Economia

Conheça o Workroom: o primeiro Drag Bar de Porto Alegre

Aberto em abril deste ano, o bar celebra e divulga a cultura drag na capital

Bar inaugurou em abril na capital. Foto: Roberto Caloni/Beta Redação

Bar inaugurou em abril na capital. Foto: Roberto Caloni/Beta Redação

Com quase um mês desde sua inauguração, a Workroom, que prefere ser tratada no feminino, é o primeiro bar drag da capital gaúcha. O dragbar foi inspirado no reality show norte-americano RuPaul’s Drag Race, que acompanha drag queens em desafios de canto, dança, costura, talento, humor e personalidade, para saber qual será a nova estrela drag dos Estados Unidos.

Idealizada pelos sócios Rodrigo Krás Borges, 28 anos, Gabriel Dreher, 32, e Rafael Guedes, 26, que hoje é diretor artístico do bar, o projeto começou a ser discutido no final de outubro do ano passado e em 13 de abril deste ano foi inaugurado.

A ideia do bar surgiu em uma conversa de Rodrigo e Rafael, que são namorados, em uma mesa de bar. “Estávamos conversando e pensei ‘Por quê não abrir um bar com temática de RuPaul’s, LGBT?’. Comentei com o Gabriel que super curtiu a ideia e começamos a trabalhar no projeto”, relembra Rodrigo.

O nome Workroom foi escolhido por ser um dos principais cenários do reality show. “Achamos esse nome empoderador. Quem conhece a série vai identificar logo sobre qual a referência do bar”.

Espaço drag na cidade

“Nós queríamos abrir um negócio muito pela causa social também e algo que tivesse a ver com nós. Percebemos a carência na cidade de bares que se firmam como LGBTs. Existem festas, em que drags se apresentam, mas porque não sair desse ambiente de festa e também ter um bar, um lugar onde tu pode sentar, tomar uma bebida e assistir a performances?”, conta Rodrigo Borges.

Gabriel comenta que muitas pessoas ainda veem as drags à margem da sociedade. “Queríamos montar um ambiente em que esse trabalho pudesse ter visibilidade e crescer”, conta.

“Eu percebia que tinha bastante gente que gostava de drags, mas não curtia ir em festas. Aqui o ambiente é mais aberto, podem entrar assistir ao show em um ambiente mais bar, estilo pub”, explica Dreher.

Dentre as diferenças das festas para o bar, Rodrigo destaque na casa que a “drag está perto” e não em um palco longe do público. “Aqui tu está sentado e ela pode interagir contigo, ir até tua mesa, estar próximo de ti”, aponta.

O espaço foi pensado para que drags possam se apresentar e ter visibilidade. “A proposta sempre foi uma parceria com as drag queens, para nós crescermos juntos. Nós estamos dando visibilidade e divulgando o trabalho delas, além de remunerar as apresentações”, coloca Rodrigo.

Foto: Carter Anunciação/divulgação

Idealizadores, Rodrigo Krás Borges, Gabriel Dreher e Rafael Guedes, junto com as drags na inauguração do bar.  Foto: Carter Anunciação/divulgação

Funcionamento do bar

Terças e quintas a noite é de li psyng aberto, ou seja, qualquer um pode escolher uma música, subir no palco e performar. Já nas quartas, sextas e sábados, é dia de performance artística, onde duas drags se apresentam.

Nos sábados também é transmitido o episódio do reality legendado para quem quiser conferir junto com os amigos. “É interessante ver que o pessoal acompanha e se diverte durante o episódio”, Gabriel.

Pensando em como melhor atender a todos os clientes, os empresários receberam a equipe da Freeda – grupo colaborativo que trabalha com a avaliação de estabelecimentos no quesito respeito à diversidade sexual e igualdade de gênero – para um debate e capacitação sobre gênero e diversidade sexual com toda a equipe do bar, e receberam o selo Espaços da Diversidade. “Achamos que a proposta da Freeda tinha tudo a ver com a nossa proposta de bar LGBT. Queríamos capacitar desde o segurança até o pessoal da limpeza, a pensar sobre questões de gênero e sexualidade”

Fotos: Roberto Caloni/Beta Redação

Fotos: Roberto Caloni/Beta Redação

A diversidade também é percebida na equipe de trabalho. Entre os 13 funcionários há três pessoas transexuais, homossexuais, negros e héteros.

“Provavelmente não teremos tantos problemas sobre gêneros, pois nosso bar é LGBT e as pessoas já sabem onde estão entrando. O nosso banheiro é unissex, porque ele tem essa proposta de não diferenciar os gêneros”, destaca Rodrigo.

Performances

Quanto as performances artísticas, Rafael Garcia conta que, no momento, o casting conta com 24 drag queens e um drag king. “Queremos dar espaço para todas se apresentarem”, comenta. Além dos shows na casa, as drags que irão se apresentar durante a semana fazem um ensaio geral nas segundas-feiras (fechado ao público :/ ) onde podem trocar dicas sobre a apresentação.

Foto: Carter Anunciação/divulgação

Foto: Carter Anunciação/divulgação

“Os ensaios são um espaço de troca, onde podemos conversar e se ajudar. Algumas ainda estão começando, então esse momento ajuda a perder a timidez do público”, relata. “Priorizamos também por drags locais, pois queremos fortalecer as performistas que temos na região”, conta

Para a drag queen Luna Lovegold, que trabalha há dois anos como drag, o bar é um local diferente dos outros onde já se apresentou. “Aqui temos o olho no olho com o público e o próprio motivo do bar são as drags. É um espaço para nós como artistas”, comenta.

Já para o drag king Leon Rojas, a equipe da Workroom sempre foi atenciosa e receptiva. “Performo a construção do masculino, o que diferencia de uma drag queen. Gostei que o bar se preocupou de mostrar essa diversidade de trabalhos”, conta.

Rafael comenta que o espaço está aberto para todas as drags. “Se tu está querendo começar aqui, vem uma noite de lip syng aberto. Vê como se sai e depois conversamos”, convida.

A Workroom está aberta de terças até quintas-feiras das 18 às 24h, e Sexta e Sábado das 18 às 02h, na Rua Lopo Gonçalves, 364, em Porto Alegre.

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