Política

Fundação Zoobotânica busca apoio para evitar extinção

Mesmo parlamentares governistas já se manifestaram contra projeto do governo Sartori, que deve ser votado no próximo dia 8

betaredacao-politica-fundacaozoobotanicaNão é a primeira vez. Mas a palavra “extinção”, que já fez parte do discurso de governos anteriores, como o de Yeda Crusius, nunca havia ganhado tanto espaço na mídia e gerado tanta repercussão. No último dia 6 de agosto, o governador José Ivo Sartori anunciou uma série de medidas para cortar gastos e conter a crise que assola os cofres públicos do Estado. Dentre as propostas apresentadas à Assembleia Legislativa está a extinção da Fundação Zoobotânica (FZB) do Rio Grande do Sul e a demissão de todos os seus funcionários.

Apresentado em regime de emergência pelo Piratini à Assembleia Legislativa, o pacote propôs também a extinção da Fundação de Esporte e Lazer (Fundergs) e da Fundação Estadual de Produção e Pesquisa em Saúde (Fepps), que deverão ser transferidas para a administração direta, além da venda da Companhia de Silos e Armazéns (Cesa). Com o prazo inicial para votação chegando ao final e após receber inúmeras manifestações de apoio, os funcionários da FZB se uniram para visitar individualmente todos os deputados e tentar convencê-los sobre a importância da instituição para o Rio Grande do Sul.

“Formamos uma comissão que está visitando as bancadas. Os deputados da oposição têm se mostrado unânimes em nosso favor. Os da base aliada estão receptivos, atentos aos nossos argumentos e dispostos a analisar os documentos que nós estamos apresentando”, explica Glayson Bencke, chefe do setor de pesquisas da fundação.

Na semana passada, o PDT, mesmo sendo da base aliada, declarou que vai votar contra o projeto. PT, PCdoB e PSOL, partidos da oposição, também já se manifestaram contrários à extinção, e o PTB é outro partido que deve adotar o mesmo entendimento. Somados, os parlamentares dessas siglas já representam metade da Assembleia.

“Pela movimentação interna dos parlamentares eu posso concluir que este projeto não será aprovado. A maioria dos deputados tem o entendimento que o impasse financeiro é muito menor do que o impacto ambiental que a extinção da fundação causaria se fosse levada adiante”, explica Regina Becker Fortunati (PDT-RS), que tem liderado na Assembleia a busca de apoio em favor da instituição.

Previsão é de protestos durante a votação

A votação chegou a ser prevista para 8 de setembro, mas o pedido de urgência foi retirado pelo Executivo e, assim, não há data para o projeto ir a plenário. Na semana seguinte à divulgação da proposta, cerca de 5 mil pessoas se reuniram em frente ao Jardim Botânico para protestar contra o projeto. Outras 500 se fantasiaram de animais e se manifestaram em frente ao Parque Zoológico de Sapucaia do Sul, gerido pela FZB. Mesmo sendo do PMDB, o deputado Tiago Simon declarou em seu Facebook ser a favor da fundação, enquanto outros deputados do partido preferiram manter o silêncio.

Somente em agosto a FZB recebeu mais de 750 cartas de apoio de diversas partes do mundo. ONU (Organização das Nações Unidas) e o Banco Mundial foram duas instituições que também se manifestaram preocupadas com a possibilidade de extinção. Somente para o Banco Mundial, o Estado teria que devolver U$ 752 mil se o projeto for aprovado. O dinheiro é advindo de contratos e ações em andamento pelo projeto RS-Biodiversidade. Segundo a direção da fundação, o banco já declarou que não reconhece a possibilidade de execução dos projetos que está financiando sem a participação da FZB. Todas as manifestações estão na página de apoio criada no Facebook.

Na fundação, o clima é de confiança. “A extinção não se justifica, estamos mostrando isso aos deputados com números. Acreditamos que, além do nosso esforço, a própria manifestação da sociedade, das organizações da sociedade civil e das inúmeras instituições que temos parceria a nível mundial vai pesar na decisão dos deputados”, revela Bencke.

Procurada pela reportagem, a titular da Secretaria do Meio Ambiente, Ana Pellini, explicou, via assessoria, que, caso o projeto seja aprovado, a extinção não será imediata. Os espaços (Museu de Ciências Naturais, Parque Zoológico e Jardim Botânico) seriam mantidos via parcerias com a iniciativa privada, as pesquisas seriam feitas em conjunto com universidades e a maioria dos profissionais da fundação seria reaproveitada em outros setores da secretaria – algo extremamente questionado pelos funcionários, que apontam falta de planejamento para extinção caso o projeto seja levado adiante.

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