Economia

Porto Alegre tem a cesta básica mais cara do país

Custo da alimentação diminuiu em 16 capitais e aumentou em outras 11

Em Junho de 2017, o salário mínimo para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 3.869,92, ou seja,  4,13 vezes a base atual que é de R$ 937,00. O cálculo é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que apresentou em pesquisa nacional a queda no custo da cesta básica em 16 capitais brasileiras e aumento em outras 11.  Porto Alegre continua sendo a capital com o maior custo na cesta básica: o valor representou 53% do salário mínimo no mês passado.

Pouco mais da metade seria destinado apenas para alimentação. Todavia, o salário mínimo, segundo determinação constitucional, deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e de sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

“Lazer e vestuário a gente acaba deixando por último”, afirma Flávia Vargas, 52 anos, que atualmente trabalha como diarista.  “Não é sempre que compro a cesta básica integral, porque não acho que vale a pena. Pra mim vale mais comprar os produtos separados, pouco a pouco, conforme encontro promoções durante o mês”, diz Flávia. Ela mora com a filha de 19 anos que começou a trabalhar recentemente. O que, segundo a diarista, vai ajudar bastante nas contas da casa.

 

Gastos no supermercado pesam mais no bolso de quem recebe um salário mínimo. Foto: Tiago Silveira

 

O economista Marco Kubiack afirma que tais movimentos nos preços seguem as orientações de oferta e demanda. “Alguns produtos essenciais como o leite sofreram choques de oferta como um período de entressafra, esse efeito sazonal é diluído se pegar uma série mais longa, pois os preços se estabilizam. No caso do tomate, houve um choque de oferta referente ao período de chuvas excessivas que diminui em muito a oferta, algo não sazonal, mas específico deste mês”, afirma Kubiack.  

“Isso acaba fazendo uma pressão inflacionária muito forte nos preços, mas como estamos em período recessivo, a demanda está contraída, amenizado esse efeito, na minha opinião o salário mínimo é insuficiente para atender as necessidades básicas da população, que são direitos sociais assegurados no artigo 6º da CF/88. Outra coisa que dá pra notar é que a cesta contém muitos produtos que compõem o IPCA, o índice oficial da inflação”.

Paulo Sousa, dono do mercado Mercopan, localizado na entrada do bairro Mário Quintana, destaca que mesmo alguns produtos tendo apresentado redução no valor, ele sabe que o tomate e o café, por exemplo, continuam caros e podem vir a aumentar. Sobre a cesta básica fechada e embalada, ele afirma que compra de uma empresa que distribui os alimentos assim, mas que não pretende continuar trabalhando com isso, pois eles não  têm muita saída. “Os clientes preferem mesmo comprar separado, tem, no máximo, umas seis pessoas que compram aqui a cesta fechada, então não sei te dizer se vale a pena”.

Segundo o economista do Dieese, Luiz Moura, a variação no preço acontece por conta da sazonalidade dos produtos agrícolas, além de outros fatores como a quebra de safra. O Dieese, na avaliação mensal, destacou treze produtos que compõem o conjunto de gêneros alimentícios essenciais, dos quais seis caíram de preço: o óleo de soja (-7,56%), a banana (- 7,42%), o feijão (-6,78%), o açúcar (-4,86%), o arroz (-4,79%) e a carne (-0,68%). Em sentido inverso, seis itens ficaram mais caros: a batata (16,61%), a manteiga (3,30%), o café (1,23%), o tomate (1,20%), o pão (1,07%) e o leite (0,33%). A farinha de trigo foi o único item que não sofreu alteração de preço em maio.

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