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Prisão de jornalista pauta debate na Unisinos

Caso de Matheus Chaparini, repórter do Jornal Já detido ao cobrir ocupação de prédio público, norteou reflexão sobre "Cobertura jornalística e responsabilidade cidadã" na noite de segunda-feira, 22

 Foto: Roberto Caloni/Beta Redação

O jornalista Matheus Chaparini, do Jornal Já, detido pela BM quando cobria ocupação da Secretaria da Fazenda do RS, em junho. Foto: Roberto Caloni/Beta Redação

 

Em 15 de junho deste ano, Matheus Chaparini estava cobrindo a ocupação da Secretaria da Fazenda do RS, entrevistando estudantes e seguranças, quando chegou a Brigada Militar. O resto da história culmina com o jornalista do Jornal Já sendo levado ao Presídio Central. Esse relato foi feito pelo próprio Matheus, na noite de segunda-feira (22), aos alunos de Jornalismo da Unisinos São Leopoldo e Porto Alegre, na aula inaugural do segundo semestre. A partir dessa narrativa, o auditório Bruno Hammes sediou um debate entre Chaparini, o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, Milton Simas Junior, e o professor de Direito Constitucional da Unisinos Leonardo Grison, mediado pelo professor de Jornalismo Pedro Osório.

O assunto em pauta foi “Cobertura jornalística e responsabilidade cidadã”. Osório abriu a discussão justificando que a ideia de realizar a aula inaugural sobre esse tema surgiu em função dos acontecimentos que envolveram Matheus. Por essa razão, também foi convidado um representante da Brigada Militar, que não manifestou interesse em participar.

 

AMERICALATINA

Infografia: Gabriela Wenzel

 

Chaparini detalhou os momentos anteriores a sua prisão, desde sua ida a uma das escolas ocupadas e a decisão seguinte de ir à Secretaria da Fazenda. Segundo ele, a chegada da BM não ocasionou uma negociação com os alunos, que por esse motivo se recusaram a desocupar o local. Essa recusa resultou em spray de pimenta e até violência com todos os que estavam presentes, incluindo Matheus, que foi detido com outras 42 pessoas. Agora, o caso corre na Vara Criminal, e as acusações contra o repórter são de dano qualificado ao patrimônio e desobediência.

A Brigada teria considerado que Matheus estava no lugar errado, pois deveria estar acompanhando os demais jornalistas, do lado de fora do prédio, e colhendo apenas as informações oficiais. Sobre esse aspecto, Milton Simas defendeu que ninguém deve dizer ao jornalista qual a melhor forma de realizar o seu trabalho. O sindicalista acrescentou que o repórter não estava, de maneira alguma, em local indevido – pelo contrário, graças à cobertura dele é que foi possível saber sobre o spray de pimenta sendo disparado contra adolescentes.

 

Veja a galeria de imagens (Fotos: Roberto Caloni/Beta Redação)

 

Diante dos acontecimentos relatados, o professor Grison comentou a ideia de desmilitarização da Brigada. Para ele, essa mudança, difícil pelo lado burocrático, é ainda mais complicada pois envolve toda uma transformação cultural da sociedade. Grison ressaltou que, mesmo que estejamos vivendo sob um regime democrático, ainda existem resquícios da era militarista que o Brasil viveu. Com relação à Constituição, o professor de Direito observou que, como ela garante a igualdade de tratamento entre todas as pessoas, não deveria haver distinção entre manifestantes e jornalistas e muito menos entre profissionais de veículos de maior ou menor porte.

Com o debate, os futuros jornalistas presentes puderam conhecer uma história real que mostra um outro lado da profissão: a luta permanente pelos direitos, pela liberdade de imprensa e pela igualdade de tratamento entre todos. E foram, mais de uma vez, chamados a defender a categoria, conforme o recado deixado por José Nunes, da Associação Riograndense de Imprensa (ARI), logo no início da discussão: identifiquem-se com a carteira profissional de jornalista, e não com o crachá do veículo de comunicação.

 

violência

Infografia: Gabriela Wenzel

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