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Porto Alegre e a constante sensação de insegurança

Apesar da pequena queda nos números da criminalidade, a cidade não deixa seus moradores tranquilos

O que me motiva a escrever este artigo é o problema crônico da insegurança que gera uma sensação de medo nos moradores de Porto Alegre. Infelizmente não digo isso por falta de esperança, mas sim por dados e fatos apresentados nos últimos anos. Recentemente, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Rio Grande do Sul divulgou números sobre os índices de criminalidade no primeiro trimestre do nosso Estado. Em Porto Alegre, os homicídios tiveram uma queda. Em 2016, foram 228 assassinatos contra 215 em 2017. Os latrocínios (roubo seguido de morte) também diminuíram: 11 no último ano e oito em 2017, no mesmo período de avaliação.

Apesar da queda nas estatísticas, elas ainda são preocupantes. Não é motivo para comemorar. Dentro deste contexto, toda vitória contra a criminalidade deve ser celebrada. Já fui assaltado seis vezes. A maioria foi na pré-adolescência, quando a irresponsabilidade era maior. Mesmo assim, a falta de sorte estava sempre comigo. Tipo quando você está caminhando, vira a esquina e dá de cara com o assaltante, sem ter para onde correr e ninguém na sua volta para te ajudar. A última vez foi em 2014, em frente ao campus da UFRGS na Avenida Osvaldo Aranha, por volta das 23h. Em todas as situações, meu celular e dinheiro foram levados e nada de grave aconteceu comigo, mas poderia. A sensação de estar indefeso foi uma das piores que já tive, e tudo isso alimentou o medo que tenho hoje.

 

As ruas desertas à noite aumentam o risco de crimes. Foto: Thaysa Meirelles/Flickr Creative Commons

As ruas desertas à noite aumentam o risco de crimes. Foto: Thaysa Meirelles/Flickr Creative Commons

 

Lembro da época em que comecei a sair à noite, como todos os adolescentes fazem. Saía com o dinheiro contado na carteira, sem separar nada para volta, já que, normalmente, a distância até em casa era curta, e eu me recusava a pegar um táxi. Essa não era uma atitude muito sensata, já que qualquer lugar se torna muito mais perigoso à noite, principalmente na madrugada, quando a maioria dos estabelecimentos estão fechados. A grande questão é que eu não tinha medo. Sabia que estava exposto e encarava a caminhada com receio e cautela, mas não com a sensação de que poderia ser morto a qualquer momento.

Hoje não me sinto seguro em nenhum momento do dia. Posso estar em meio a uma multidão em um parque como a Redenção, por exemplo, e, ainda assim, preciso estar atento ao que acontece por perto. Mesmo que eu esteja dentro de um shopping, alguém pode estar me seguindo desde a rua, como já aconteceu com algumas amigas minhas. Aliás, nossa sociedade – extremamente machista – também contribui para essa situação. Poderia citar inúmeros casos que ocorrem todos os dias com amigos e conhecidos, em locais e situações distintas, mas acho que iria bater o recorde de carácteres já escritos na Beta Redação.

O sentimento que temos hoje em dia é de que não podemos facilitar para ninguém. Pessoas caminham rápido na rua, não apenas por pressa, mas por ansiedade para chegarem aos seus destinos. Não podemos expor nossas conquistas materiais porque alguém pode estar observando. Apesar disso, continuamos fazendo o que devemos fazer: vivendo a nossa vida. O problema é que o medo tem sido nosso companheiro em todas essas situações.

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