Cultura

Porto Alegre, a capital artística da América Latina

10ª Bienal do Mercosul retoma vocação inicial e traz obras de mais de 20 países

Com uma produção diversa, trazendo obras que representam mais de 20 países da América Latina, a 10ª Bienal do Mercosul – em exposição até o dia 6 de dezembro – retorna à sua proposta inicial de apresentar trabalhos artísticos de diferentes nacionalidades que constituem o hemisfério sul do continente, com o objetivo de promover visibilidade aos artistas. “Precisamos nos perguntar por que haveríamos de promover a produção de outros países em um universo de mais de 120 Bienais no mundo que fazem isso sendo que a produção que temos mais próxima ainda se encontra desconhecida de nós mesmos”, justifica o curador-chefe da Bienal, Gaudêncio Fidelis.

A escolha das obras, que percorrem um arco histórico considerável, partindo do século 18 até a contemporaneidade, é resultado de uma extensa pesquisa e investigação sobre a produção artística da região e do conhecimento dos curadores da Bienal. “Não se trata, portanto, de um processo seletivo, mas de escolhas daquilo que consideramos mais significativo para ser apresentado em um conjunto o mais coerente possível para compor as exposições da Bienal”, explica o curador-chefe.

Márcia destaca a violência da colonização em obras. Obra: Vicent y Paul en America (2004)/Foto: Francine Malessa

Márcia destaca a violência da colonização em obras. Obra: Vicent y Paul en America (2004). Autor: Daniel Lezama /Foto: Francine Malessa

Com uma média que às vezes supera ou mantém as das Bienais anteriores, esta edição tem contado com uma percepção de inquietação e reconhecimento por parte dos visitantes. No Santander Cultural, Márcia Quino Brentano, 30 anos, visita a Bienal pela segunda vez. “Sinto bastante América Latina. Tem muita arte do México. Tem uma [obra] que não tenho certeza se é da Colômbia, mas mostra a América Latina sangrando por causa dos espanhóis. Pesa muito esta questão de colonização. É muito impressionante”, relata.   

No Museu de Arte do Rio Grande do Sul, a sergipana Catarina Oliveira Riveiro, 28, visita a Bienal pela primeira vez. “Estou muito feliz porque acabei de me deparar com um artista sergipano e estou adorando. É uma sensação de pertencimento num lugar tão distante da minha terra. A nossa cultura é tão diferente de vocês e ao mesmo tempo há algo que nos une, que é a arte. Essa peça passa algumas inquietações também, alguns questionamentos sobre as nossas diferenças culturais e como isso às vezes causa separações, e a arte é um elo para todo mundo”, afirma.  

A sergipana Catarina faz o registro junto à obra do seu conterrâneo. Obra: O Bicho que eu nunca vi (2014). Autor: Véio/Foto: Francine Malessa

A sergipana Catarina faz o registro junto à obra do seu conterrâneo. Obra: O Bicho que eu nunca vi (2014). Autor: Véio / Foto: Francine Malessa

Para quem gosta de estar em sintonia com a contemporaneidade, a 10ª Bienal do Mercosul é uma oportunidade de ver em uma única exposição um imenso grupo de produções. “Muitas dessas obras nunca saíram das coleções de onde provêm, e um vasto número delas jamais viajará novamente por razões de conservação, fragilidade ou logística”, conta Fidelis. Desta maneira, “a Bienal 10 foi concebida com base na democratização do conhecimento, buscando antes de tudo garantir a oportunidade de acesso ao patrimônio artístico destes países, transformando Porto Alegre, neste período, na capital artística da América Latina”, completa o curador-chefe.

 

Lida 767 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.