Política

Professora tem regime especial cortado após críticas ao governo de Esteio

Prefeitura de Esteio alega que prática é rotineira e nega perseguição

Uma professora da rede municipal de Esteio teve seu Regime Especial de Trabalho, o RET, cortado após usar a tribuna da Câmara de Vereadores de Esteio para criticar a atual gestão municipal. Em postagem em rede social, Graziela Oliveira atribui a interrupção a perseguição ideológica. A assessoria do prefeito Leonardo Pascoal (PP) nega, alegando que a prática de cortes é recorrente.

O RET é uma gratificação paga a professores para que trabalhem além de seu horário e compensem a ausência de pessoal na rede municipal. O benefício pode ser cortado a qualquer momento, porém, Graziela acredita que o corte tem motivações ideológicas. Professora há oito anos na rede municipal, Oliveira acredita que havia a necessidade de RET na escola em que trabalhava. “Com o RET eu supria a falta de professores que a rede municipal tem. Com a falta de professores, eles pegam os concursados e oferecem outro turno. De todos os critérios que levariam um RET a ser cancelado, nenhum se aplica a minha situação”, diz Graziela.

Dentre as razões que causariam o cancelamento de um Regime Especial de Trabalho estão o encerramento de licença de algum professor, caso o profissional não se adaptasse à nova rotina ou algum docente fosse contratado. “Eu sei que nada disso aconteceu. Sei que não chamaram ninguém do concurso, pois está faltando professor”, relata.

Graziela e seus alunos em seu último dia como professora na escola. Reprodução: Facebook

Graziela e seus alunos em seu último dia como professora na escola. Foto: Reprodução do Facebook de Graziela Oliveira

 

Em uma nota publicada em seu perfil no Facebook, a professora alega que foi pega de surpresa. “Num primeiro momento pensei que poderia haver uma possível confusão de nomes ou pessoas, mas num segundo momento entendi que era eu mesma e que a notícia era verdadeira. Na hora pensei em mil possibilidades e busquei maiores informações. Liguei para Secretaria Municipal de Educação e tive a confirmação do cancelamento e que, se eu quisesse algum esclarecimento, poderia procurar o secretário, pois o mesmo estava à disposição.”

Ela também alega que o cancelamento ocorreu justamente na semana em que usou a tribuna da Câmara de Vereadores para fazer reivindicações em prol do funcionalismo. “Atualmente sou uma referência do grupo de colegas e participei da comissão que negociou o dissídio dos funcionários. Então fui para a tribuna colocar questões bem importantes. Minha fala foi tranquila, sem ataque. As coisas que foram nominadas todo mundo já sabe, são verdades. E daí meu RET foi cortado na mesma semana em que fiz uso da tribuna”.

Veja o vídeo da manifestação de Graziela na Câmara:

Na postagem de Graziela, encontramos diversos comentários reforçando o pensamento de perseguição política. Veja alguns abaixo (clique na seta para ler):

Margot Rahde Reali é diretora do Centro Municipal de Educação Básica Eva Karnal Johann, escola onde Graziela era professora em regime especial do 5º ano há dois meses. Ela afirma ter recebido do secretário de Educação, Marcos Hermi Dal’Bó, o comunicado de que o RET da professora seria cancelado. “O que ele nos disse é que a professora estava fazendo horas a mais e que isso era indevido. Segundo ele, logo enviariam uma professora substituta, e dois dias depois ela chegou. Creio que foi legal.”

O prefeito de Esteio, Leonardo Pascoal, por nota, alegou que a retirada do RET é é comum entre os profissionais de educação e que, além de Graziela, outro professor teve seu regime especial cancelado. Confira a nota na íntegra:

“A retirada do RET de 20h da professora Graziela, assim como de outros profissionais da educação, é uma prática rotineira da Administração Municipal, pois se trata de um regime temporário utilizado, em caso de necessidade, pela Secretaria Municipal de Educação. Apenas em 2017, 13 professores tiveram seus RETs cancelados por não serem mais necessários. No caso em questão, a referida Secretaria teve o retorno de duas outras professoras, cada uma com carga horária de 20h, que estavam lotadas na Secretaria Municipal de Cidadania e Desenvolvimento Social. Sendo assim, foi possível suspender o RET de dois professores. Qualquer interpretação diferente da situação é mera tentativa de usar politicamente um fato já amplamente esclarecido”.

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