Esporte

Projeto da Unisinos une esporte e movimento ao trabalho social

Através do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência de Educação Física, alunos de licenciatura têm oportunidade de lecionar em escolas públicas do Vale do Rio dos Sinos

Assim como uma equipe esportiva precisa de planejamento, trabalho e colaboração para vencer desafios e oponentes, o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) do curso de Licenciatura em Educação Física da Unisinos atua em conjunto para levar o melhor das culturas corporais de movimento até o ensino público.

Desde 2010, quando o governo federal implementou o programa nas diretrizes do Ministério da Educação (MEC), todos os cursos de licenciatura das universidades passariam a incluir editais que, à sua maneira, oportunizariam aos universitários a prática da docência em seus currículos acadêmicos.

Logo depois, em 2012, a Unisinos abriu o primeiro edital do Pibid da Educação Física, e a partir de então surgiu a chance de aprimorar a forma como a disciplina é lecionada em escolas públicas da região do Vale do Rio dos Sinos. Segundo o professor Ednaldo Filho, coordenador do curso de licenciatura em Educação Física da Unisinos e coordenador do Pibid Educação Física da universidade, a abordagem do programa atravessa o tema do esporte.

“Buscamos, principalmente, oportunizar a vivência e a aprendizagem das culturas corporais de movimento, que são os esportes, as ginásticas, as lutas, as danças e os jogos. Nosso grande desafio é incentivar nossos alunos a planejar, executar e avaliar a aplicabilidade dessas culturas no espaço de ensino”, explica.

Para ele, o programa é uma ação de múltiplas funções, sendo uma grande oportunidade de aprendizado para os bolsistas, supervisores, coordenadores e, claro, alunos. Conforme o coordenador, a estratégia é inserir um aluno de graduação em um universo real de trabalho. “Eles são imersos na realidade da escola, aprendem a ser professores, simplesmente sendo professores, assumindo tarefas e responsabilidades do cargo”, destaca.

 

(Crédito: Dominique Nunes)

(Arte: Dominique Nunes)

 

Para fazer parte do Pibid, Ednaldo explica que é necessário estar vinculado regularmente ao curso de Licenciatura em Educação Física da Unisinos e passar por um processo seletivo. Nele, são avaliados os currículos dos candidatos e é realizada uma entrevista coletiva, na se esclarece a função do programa e são coletadas as informações de disponibilidade dos alunos.

É preciso ter oito horas disponíveis por semana, em pelo menos dois turnos que sejam compatíveis com as escolas participantes. “O aluno que é encaminhado para determinada escola, precisa estar presente nas reuniões de planejamento. Ele não vai para a instituição simplesmente atuar, mas planejar as aulas junto dos professores de forma participativa”, observa o coordenador.

Para Ednaldo, um dos grandes problemas na área escolar é que os professores planejam de forma solitária, muitas vezes. “Uma das grandes premissas na área da educação é que você desenvolva um trabalho coerente, e que essa equipe de atuação planeje coletivamente. É isso que o Pibid preza”, relata.

 

A importância e a organização do Pibid

Atualmente, oito instituições de ensino público de São Leopoldo e Novo Hamburgo recebem os alunos do Pibid da Educação Física da Unisinos. As escolas municipais Olímpio Vianna Albrecht, Mário Sperb, Castro Alves, Irmão Weibert e os colégios estaduais Caic Madezzatti, Emílio Sander, 25 julho e o Instituto Estadual Parque do Trabalhador são o campo de atuação dos bolsistas.

William Vinicios da Silva, educador físico egresso do curso da Unisinos e ex-bolsista do Pibid, lembra que para verificar a realidade de cada escola são feitos inicialmente um questionário e uma série de entrevistas com funcionários e alunos. Com esses dados, os bolsistas, em conjunto com os professores da instituição e da universidade, desenvolvem projetos de intervenção na escola, que podem durar algumas horas ou até meses.

“Quando atuei no Colégio 25 de Julho, por exemplo, foi identificado um interesse dos alunos em artes marciais. Em uma manhã convidamos atletas faixa-preta de taekwondo para fazer uma oficina na escola com os alunos interessados. Foram feitas uma apresentação sobre a história da arte marcial e uma oficina prática com os alunos. Em outra escola foi realizado um projeto que durou meses sobre o rugby, no qual foram ensinados os fundamentos da modalidade, as regras, e foram adquiridos, com verba do Pibid, materiais esportivos para a prática da modalidade”, conta.

O coordenador Ednaldo também revela que há escolas onde se desenvolve o esporte de aventura rapel, adaptado para a realidade do local, de forma indoor. Além disso, também o slackline, as danças gaúchas, o funk e o hip hop. “Mais um exemplo de adaptação feito pelos bolsistas é o rugby no touch, que tem a ideia de menor contato físico possível para evitar certos acidentes. Também desenvolvemos o resgate das culturas lúdicas, como o taco-bola”, acrescenta.

 

Rapel

Rapel indoor é prática dos alunos beneficiados pelo Pibid da Educação Física da Unisinos. (Foto: Divulgação Pibid Unisinos)

 

Slackline faz parte da programação das aulas de Educação Física das escolas participantes do PIBID da Educação Física da Unisinos. (Foto: Divulgação PIBIDEF Unisinos)

Slackline faz parte da programação das aulas de Educação Física das escolas participantes do Pibid da Educação Física da Unisinos. (Foto: Divulgação Pibid Unisinos)

 

Bianca Flores Simon, uma das atuais bolsistas do Pibid, afirma que é necessário aplicar pelo menos quatro avaliações nos alunos das escolas. É por meio de quesitos como prova teórica, participação, roupa adequada para a prática dos exercícios e trabalhos de pesquisa e apresentação para a turma que a estudante percebe o entendimento dos participantes acerca de um esporte, jogo, dança, luta ou ginástica.

Ela recorda que, quando estava no ensino fundamental, a Educação Física não era uma atividade dinâmica ou orientada. Por isso, atualmente e por meio do Pibid, busca proporcionar aos alunos o conhecimento das diferentes culturas corporais de movimento. “O esporte possui um grande potencial de socializar indivíduos das mais diferentes classes, e é por isso que todos têm direito ao acesso dele dentro da escola, pois sua prática traz benefícios tanto para a saúde física quanto mental, além de contribuir para a construção da cidadania de crianças e adolescentes”, salienta Bianca.

 

Bianca com alunas em aula de lutas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Bianca com alunas em aula de lutas. (Foto: Arquivo pessoal)

 

O ex-bolsista William também acredita que a atividade física, em todas as suas manifestações, contribui para a melhora da saúde e do condicionamento físico dos alunos, além da coordenação motora e da consciência corporal que se aperfeiçoam. “Eles aprendem valores, cooperação, competição, a lidar com o sentimento da derrota, e têm momentos de lazer”, pontua o educador.

Ednaldo vê a importância do trabalho social como uma forma de promover uma visão diferenciada do mundo. “Atualmente vemos academias lotadas de pessoas que não sabem como controlar a sua frequência cardíaca e diferenciar, por exemplo, exercícios anaeróbios e aeróbicos. O que o Pibid faz é oportunizar o contato e o acesso aos esportes, danças, lutas, ginásticas e jogos. Para nós não existe a palavra impossível. Fazemos o que pensam que é impossível. Queremos construir pessoas com sensibilidade por meio da experiência. Percebemos que quem vivencia isso passa a ter novos interesses”, frisa o coordenador.

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