Cultura

Cresce a preferência por filmes dublados no cinema

De acordo com pesquisa divulgada pelo portal Filme B, 59% dos brasileiros preferem as cópias com áudio em português

betaredacao-cultura-cinemaO que você leva em conta ao procurar um filme para assistir no cinema? A novidade? O gênero? O horário da sessão? E o áudio, dublado ou original? De acordo com pesquisa divulgada pelo portal Filme B, no ano passado 59% do público dos cinemas assistiram a produções dubladas. O número não conta as produções nacionais (13%), que não passam pelo processo de dublagem. Já a porcentagem de público nas sessões legendadas chegou a apenas 28%. Ainda dentro da pesquisa, Porto Alegre é a segunda capital com menor adesão aos filmes dublados: 42%. A capital gaúcha fica atrás apenas de Brasília, com 36%. Manaus e Cuiabá são as que apresentam maior preferência: 70% e 69%, respectivamente.

Com base na pesquisa anterior, divulgada em 2012 pelo Instituto Datafolha, houve aumento na preferência pelas versões dubladas. O número subiu 3%, enquanto a procura pelas versões legendadas caiu 9%. Há de se considerar ainda que, nesta pesquisa, 5% responderam que não se importavam com a versão, enquanto 1% não quis ou não soube responder.

Após a divulgação dos dados, o diretor do portal, Paulo Sergio Almeida, citou alguns motivos. Entre eles, a maior adesão das classes C e D aos cinemas com o passar do tempo; a maior dificuldade para ler no formato 3D e ainda a maneira através da qual o consumo foi moldado pela programação da TV aberta, que é majoritariamente dublada.

A preferência do público acabou transcendendo o cinema. Hoje, até mesmo os jogos de videogame estão sendo dublados em português. Nas redes sociais, a parte que prefere as legendas busca formas de garantir que tenham o mesmo acesso. A página “Filme Dublado, Não”, criada em 2011 no Facebook, conta com mais de 5 mil curtidas. Entre as reclamações do público, a baixa oferta, os horários difíceis – normalmente no final da noite -, a “poda” na atuação dos profissionais – já que a voz faz parte do personagem interpretado – e a aparente falta de consideração pelos deficientes auditivos – no ano de 2012, em Minas Gerais, uma deficiente auditiva foi indenizada no valor de R$ 10 mil pelo cinema do shopping, que não possuía opções de filmes legendados em cartaz.

Ainda que haja crescimento no consumo das cópias dubladas, o áudio original conta com um público fiel. O estudante de Administração Gabriel Tassinari, 20 anos, preza pela qualidade do áudio. “Assisto filmes somente se forem legendados, pois não distorcem a atuação e as trilhas com a dublagem”, conta. Além disso, o estudante reclama do pequeno espaço reservado às versões legendadas. “Os horários e número de sessões já foram piores, mas os filmes dublados, ao menos os blockbusters, ainda ocupam maior espaço. Isso acaba deixando as cópias legendadas com uma única sessão no último horário do cinema”, comenta. A alternativa, segundo ele, é ir atrás de salas como as do Espaço Itaú e da Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre, que apresentam mais opções de cópias legendadas em diferentes horários.

Estudante de Cinema, Ana Carolina Azevedo, 24 anos, acredita que a dublagem modifica a experiência que o público tem ao assistir ao filme. “A atuação é modificada quando a voz original dá lugar à voz dublada. Se dá bastante importância, no cinema, para o trabalho que envolve o uso da voz da atriz ou ator. Não que o dublador e a equipe que grava a dublagem não tenham um trabalho técnico e artístico à parte, mas não tem como negar que modifica a experiência de assistir o filme sem a dublagem”, comenta. Ela lembra também que, apesar desse crescimento, o Brasil ainda está atrás de outros países no quesito volume de cópias dubladas. “Tem gente que reclama que a dublagem está crescendo por aqui, mas eu sei que em outros países, principalmente europeus, tem muito mais dublagem do que no Brasil. Na Polônia, por exemplo, tudo é dublado com uma única voz, como ouvir um programa com um intérprete simultâneo, sem poder trocar o canal de áudio. Então acho que de certa forma ainda saímos ganhando, porque ainda há a opção do legendado”.

E você, leitor? Qual a sua preferência?

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