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Porto Alegre retira das ruas mais de 1,2 milhão de bitucas de cigarro

A cada mês 171 mil filtros são encaminhados por projeto da prefeitura para processamento; número poderia ser 100 vezes maior

Dentro de todos os problemas que o fumo pode causar, como mostra a série de reportagens da Beta Redação, há também o ambiental: o filtro utilizado nas bitucas de cigarro demora para se decompor e causa vários transtornos para o ecossistema. Na Semana do Meio Ambiente, é importante discutir pelo menos uma destas dívidas com a natureza: o que vem sendo feito das sobras de cada cigarro fumado.

Estimativa do Ministério da Saúde afirma que cada fumante brasileiro produz, em média, uma carteira de cigarro (20 unidades) por dia. Se for levado em consideração este valor, Porto Alegre produz 5 milhões de bitucas de cigarros a cada dia – já que é a capital com maior concentração de fumantes do Brasil, somando 250 mil usuários de tabaco. Ainda bem que a cidade possui um plano para o descarte das bitucas de cigarro: sete meses após a Beta Redação mostrar o projeto de implantação do POA Sem Bituca, 1.202.260 bitucas de cigarro saíram das sarjetas do Centro da cidade e foram parar em recipientes próprios para posterior transformação em energia.

No entanto, o número de resíduos recolhidos não chega nem perto do ideal. O projeto POA Sem Bituca recolhe 171 mil baganas por mês, uma média de 5.700 por dia. Mas caso o projeto fosse além e tivesse implantado o proposto pela empresa responsável, a Eco Prática, seriam recolhidos 100 vezes esse valor: 570 mil bitucas por dia, ou seja, mais de 17 milhões por mês.

O projeto não cresceu porque o recolhimento das pontas é feito por meio de convênio. Sem expansão, a iniciativa se limitou ao modelo inicial. A reportagem tentou contato com a empresa para saber o motivo pelo qual não há mais bituqueiras na cidade, mas não obteve retorno. Na página em uma rede social, a Eco Prática criticou a depredação dos esquipamentos, o que pode ser um motivo para a demora de implantação de mais coletores.

Filtro do cigarro é tóxico e descarte pode gerar multa

Muito mais do que apenas cheio de tabaco, o filtro que complementa o cigarro é um produto altamente tóxico, possuindo as mesmas 4,7 mil substâncias tóxicas do produto. Uma bituca pode levar de quatro a dez anos para se decompor. A demora na decomposição, principalmente em áreas urbanizadas e asfaltadas, se deve ao fato de que 95% dos filtros de cigarros são compostos de acetato de celulose, um produto químico extraído da celulose e usado até para a produção filmes fotográficos.

Além da demora para decompor e causar problemas como entupimento das bocas-de-lobo, o descarte nas bituqueiras faz bem ao bolso, conforme comenta Gustavo Fontana, diretor do DMLU (Departamento Municipal de Limpeza Urbana). “Descartar qualquer tipo de resíduo no chão é passível de multas, de acordo com o Código Municipal de Limpeza Urbana. Cidade limpa não é a que mais se varre, mas a que menos se suja. É preciso que todos façam a sua parte”, afirma, entoando uma frase que está virando slogan de diversas administrações públicas que lutam pela limpeza das cidades.

Bitucas de cigarro expostas em ação do POA Sem Bituca na Esquina Democrática Foto: Betina Carcuchinski/PMPA

Bitucas de cigarro expostas em ação do POA Sem Bituca na Esquina Democrática. / Foto: Betina Carcuchinski/PMPA

 

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