vermelha nas contas de energia e isso irá impactar em toda a cadeia produtiva”. Ou seja, para Ness, pães, massas e a conta de luz devem subir de preço nos próximos anos.

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