Economia

Procura por intercâmbio cresce com a chegada do Consulado Americano a Porto Alegre

Com o país em crise, brasileiros querem enviar filhos para estudar fora do país

A crise na segurança, nas finanças e na política brasileira faz com que muitos pais pensem em enviar seus filhos para estudar fora – por mais que isso signifique realizar um grande esforço financeiro. Com a recente inauguração do Consulado Americano em Porto Alegre, os Estados Unidos têm sido o destino mais procurado para estudos. Afinal, quanto custa estudar no país mais rico do mundo?

Segundo a agência Estados Unidos Brasil, especialista em intercâmbio estudantil, não custa nada barato: um curso de inglês de algumas semanas em Nova York, por exemplo, pode ultrapassar o valor de R$ 15 mil. Este número, no entanto, não conversa com a atual situação econômica das famílias brasileiras. Dessa forma, estudar em outro país se torna possível apenas para as famílias mais favorecidas financeiramente. Apesar disso, a procura aumentou 25% em relação ao ano passado. A agência acredita que a inauguração do Consulado Americano em Porto Alegre tenha sido um dos principais fatores para este crescimento.

 

Estudar nos Estados Unidos pode ser mais caro do que o previsto (Foto: Rodrigo Paredes)

 

 

Maria Eduarda Moraes, 21 anos, embarca para os Estados Unidos em dezembro e ficará no país por um ano. “Foi um investimento alto dos meus pais, por isso vou fazer de tudo para me estabilizar lá em São Francisco, e quem sabe, ficar por lá mesmo”, planeja. Sonia e Felipe, pais de Maria Eduarda, contam que enviar a filha para estudar em outro país é um sonho que se realiza: “Como a Duda é filha única, sempre quisemos que depois que ela terminasse o colégio, fosse viver uma aventura dessas. Além de conhecer novos lugares, outras culturas e aprender uma nova língua, ela tem planos de tentar  começar uma vida melhor, e é isso que toda mãe deseja para os filhos”, complementa.

“Estamos extremamente orgulhosos dela, estamos felizes que podemos dar essa oportunidade, mas a coragem de ir sozinha e desbravar o mundo é toda dela”, diz o pai de Duda.

Com a chegada do consulado americano a Porto Alegre, Maria Eduarda conta que a família conseguiu reduzir os gastos da viagem: “Nos custos totais, estávamos contando com as passagens aéreas para emitir o visto em outro estado. Foi uma economia de cerca de R$ 3 mil.”

O consulado americano já emitiu cerca de 500 vistos desde o dia 23 de maio, quando a agenda para entrevistas foi aberta. A expectativa é de que mais de mil vistos sejam emitidos  por mês.

 

Consulado Americano em fase de finalização para abertura em Porto Alegre (Foto: Porto Vistos)

 

Valentina Lopes Leão, de 25 anos, voltou há dois anos de um intercâmbio de um ano nos Estados Unidos. Segundo ela, a experiência empolga, mas realmente não é barata. “Meus pais perguntaram se eu tinha interesse de estudar durante uma temporada em São Francisco depois que terminasse a faculdade. É claro que eu topei na hora! Lembro de vê-los quebrando a cabeça e fazendo cálculos e mais cálculos para que eu tivesse essa qualificação. Graças aos esforços deles deu muito certo. Estudei durante um ano na Kaplan International English e a experiência foi incrível”, conta Valentina.

Rogério e Paula são os pais de Valentina. Sobre o esforço para proporcionar que a filha tivesse a experiência de um intercâmbio, eles comentam: “Na época foi bem apertado, tiramos daqui e dali, lembro que gastamos cerca de R$ 50 mil, mexemos em todas as nossas finanças, mas enfim conseguimos realizar esse investimento no futuro da nossa filha.”

Para complementar, Paula dá um conselho: “Aos pais que tiverem condições, enviem seus filhos para estudar fora do país. Além de conhecerem outras culturas é extremamente enriquecedor e acrescenta muito ao currículo profissional. É um investimento no futuro dos nossos filhos. Tivemos um empenho enorme para conseguir enviar a Valentina, mas valeu cada centavo”, finaliza.

Na última terça-feira (27), a Polícia Federal anunciou a suspensão de novos passaportes. Segundo o comunicado, isso ocorreu devido à “insuficiência do orçamento” destinado às atividades de controle migratório e emissão de documentos de viagem. Na tarde de hoje (28), o Ministério do Planejamento informou que o governo federal vai pedir ao Congresso Nacional autorização para um crédito suplementar de R$ 102,4 milhões com o objetivo de regularizar a emissão de passaportes.

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