Política

Programa Ciências Sem Fronteiras será congelado em 2016

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O Governo Federal decidiu congelar novas ofertas de bolsas do programa Ciências Sem Fronteiras devido à falta de recursos econômicos do país. A decisão foi tomada pelo Palácio do Planalto após envio do Orçamento com déficit em 2016 ao Congresso.

De acordo com apuração da Folha de S. Paulo, o orçamento definido pela equipe econômica destinado ao programa no próximo ano seria de R$2,1 bilhões. Porém, esse valor seria suficiente apenas para manter os estudantes que já estão no exterior.

A Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) acredita que os recursos servirão para custear 13.330 bolsas entre graduação e pós-graduação. Já o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) poderá utilizar os recursos para 22.610 benefícios em pesquisas.

Em 2014, o orçamento destinado ao Ciências sem Fronteiras chegou a R$3,5 bilhões, o que acarreta um corte de 40,3% para o próximo ano. Se o percentual fosse acima disso, significaria que muitos bolsistas deveriam interromper os cursos no exterior.

A diminuição de recursos também ocorre devido ao alto valor do dólar atualmente. Segundo a Bovespa, em julho de 2011, quando o programa foi lançado, a moeda americana era cotada a R$1,55. Quatro anos depois, o câmbio alcançou R$3,70.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, emitiu comentário após palestra que abriu o segundo dia do seminário internacional “Caminho para a qualidade da educação pública: Gestão Escolar”. “O orçamento do próximo ano ainda não está definido e será discutido no Congresso. Tudo o que a gente puder fazer a gente vai fazer”.

Não há data definida para o lançamento de novos editais de seleção para bolsistas de graduação neste ano. O estudante de Engenharia Mecânica, Lucas Lima, estranhou: “Estou esperando a abertura das vagas. Fiquei surpreso quando soube do congelamento do programa”.

Segundo o site do Ciências Sem Fronteiras, 87.364 bolsistas receberam benefícios para estudos fora do país desde 2011.

BOLSAS

Os destinos mais ofertados são nos Estados Unidos, Reino Unido, França, Canadá e Alemanha. Além disso, os cursos que mais leva estudantes para o exterior são as Engenharias, Biologia, Ciências Biomédicas, Ciências Exatas e da Terra e Computação e Tecnologias da Informação.

O estudante de Engenharia de Controle e Automação, Christian Wesp, beneficiou-se do Ciências sem Fronteiras por cerca de um ano e meio. Na Alemanha, estudou engenharia na Technische Fachhochschule  Bochum em 2014 e voltou recentemente. Para ele, a experiência foi enriquecedora: “Hoje em dia, percebo a falta de cultura do nosso país e, por lá, aprendi a fazer fila na porta do trem, esperar as pessoas saírem para depois entrar e até recolher o lixo após um passeio”, conta. “Sei que vou levar esses pequenos exemplos para o resto da minha vida”, afirma.

Para a aluna de Biomedicina Bruna Bittencourt não foi diferente. Ela embarcou mês passado para Boston, nos Estados Unidos, para estudar na Boston University. Desde que chegou, tem passado por experiências recompensadoras: “O processo foi demorado, mas eu decidi por essa faculdade devido aos recursos. Já percebi que os cidadãos aqui são muito organizados e planejam cada detalhe na vida acadêmica. Isso é um exemplo para nós.”

A estudante ficou bastante chateada quando descobriu que muitas pessoas não poderiam mais se beneficiar do programa. “Infelizmente, muitos não terão a oportunidade de estudar aqui, nem de vivenciar tudo o que estou passando. É uma oportunidade única, afinal, eu não teria como investir US$75 mil, por exemplo.”

Christian também lamenta o congelamento: “Vai ser prejudicial para o país como um todo, porque a ideia do programa não é apenas importar tecnologia, mas sim cultura. Na minha opinião, é disso que o Brasil é mais carente.”

A Educação foi uma das áreas mais atingidas neste ano: R$9,4 bilhões dos R$48,8 bilhões (19%) foram cortados do orçamento aprovado para o MEC em 2015. O ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, revela: “O que nós estamos tentando fazer é, em um ambiente de crise, procurar gestar o máximo de soluções efetivas e eficazes com pouco custo.”

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