Política

Privatizações entram na pauta da Câmara de Vereadores de Esteio

Vereadores do PT criam frente parlamentar para lutar contra venda de estatais

Desde que a reforma da Previdência entrou em pauta no Congresso Nacional, muitos cidadãos têm ouvido que, depois desta reforma, o próximo passo seria privatizar algumas empresas. Corsan, Petrobrás, Trensurb, Correios e Banrisul são algumas das estatais ligadas diretamente ao Rio Grande do Sul e que entrariam nesta dança.

Em Esteio, um trio de vereadores montou uma frente parlamentar contra esta privatização. Márcio Alemão (PT), presidente desta coligação, explica que a finalidade desta ação é criar um espaço de debate entre população esteiense, deputados e vereadores a favor e contra a medida. “Nossa missão é criar uma ampla conversa. Chamar todo mundo, pois, de qualquer forma, a privatização destas empresas afeta grande parte dos moradores daqui. Diretamente, através dos funcionários, e indiretamente, através dos recebedores dos serviços”.

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Foto: divulgação bancada PT/Esteio.

“No ano passado, Eliseu Padilha, Ministro da Casa Civil, disse que após a Reforma da Previdência, o próximo passo seria a privatização da Trensurb. Hoje temos dois estados em que a Trensurb é pública: aqui e Minas. O valor é acessível e se for privatizado, tendo como parâmetro outros estados, a passagem ficaria entre R$3,70 e R$4,30”, afirma Alemão.

Foto: Reprodução Trensurb

Foto: Reprodução Trensurb

O vereador também explica que a razão pela qual a frente parlamentar foi criada é mostrar que Esteio não está alheia ao debate e ainda cita exemplos de empresas ligadas diretamente à cidade que não estão com seu funcionamento pleno. “Um exemplo é o sucateamento da Corsan e dos Correios. Vejo isso como uma estratégia que o Governo atual tem traçado. Sucatear estes órgãos e dizer que não dão lucro para poder vendê-los. Vamos contatar a comunidade de todas as formas possíveis. Faremos bancas no trem, cartazes, panfleteação e divulgação por mídias sociais. Tudo para encher a casa o máximo possível”.

O que a população pensa?

Mas, afinal, o que seria uma privatização? Privatização é quando um órgão ou empresa resolve contratar outra empresa para fazer os seus serviços.

O advogado trabalhista Arno Leonhardt explica que, em muitos casos, o órgão público vende seu patrimônio para outra empresa, e que esta segue explorando a mesma atividade econômica. “Se ela traz algum benefício ou malefício depende do ponto de vista. Aí tem conceitos e definições bem amplas. Vai da teoria do estado mínimo a teoria do estado social. Do outro lado, se quer que o estado assuma a maioria das atividades com um estado amplo e capaz de desenvolver atividades para melhorar a qualidade de vida das pessoas e entregar aos cidadãos o máximo de serviços”.

Arno cita como exemplo de malefício da privatização a mineradora multinacional Vale. “A Vale do Rio Doce era uma mineradora pública. Foi vendida com o argumento de que dava prejuízo, que não gerava lucros. Nas mãos da iniciativa privada ela se tornou uma potência entre as maiores mineradoras do mundo. Isso fez mal para a sociedade, pois o lucro que poderia ser do poder público foi todo para a iniciativa privada. Ele finaliza opinando: “Empresas públicas não devem ser privatizadas. O que precisa é de gestões eficientes e capazes de gerar lucro na atividade econômica que foi criada”.

Foto: Tatiana Hentz/GES Especial/Jornal NH

Foto: Tatiana Hentz/GES Especial/Jornal NH

Entre os moradores as opiniões estão divididas. Nicolas Pizzutti, estudante de direito, é a favor destas privatizações, em especial a da Trensurb. “Ainda não tenho uma opinião formada sobre todas essas empresas de forma individual, mas a Trensurb é um exemplo que já analisei. A passagem da Trensurb é extremamente barata, mas justamente por isso, acaba tendo a necessidade de ser subsidiada pelo governo e de algum lugar esse subsídio vai sair. Sim, o valor provavelmente iria aumentar, mas isso não significa algo ruim exatamente. Teoricamente uma empresa privada cuida melhor do seu serviço e administra de forma muito além do setor público”.

Ele ainda acredita que a nova empresa, caso o valor arrecadado fosse inferior ao custo, iria achar meios para que este seja diminuído. “Certamente uma dessas medidas seria o aumento da passagem. Porém iria cortar diversos outros custos que provavelmente não são necessário, coisa muito comum nas estatais. A lógica é simples, se a empresa precisa de subsídio para funcionar ela nunca vai poder fazer investimentos pesados, veja quanto tempo demorou para novos trens estarem a disposição. Por fim, entendo que possivelmente o preço da passagem aumentará, mas tenho quase certeza que o serviço oferecido será melhor e compensará o valor a mais cobrado”.

Foto: Reprodução Trensurb

Foto: Reprodução Trensurb

O esteiense Kevin Sprenger também se diz a favor destas privatizações. “Acho que seria um acerto principalmente na Petrobrás, e acho que diminuiria o valor da gasolina. Vende ela para diversas empresas, desfaz esse monopólio, usa um modelo como o dos EUA. o Trensurb poderia continuar como está, só melhorando a segurança em questão de roubos dentro do trem”.

Pedro Kessler, jornalista, em contrapartida, se diz contra e usa a empresa carioca Light como exemplo de ruína de uma estatal. “Usemos como exemplo o que já foi privatizado. A telefonia: que melhora, além do advento tecnológico, que não passa pela prestação do serviço, a telefonia apresenta desde sua privatização? A companhia energética do Rio de Janeiro foi privatizada. Hoje a Light responde a vários processos já que os bueiros da rede elétrica, vez ou outra, explodem, ferindo alguém”.

O publicitário Vinícius Carvalho também se diz contra e aproveita para analisar o cenário nacional atual.

Sou contra. Ser empresa privada não é sinônimo de um serviço melhor, investimentos certeiros e comprometimento. Tanto que a JBS é uma empresa privada está envolvida em casos de corrupção que quase derrubaram um presidente. A Odebrecht tinha licitações fraudulentas e um setor da empresa só para cuidar de propina e a Vale foi a causadora do maior desastre natural da história do Brasil. Então acho que o ideal seria mexer na forma com que essas empresas são geridas e não jogar isso na mão de empresários.

Segundo Márcio Alemão, esta Frente Parlamentar deve ter duração até o final deste mandato, em 2020, e os debates com a comunidade ainda não têm data marcada, mas todos ocorrerão na Câmara de Vereadores.

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