Cultura

Projeto “Amélia” protesta contra machismo por meio de colagens nas ruas

Pode ser em algum poste ou muro, tanto faz, a intenção é transformar o mundo com a arte exposta em locais públicos

Foi através da arte urbana que duas meninas de Porto Alegre decidiram expor os problemas causados por uma sociedade retrógrada e machista. Com apenas um litro de cola, pincel de rolo, criatividade e muita vontade de lutar pelo fim da opressão que surgiu o projeto Amélia. Trata-se de uma iniciativa que tem como objetivo protestar contra o preconceito por meio de lambe-lambes com frases feministas nas ruas da Capital.

Diferentes dos stickers, os lambe-lambes são cartazes colados em espaços públicos com cola caseira ou comprada. O projeto começou depois da estudante Renata Duarte, 25, sofrer de algo que é extremamente comum na vida das mulheres: o assédio. “Saí de casa para passear com o meu cachorro e fui assediada por todos os homens que estavam na minha rua”, conta.

Renata se sentiu coagida e obrigada a voltar para casa, pois se tornou impossível andar pelo seu bairro. Chegando em casa, após seu passeio ter sido interrompido, pensou em criar cartazes para colar pelo bairro com frases contra o assédio, explicando o porquê disso impedi-la de andar na rua.

No mesmo dia, ela recebeu uma ligação da publicitária Júlia Bittencourt, 26, que também queria criar um projeto que abordasse temas relacionados ao feminismo. “Um dia depois, a gente já se encontrou, criou e deu o nome Amélia para a iniciativa”, conta.

O nome do projeto é uma alusão ao samba de Mário Lago e Ataulfo Alves, que retrata Amélia como mulher de verdade, porque lavava, passava e não tinha vaidade. Renata e Júlia queriam dar uma nova cara à Amélia, tornando-a totalmente diferente dos padrões que foram, e ainda são, impostos à mulher pela sociedade.

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Foto: Reprodução/Facebook

Então, elas passaram a produzir os lambe-lambes e a selecionar pautas que estavam acontecendo no momento e necessitavam de atenção, a fim de criar a arte em cima disso. “As pautas vão desde assédio, aborto, educação, representatividade, homenagem às mulheres que também lutaram por essas causas, até um mergulho profundo no universo feminino”, explica Renata.

O projeto colocado em prática

Depois do momento de criação, elas saíram às ruas para colar seus cartazes, a fim de que todos pudessem vê-los.  Já organizaram mutirões, como o evento “Cola junto”, percorrendo regiões de Porto Alegre. Além disso, distribuem as artes para que as pessoas possam colocá-las em bairros diferentes. “Às vezes, olho pela janela do ônibus e vejo um cartaz colado em algum bairro”, conta Renata.

Segundo Júlia e Renata, as respostas das pessoas foram positivas, tanto na rua quanto no meio digital. Quando saem para colar pelas ruas da Capital, é rotineiro as pessoas pararem para ler, conversar, contar situações que passaram semelhantes ao retratado, ou até mesmo discutir. Porém, o meio digital foi mais longe, já que elas também disponibilizam as artes na página do Facebook, para que todos possam imprimir e colar pelas cidades.  “A gente já viu a arte colada em universidade de Salvador e em Berlim. É impressionante ver como uma ideia pode caminhar pelo mundo”, afirmam.

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Foto: Reprodução/Facebook

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Foto: Reprodução/Facebook

Conforme explica Renata, não são só duas, mas muitas pessoas que, agora, fazem parte do projeto. São artistas que também contribuem com diferentes artes, ideias, fotos, ilustrações e aprendizados. A Amélia passou a ser aberta para todas as pessoas que querem participar do processo de criação e atuação na rua.

Essa resposta positiva enche as idealizadoras de esperança de que as coisas possam mudar, que as ideias e a arte possuam força para unir pessoas e que, até mesmo através do mundo digital, seja possível modificar e transformar o mundo real. “A gente sente o impacto da mudança todos os dias, e isso nos motiva a lutar mais e mais”, afirma Renata.

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Foto: Reprodução/Facebook

Quer conhecer mais sobre o projeto? Pode acessar a página Amélia no Facebook ou o Instagram Mulheres Amélia.

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